terça-feira, 30 de março de 2010

JEREMIAS O PROFETA DA ESPERANÇA

Jeremias exerceu o seu ministério num período totalmente caótico para a nação de Judá, que vivia a maior crise de sua história política, social e religiosa. Ele recebeu a quase impossível tarefa de fazer a nação de Judá retroceder na sua trajetória pecaminosa que inevitavelmente culminaria com a destruição(15.1). Mas aquele era um povo teimoso e obstinado, e parecia inclinado à destruição.

- O contexto político, social e religioso

No décimo oitavo ano de Josias, o último rei justo de Judá, o sumo sacerdote Hilquías, encontrou um exemplar do livro da lei (provavelmente Deuteronômio), quando o templo estava sendo restaurado. Safã leu o livro perante o rei; e quando ouviu a palavra de Deus, humilhou-se conclamou a nação ao arrependimento. Levou o povo a retirar a idolatria da terra e restaurar o culto a Jeová, ao menos na aparência. Esse acontecimento está relatado no segundo livro dos reis, caps. 22 e 23 e é geralmente chamado "o grande reavivamento durante o reinado de Josias". A mudança realizou algumas coisas boas, mas não parece que aquele acontecimento pudesse, na realidade, ser chamado um "reavivamento". Jeremias, pelo menos, não pensou assim. Quando a reforma religiosa de Josias começou, Jeremias, que tinha estado profetizando por aproximadamente 5 anos, provavelmente cooperou com ela. Mas, então, percebesse que, em essência, nada se modificava na vida espiritual da nação. Por decreto, Josias pode eliminar os ídolos da terra, mas não pode eliminá-los do coração do povo. É verdade que havia um punhado de adoradores sinceros, mas, para a maioria, o reavivamento foi superficial, e temporário. A religião antiga ainda era mais atrativa, e maioria preferia as suas tradições.

Embora houvesse diminuído de dimensões o problema nacional da interferência da Assíria, de tal que Judá desfrutou de considerável independência sobre Josias, os acontecimentos internacionais na área dos rios Tigre e Eufrates eram observados em Jerusalém com intenso interesse. Sem dúvida, qualquer temor de que o soerguimento de Babilônia como potência, no Oriente, teria implicações sérias para Jerusálem, era contrabalançado pelo otimismo da reforma de Josias. A noticia da queda de Nínive, em 612 A.c., quase certamente foi bem recebida em Judá como uma garantia de que não haveria mais interferências Assírias. O temor de que a Assíria conseguiria recompor-se impulsionou Josias a tentar fechar a passagem aos Egípcios, em Megido (609 A.c), para impedi-los de ajudar os assírios, que estavam retrocedendo ante o avanço das tropas babilônias.

A morte repentina de Josias foi crucial tanto para Judá quanto para Jeremias, pessoalmente. Enquanto o profeta lamentava a perda daquele piedoso soberano sua nação foi projetada num redemoinho de conflitos internacionais. Jeoacaz governou somente por 3 meses antes que Neco, do Egito, o levasse cativo, fazendo-o subir ao trono de Davi, em Jerusalém, a Jeoaquim. Essa súbita guinada dos acontecimentos não somente deixou Jeremias sem piedoso apoio político, mas também deixou-o quase abandonado às astúcias dos líderes apóstatas, que gozavam dos favores de Jeoaquim.

Crise após crise foi aproximando Judá da destruição, enquanto os avisos de Jeremias continuavam a ser ignorados. O ano de 605 a.C. assinalou o começo do cativeiro babilônico para alguns dos cidadãos de Jerusalém, paralelamente ao fato de que Jeoaquim afirmava sua lealdade aos babilônicos invasores. No conflito Egípcio-babilônico, que houve durante o restante de seu reinado, Jeoaquim caiu no erro fatal de rebelar-se contra Nabucodonosor, precipitando a crise de 598 – 597 a.C. não somente a morte pôs abrupto ponto final ao reinado de Jeoaquim, mas também seu filho, Joaquim, e aproximadamente 10 mil cidadãos proeminentes de Jerusalém foram levados ao exílio. Isso deixou a cidade como mero simulacro de existência nacional, enquanto as classes remanescentes e mais pobres controlavam o governo sob seu rei títere, Zedequias.

A corrupção moral estava generalizada, pois, os próprios líderes estavam envolvidos em mentiras, atos avarentos e adultérios. A influência negativa do sacerdócio é devastadora para a nação, acelerando cada vez mais, o processo de decadência. Jeremias toca direto na ferida, ele não usa "meias-palavras", atentemos para as palavras dos profeta: "mas nos profetas de Jerusalém vejo coisa horrenda: cometem adultérios, andam com falsidade, e fortalecem as mãos dos malfeitores, para que não se converta cada um da sua maldade; todos eles se tornaram para mim como Sodoma, e os moradores de Jerusalém como Gomorra... porque dos profetas de Jerusalém se derramou a impiedade sobre a terra." (23.14-15).

MAIOR DO QUE AS CRISES É ESPERANÇA DAQUELES QUE OUVEM A PALAVRA DO SENHOR

Na época de Jeremias a Nação de Judá já estava praticamente sentenciada ao Cativeiro devido ao seu profundo comprometimento com o pecado. O cativeiro seria um acontecimento praticamente inevitável, porém, nem tudo estava perdido, Deus levantou o profeta Jeremias como a última oportunidade para que houvesse uma reflexão por parte do povo, e deixassem de ser tão indiferentes à palavra do Senhor. Desta forma os prejuízos poderiam ser amenizados e as conseqüências menos dolorosas, e essa era a grande esperança de Jeremias, que o povo despertasse do sono da ilusão que estavam vivendo, pois seus líderes espirituais lhes diziam que estava tudo bem, enquanto todos estavam caminhando direto para um abismo, do qual estavam bem próximos. Mas, Jeremias não perde a esperança de que eles possam ouvir os seus avisos, e então ele diz: "Eis que vós confiais em palavras falsas, que para nada vos aproveitam. Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não conheceis, e depois vindes e vos ponde diante de mim nesta casa, que se chama pelo meu nome, e dizeis estamos salvos; sim só para praticardes estas abominações! Será esta casa que se chama pelo meu nome é um covil de salteadores aos vossos olhos? (7.3-4). G. Campbell Morgan diz que "covil de salteadores" é o lugar onde os ladrões se escondem logo após ter cometido crimes. Jeremias ainda acrescenta que estes sacerdotes não passavam de falsos curandeiros, mentirosos "curam superficialmente a ferida do meu povo. Dizendo: Paz, paz, quando não há paz" (6.14). O profeta Jeremias tinha esperanças que muitos pudessem despertar do sono espiritual e ainda poder desfrutar das bênçãos de Deus em meio aquela situação tão degradante. Jeremias não desiste da esperança, e lembra ao povo: "Bendito o homem que confia no Senhor, e cuja a esperança é o Senhor... O Senhor é a esperança de Israel.." (17.7,13).

Enquanto se aproximava rapidamente a ruína nacional, Jeremias recebeu uma elaboração da promessa de restauração. Com uma admoestação para que invocasse a Deus , o Criador, o povo foi desafiado, por meio de Jeremias, esperar nas coisas que desconhecia. Naquela terra, que agora no limiar da destruição, haveria de aparecer um renovo justo proveniente de Davi, de tal maneira que retidão e justiça prevaleceriam uma vez mais. O governo davídico e o serviço dos levitas seriam restabelecidos. Jerusalém e Judá seriam uma vez mais, o deleite de Deus. Esse pacto é tão certo quanto os períodos fixados dia e noite.

Contextualizando

Conforme diz o apóstolo Paulo, estamos vivendo dias trabalhosos, assim como vivenciou o profeta Jeremias. Fomos colocados como profetas numa nação na qual predomina o misticismo e pragmatismo religioso. A superstição e a idolatria fazem parte da vida da maioria dos brasileiros. As autoridades políticas e religiosas estão indiferentes a palavra do Senhor. Somos uma nação com muitas manifestações religiosas, porém, o sacrifício não tem valor perante Deus, pois, não existe comprometimento, não há submissão à vontade do Senhor. O pior disso é que muitas pessoas pensam que estão procedendo corretamente, porque seus líderes espirituais afirmam que tudo está bem, que a prática religiosa descomprometida deles está agradando a Deus. Esses líderes assemelham-se aos sacerdotes da época de Jeremias, o profeta os chamou de charlatões, ilusionistas, pois só estavam preocupados com a com os seus próprios interesses e não com a situação espiritual do povo. Homens avarentos e mentirosos, explorando a ignorância e a falta de discernimento espiritual do povo. Essa indiferença e hipocrisia para com a verdade de Deus tem sido a razão de males, tais como: Miséria social que tem se configurado num alto índice de pobreza provocado por uma injusta distribuição de renda. Temos neste país homens que aparecem nas pesquisas entre os mais ricos do mundo, e paradoxalmente estamos entre os países com o maior número de pobres, altos índices de violência, escândalos políticos e sócias, entre outras coisas. Entre esses falsos profetas que iludem o povo brasileiro com suas mensagens que massageiam o ego das pessoas, sem levá-las a um comprometimento com Deus, pode se contar muitas igrejas e ministérios evangélicos. Fazendo uma inversão do texto bíblico, diria que o Evangelho tem se envergonhado de muitos evangélicos na época atual. Apesar da expressiva crise de identidade enfrentada pela igreja dos tempos pós-modernos, nem tudo está perdido, ainda existem profetas do timbre de Jeremias, homens capazes de renunciar as regalias do ministério, e dizer a verdade custe o que custar, mesmo que isso provoque perseguições, maus tratos, injustiças, perseveram em pregar a verdade de Deus, dizendo em alto e bom som aos pecadores, sejam eles autoridades religiosas, políticas ou quem quer que sejam, que precisam abandonar o pecado e obedecerem a palavra de Deus. Porque está é única esperança para os problemas que assolam este país. Não é elegendo políticos, que na maioria das vezes se corrompem, criticando só por criticar, nem tão pouco se reunindo em quatro paredes para se delirar com a exuberância das nossoas próprias palavras e proferir palavras mágicas, tais: "O Brasil é do Senhor Jesus, decretamos a libertação do Brasil.... e por ái vai.

Primeiro que tudo os profetas dessa era precisam ser tão integro como Jeremias, cuja a cabeça esteja nos céus e os pés aqui terra. Homens que se compadeçam da condição miserável dos pecadores, sem iludi-los, desafiando-os a mudar o estado de desgraça prenunciado, conclamando a um despertamento. Assim como Jeremias o profeta desta era não pode abrir mão da esperança, por maior que seja o caos, ele deve persistir na sua missão. Mesmo que as pessoas não estejam dando ouvidos, não podemos desistir, vamos continuar anunciando que "crer no Senhor é a única esperança".

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