sábado, 10 de dezembro de 2011

O DIA DE ADORAÇÃO E SERVIÇO A DEUS (Sábado ou Domingo ?) – LIÇÃO 11


SÁBADO OU DOMINGO?
Devido a muitos fatores, constantemente nós que não somos sabatistas sofremos deles concernente ao domingo. Eles dizem que nós guardamos erradamente o domingo. Segundo eles, a guarda do domingo é o selo da besta de apocalipse, baseado na interpretação de Ap 13.16 –18;  14.9-12. O primeiro a perceber esta relação foi o sabatista José Bates. Há um mal-entendido nesta questão. Nós não guardamos o domingo, pois não temos nenhum texto no Novo Testamento que nos obrigue a tal atitude, e nem tão pouco ele é um mandamento. Então nos parece que estas considerações que são feitas com relação ao domingo não tem nenhuma validade, pois nunca a igreja evangélica publicou isso como se fosse um dogma.  Talvez estas acusações sejam feitas a um grupo de cristãos não sabatistas, mas que defendem a idéia da observância do domingo em lugar do sábado na nova aliança. Mesmo reconhecendo esta idéia por parte deste grupo de cristãos, podemos afirmar que tais pessoas não guardam o domingo a semelhança que que os judeus guardavam o sábado na antiga aliança. Existem alguns textos considerados como clássicos, que são usados por este grupo não sabatistas, para afirmarem a observância do domingo em lugar do sábado. Os textos são: At 20.1-7; I Co 16.1,2; Ap 1.10. Além destes, os que falam sobre a ressurreição de Cristo são usados como argumentos em favor desta substituição. Analisando estes textos à luz à luz de seus contextos, verificaremos que a igreja nunca criou a guarda do domingo em lugar do sábado. Estes textos dão indício de que a igreja se reunia no domingo. Mas nenhum deles afirma que o dia do Senhor fora mudado.  Comecemos com Atos 20. O texto nos fala que, após Paulo sair de um tumulto incitado por um ourives chamada Demétrio, despediu-se dos discípulos e partiu para a Macedônia (At 20.1). Depois foi até a Grécia onde passou três meses (At 20.2) e voltou para a Macedônia. Depois dos dias dos pães asmos, ele foi de Filipos para Troas (At 20.6). No primeiro dia da semana, o domingo, eles se reuniram para partir o pão. O partir do pão, no livro de atos e em todo o novo testamento, tem o significado da celebração da santa ceia (At 2.42,46; 20.7; I Co 10.16; 11.24). Com certeza eles creram, pois o partir o pão era designativo para a santa ceia. O verbo traduzido para nossa língua: “falando com eles”, ou “exortava-os”, no grego é o imperfeito “dielegeto” (dielegueto), que é originalmente traduzido como ensinar, instruir. Não podemos negar de maneira nenhuma que era um culto, pois este verbo é usado em outros textos para expor a idéia de ministração em cultos (At 17.2). A problemática deste texto é saber se esta reunião era comum, ou foi uma necessidade que surgiu, pois Paulo estava partindo no outro dia (At 20.7). Acreditando na realização permanente deste culto nos domingos, temos um grande indício de que a igreja primitiva celebrava seus culto neste dia. Porém, os que não acreditarem assim, deverão perceber que temos mais textos da igreja se reunindo nos primeiros dias da semana do que tendo a sua reunião aos sábados, ou melhor, não temos nenhum texto, em todo o novo testamento que indique o povo de Deus do Novo Testamento se reunindo nos sábados. O mesmo problema é apresentado em I Co 16.1,2. Paulo solicita que a igreja em Corinto providencie uma coleta como foi ordenado às igrejas da Galácia. Paulo indica o primeiro dia para a igreja executar esta tarefa, mas no verso 2, como apresenta o texto, percebemos que ele dá a indicação que esta coleta seja feita no primeiro dia para que os coríntios não fizessem quando ele fosse tem com eles. Por mais uma vez não sabemos se a igreja se reuniu no primeiro dia para realizar meramente esta coleta, ou se este dia era o dia constante da reunião deles. Voltamos mais uma vez a dizer, mesmo que este texto não indique uma constante reunião no primeiro dia da semana, o domingo, temos pelos menos alguma indicação de que algum culto fora realizado neste dia, em contraste com nenhuma citação de culto realizado no sábado. Por fim temos o texto de apocalipse 1.10. João estava exilado na ilha de Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus (Ap 1.9). Dize-nos o texto que João estava em espírito no dia do Senhor. A expresão “dia do Senhor” é muito usada em toda a escritura (Is 2.12; Jr 46.10; Ez 30.3; Jl 1.15; 2.11; Am 5.18; Zc 14.1; Fl 1.16; Ts 5.2; II Pe 3.10; Ap 1.10), porém em Ap 1.10, ela tem uma forma diferente de apresentação. Enquanto que nos outros textos a forma grega é “huera kurio”  (rêmera kyriu), literalmente, dia do Senhor; a frase de Ap 1.10 é colocada no sentido adjetivo “kuriakh nuera” (kiriakê rêmera), que indica uma atribuição. Nesta frase temos uma atribuição deste dia ao Senhor. Esta palavra era usada naquela época para designar algo que pertencia ao imperador. Por exemplo, existia o dia de Augusto “seBasth nuera” (sebastê rêmera), que era o primeiro dia da cada mês e esta estrutura atributiva era usada. Pela estrutura ser comum na época, Dr Champlin acredita que este termo de apocalipse fora utilizado por empréstimo lingüístico para indicar o domingo como pertencente ao Senhor. A implicação deste termo nos escritos imediatamente posteriores ao apocalipse pode ser visto em alguns escritos da igreja primitiva como Didaquê 14 e em Inácio Magno 9, onde há a apresentação do domingo domo o dia do Senhor. Além destes, temos muitos outros escritos primitivos que contém informações de que a igreja se reunia no dia do Senhor, o domingo.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O EXERCÍCIO MINISTERIAL NA CASA DO SENHOR – Lição 10



Existe o provérbio popular  que diz: “Quer saber quem o homem, entregue poder para ele”. Quando observarmos as Escrituras pensando nessa expressão, facilmente chegamos a conclusão que esse princípio é aplicável na experiência em grandes proporções. Quando as pessoas assumem posições de domínio elas passam sofrer pressões de todos os lados, as quais muitas vezes tendem a moldar o próprio caráter de cada um. Todavia, o homem que tem como modeladores do seu caráter os princípios e valores da Palavra de  Deus jamais permitirá que o seu status e conforto pessoal sejam priorizados em detrimento da verdade de Deus. Um dos principais requisitos que o apóstolo Paulo apresenta para que alguém exerça o ministério, é que o tal não seja avarento, pois, ele também diz que o amor aos valores materiais é a origem de todos os males. Estamos presenciando uma realidade muito triste nos tempos modernos, pois, abrir igrejas, construir templos, comprar horário na televisão com pretexto de anunciar o evangelho virou o grande negócio que proporciona muito retorno financeiro e também cria um grande gabinete de empregos para parentes de todos os graus, amigos, e todos os demais a quem o “imperador” quer favorecer. Estão substituindo a “visão celestial” por “visão empresarial”, enquanto a primeira se preocupa com as  almas dos homens investindo em evangelismo, missões, ensino teológico e obra social, a segunda está gastando fortunas com canais de TV (diga-se de passagem com um conteúdo que deixa a desejar);  espaços super confortáveis com todas as beneses da tecnologia  para as lideranças, enquanto muitos templos não tem um som com qualidade, não tem ventilação apropriada, assentos confortáveis, e as vezes nem ao menos copo descartável para alguém tomar água. As lideranças subalternas das congregações são pressionadas a gastar o mínimo, pois, toda a arrecadação deve ser levada o tesouro central, pois, o Eliasibe juntamente com Tobias e todos os seus parentes e amigos precisam manter  o seu luxo e conforto de suas apartamentos luxuosos, seus carros importados, super planos de saúde, e constates viagens “para atender o trabalho do Senhor” , mas que também envolve umas comprinhas no shopping, um city tour e outras coisinhas desse tipo.  Essa era a infame postura do ministério na época em que Neemias esteve atuando em Jerusalém, o sacerdote Eliasibe era um líder nepotista, interesseiro e imparcial (Ne 13.1-8), por isso fez parcerias com o propósito de tirar proveito material da sua função como sacerdote ao procurar beneficiar a si mesmo e aos seus próprios parentes. Infelizmente essa infame prática do NEPOTISMO é praticada discaradamente na maioria das igrejas evangélicas e demais instituições nesse pais.

O LIDER E SUA RELAÇÃO COM O PODER
O texto bíblico de Lucas 12.41-48 narra a conversa de Pedro com Jesus em lugar de seus colegas, os discípulos. A preocupação de Lucas em narrar o fato deve-se à sua preocupação com um problema permanente no movimento cristão. O poder tem a tendência de corromper, especialmente em círculos religiosos onde o seu uso pode ser santificado em nome de Deus. Pedro ao perguntar, dá oportunidade para Jesus falar contra o abuso de liderança.  Primeiro, o Mestre se dirige aos discípulos, mas atinge a todos que se ocupam dessa responsabilidade. Na realidade, Deus espera do mordomo (no caso, o líder) fidelidade e prudência). O mordomo fiel e prudente usa os bens e ale confiados conforme o desejo do seu Senhor, ou seja, o de cuidar daqueles por quem é responsável. O interessante é notar que, como recompensa ao fiel, Deus dá mais responsabilidade. No ministério, quanto mais fiel  o ministro busca ser, mais tarefas se colocarão à sua frete provando e comprovando a sua capacidade.  A parábola continua e demonstra que o líder enganado por falsa segurança devido à demora da volta do Senhor começa a maltratar as pessoas (v.45). É o abuso do poder, e contra isso Jesus adverte os seus. O cargo de ministro cristão, como é o nosso caso, é muito sério. Muitas vezes, por não compreender a posição que ocupa, o ministro pode, em nome de Deus, exercer autoridade em demasia, prejudicando as pessoas que lhe são confiadas. E o ministro que conhece a vontade de Deus e não a cumpre é mais culpado do que aquele que age por ignorância. Ser um ministro na casa do Senhor não é honrar que se procura, mas tremenda responsabilidade, da qual se deve desincumbir “com temor e tremor”. Quanto mais capacidade Deus dá aos líderes, mais lhes é requerido. O ministro fiel é colocado sobre todos os bens (Mt 24.25) do seu Senhor.  E que bem maior temos nós, como ministros da casa do Senhor, do que pessoas que querem crescer na maturação de sua personalidade global através de nossa atuação? Convém lembrar que a parábola contém uma advertência especial para a liderança cristã que usa a sua posição para adquirir vantagens pessoais, tentando ser senhores e não servos. Isto se revela no exercício de uma tirania sobre os que não os apóiam e sendo indulgentes para os que os apóiam. 

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

A ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO RELIGIOSO–Lição 9


A expressão serviço religioso abrange um imenso universo de práticas e atitudes por parte dos indivíduos que estão comprometidos com algum sistema religioso, porém, a expressão máxima desse servir sempre terá uma visibilidade maior no próprio momento de culto desenvolvido por cada desses sistemas. A palavra “culto” tem a sua raiz vinda da língua latina (do substantivo cultu; e do verbo colere), possuindo assim os seguintes significados ‘cultivar’;  ‘cuidar’; ‘tratar’; ‘honrar’; ‘venerar’. Segundo o dicionário Aurélio de língua portuguesa, culto designa um ato de “adoração ou homenagem à divindade em qualquer de suas formas, e em qualquer religião”. É cabível perceber que o termo não ligado apenas ao cristianismo, mas abrange as religiões de um modo geral. Na perspectiva cristã o culto pode ser simplesmente definido como uma forma externa de expressão da crença num único Deus, onde as especificidades são determinadas pelo cristianismo. Apesar de simples, esta definição resume toda a visão geral de um culto cristão. O ponto principal no entendimento das definições do culto cristão não está na adoração a Deus, mas no núcleo centralizador deste culto. O culto cristão é extremamente encarnacional e prático. Todos os eventos relacionados a Cristo devem ser inseridos no culto. Com isto, percebe-se que a ´exteriorização`   apresentada na definição acima, reveste-se e certa coerência estrutural. Uma teóloga de tradição anglo-católica aborda que o culto é uma resposta das criaturas ao eterno, trazendo assim uma nova concepção. Neste caso o culto cristão se caracteriza pela concepção do cultuante a respeito de Deus e sua relação com Deus. Longe de ser geral, o culto cristão sempre é condicionado e determinado pela crença cristã. Esta é a mesma idéia defendida pela perspectiva ortodoxa. Em círculos católicos é comum definir o culto como a glorificação de Deus e a santificação da humanidade. Irineu já dizia que a santidade é a maior glorificação do ser humano a Deus. Assim a glorificação a Deus e a santificação do homem caracterizam o culto cristão. Em todas as definições citadas a atenção à praticidade do aspecto dinâmico do culto cristão é destacado. Desde muito tempo a concepção de culto cristão esta atrelada às reuniões realizadas pelos cristãos nos templos. Porém, esta visão está totalmente fora do real valor e do verdadeiro significado de tal atitude. A abrangência do conceito real de culto perdeu seu poder de compreensão a partir da separação entre a teoria e a prática do que era o culto cristão. Não se sabe quando fora alcançado esta separação, mas os surgimentos de novas teologias contribuíram com certeza para esta visão antibíblica.
O SERVIÇO RELIGIOSO ANTES DA LEI
Antes da formação do povo de Israel e da entrega da lei, já se tinham formas de adoração. Nas escrituras sagradas, a primeira menção efetivamente feita sobre um culto no A T é a de Gn 4.2-7. Não sabe o tempo nem o local em que fora ofertado o culto, porém,  sabe-se claramente que a oferta de Caim foi rejeitada e a de Abel aceita. Neste primeiro relato bíblico acerca de um ato efetivo de adoração, encontramos Caim trazendo uma oferta ao Senhor, fruto da terra, e Abel trazendo dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura (Gn 4.3,4). Diz a Bíblia que a oferta de Abel foi vista por Deus, pois ele deu o melhor. Sobre esse episódio, o Dr Russel Shedd comenta que a oferta de Abel agradou mais do que a de Caim, não porque tivesse cumprido as exigências materiais, mas porque o coração de Abel estava em harmonia com o coração de Deus.  Há uma ligeira afirmação de que os sacrifícios passaram a ser a principal forma de adoração posteriormente a este episódio. Todas as citações de culto durante a vida dos patriarcas  foram destacadas pela realização dos sacrifícios. Os patriarcas erigiram altares (Gn 8.20;  17.7,8; 13.18; 26.25; 35.1; 17.15)e consideravam também árvore e poços como sagrados (Gn 12.6; 35.4; 16.14; Dt 11.30; Js 24.26).
O SERVIÇO RELIGIOSO DEPOIS DA LEI
Moisés inaugurou uma nova etapa nas práticas do serviço religioso dos primeiros servos de Deus. Começou quando ele conduziu o povo de Israel para fora do Egito, e se estendeu até a era dos juízes. Durante o tempo dos juízes, o povo de Deus ainda adorava em tendas e em tabernáculo. Somente quando Davi foi coroado rei, que se fizeram planos para a construção de um templo. Houve uma série de atividades acrescentadas nesta nova etapa. Quando Deus entregou os Dez mandamentos a Moisés, deixou bem claro as instruções conforme encontramos em Êxodo 20.3-5. Neste texto encontramos as palavras encurvarás e servirás, as quais significam atitude de culto. O serviço como culto, traduzido do grego, significa serviço sacerdotal. Serviço também pode ser tradução de “latreia”, encontrado no texto de Mateus 4.10, quando Jesus rebate a Satanás, dizendo: “...Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele servirás”. Neste texto, o serivirás vem de “latreuseis”, enquanto que o adorarás vem de “proskuneseis”, que é também uma palavra grega com significado de culto. Começa assim a descrição de uma série de outras ordens para a realização do culto pós-lei.
ALGUNS ELEMENTOS DO CULTO PÓS-LEI – Tem-se um forte indício que Deus já havia aprovado os sacrifícios. Nos dias de Moisés, Deus também sancionou um novo local de culto. Quando o grande legislador subiu ao Monte Sinai, recebeu não só os dez mandamentos, mas também outras diretrizes para a vida do povo. Dentre estas orientações, foi dado a planta baixa do tabernáculo. Era um local fechado diferente dos altares erigidos a céu aberto. O próprio altar era diferente (Ex 27.1-3). O Sacerdócio, nesse ínterim, em Israel passou a existir o que se conhece por sacerdócio ordenado. De acordo com a ordem de Deus (Ex 28.1), Moisés consagrou seu irmão (Arão) e sobrinhos. Estes homens eram da tribo de Levi, e o sacerdócio passou a pertencer efetivamente a esta tribo. Havia um distinção entre o sumo sacerdote e os sacerdotes. Estes realizavam todas as atividades competentes aos sacerdotes. Aqueles, porém, além das atividades normais de um sacerdote, tinham a responsabilidade de executarem o sacrifício do dia da expiação, onde eles podiam entrar no santo dos santos (Lv 16.1-25). O sistema sacrificial, apesar da vasta referência concernente aos sacrifícios em toda a bíblia, tem-se os rituais sacrificiais mais especificamente registrado nos sete primeiros capítulos do livro de levítico. O sistema sacrificial é composto basicamente de cinco tipos de sacrifícios específicos: ofertas queimadas (holocaustos), ofertas de cereais (manjares), ofertas pacificas, ofertas pelo pecado, ofertas pelas transgressões.
O SERVIÇO RELIGIOSO PÓS-EXÍLIO
No ano 586 a.C., o Rei Nabucodonosor  saqueou Jerusalém e destruiu o templo santo que Salomão havia edificado, impossibilitando a realização de cultos. Porém, quando acabou o cativeiro, Ciro, rei da Persia, ordenou aos israelitas que construíssem um templo em Jerusalém (Esd. 1.2), restituindo os vasos levados por Nabucodonosor (Esd 5.14). Em muitas coisas, o segundo templo seria como o de Salomão. Mas a arca da aliança fora definitivamente perdida (destruída) durante a invasão do babilônios. Os recursos para a construção do segundo templo foram mínimos, devido a própria situação pós-exílio do povo israelita. O novo templo era menor e menos adornado do que o de Salomão, mas seguia as mesmas linhas descritas para o tabernáculo. Todo culto judaico a partir deste retorno era centralizado no novo templo. Os judeus desta época julgavam estar sob a ira e juízo divinos e, para reparar a culpa, eles voltaram a oferecer sacrifícios e ofertas. Neste ínterim, os levitas foram os primeiros a regressarem a Judá. Durante a monarquia outros ramos da tribo de Levi tinham sido aceitos como sacerdotes. Mas, após o exílio, todos os que alegam ser sacerdotes tinham  que provar que descendiam de Arão antes de ser admitidos no ofício (Esd 2.61-63; Nem 7.65-67). Outros funcionários do templo, que voltaram de imediato, foram os cantores e os porteiros. O livro das crônicas refere-se aos cantores e porteiros como ´levitas`, mas eles eram de origem estrangeira, eram descendentes de cativos de guerras, que assistiam os levitas no templo de Salomão. No tempo de Neemias estas pessoas juraram que andariam na lei de Deus e não se casariam com estrangeiros (Nem 10.28-30). Nestes momentos, a atmosfera de culto ritualístico fora substituída pelo contexto de remorso. As festas se tornaram refeições sociais. Um novo festival surgiu – a festa de Purim. Esta festa era realizada nos dias 14 e 15 do mês de adar, para comemorar o livramento dos judeus das mãos de Hamã. 

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

A CONSPIRAÇÃO DOS INIMIGOS CONTRA NEEMIAS – Lição 5



Todo cristão precisa estar preparado para enfrentar a oposição que se levantará contra o seu projeto de vida com Deus. A extensão da oposição na vida de cada cristão é diretamente proporcional ao teor do comprometimento dele com a fé e o serviço cristão.  O apóstolo Pedro nos diz que satanás, o nosso inimigo, está sempre nos cercando, bramando como um leão buscando a quem possa tragar. Jesus também nos alertou que devemos cultivar uma atitude de oração e constante vigilância. Analisando estas expressões concluímos que não podemos pensar numa experiência cristã isenta de lutas provocadas pela oposição que acontece tanto em nível espiritual como no nível físico da nossa existência.  É necessário mantermos o equilíbrio para não nos tornarmos cristãos obcecados que tem mania de perseguição, que não vivem em harmonia com a palavra do senhor e ao sofrerem as conseqüências de seus atos indevidos, atribuem que tais ações procedem de perseguições por parte das pessoas envolvidas ou até mesmo de uma conspiração do mundo espiritual. A maturidade espiritual nos proporciona discernimento para definirmos com segurança se as lutas que enfrentamos tem origem numa conspiração dos homens ou dos demônios, ou se apenas tem haver com questões relacionadas com erros que cometemos. O inferno conspira continuamente contra nós, pois, o diabo planeja nos impedir de alcançar uma eternidade com Deus, porém, o Senhor colocou a sua proteção sobre nós, existe um exército de anjos a nossa disposição para frustrar os intentos dele contra as nossas vidas. O escritor aos hebreus nos diz que os anjos foram designados para ministrar àqueles que hão de herdar a salvação. O poder dos nossos inimigos não pode ser subestimado, porém, temos de estar plenamente conscientes que o poder do nosso Deus é ilimitado e garante vitória a todos que a  Ele recorrem.
Neemias tinha absoluta consciência da grandeza da obra que estava realizando, a qual exigia da parte dele muita seriedade e máxima dedicação “Estou fazendo uma grande obra, de modo que não poderei descer”. Os inimigos de Neemias tentam desviar-lhe o foco, provocar descontinuidade da ação, esfriar o ritmo de trabalho, semelhante a um técnico de futebol que o quando o seu time está sendo pressionado e ele quer segurar o resultado, então manda queos seus jogadores simulem contusões e caiam em campo para gastar o tempo. Quando estamos trabalhando em ritmo acelerado na obra de Deus os inimigos armam estratégias para nos tentar parar por um momento, tentando assim diminuir as nossas forças e nosso entusiasmo. Todavia, temos em Neemias um grande exemplo de discernimento e determinação, por isso ele não se permitiu ser manipulado pela astuta estratégia do inimigo. 
VIVENDO NUM CONTEXTO PROPÍCIO A OPOSIÇÃO.
Com a fortificação e reconstrução da cidade de Jerusalém, estava dado o primeiro passo concreto para o restabelecimento de Judá como província. É provável que boa parte dos conflitos com as províncias circunvizinhas possam ser explicados a partir dessa mudança. O fato de Judá ter em Neemias um governador com autoridade e respaldo imperial, que conseguia se impor frente aos governadores das demais províncias vizinhas que tiveram prejuízos com essa mudança política na satrapia. Samaria não  receberia mais os impostos da sub-província. O avanço dos árabes ao sul, para dentro do território de Judá provavelmente foi barrado. Da mesma maneira, é provável que as outras províncias tenham tido de respeitar melhor os limites da Província de Judá. O atrito com Samaria provavelmente foi mais acentuado porque em Jerusalém também estava se formando uma comunidade cultual, que procurava por sua identidade, afastando-se dos estrangeiros. Nesse período, talvez, já poderiam estar os primeiros passos na direção do cisma judaico-samaritano. As acusações de Sambalá e seus aliados de uma possível rebelião em Judá não deveriam ser consideradas totalmente sem fundamento, pois é possível que em Judá houvesse pessoas desejosas de que tal acontecesse. Portanto, administrar o equilíbrio entre essas esperanças de ver Judá como reino e, por outro lado, de estabelecer Judá como província, proporcionando-lhe a possibilidade de um desenvolvimento maior, sem provocar uma rebelião contra Império, era um desafio considerável. Quando Neemias se defendeu das acusações de que planejava rebelar-se (Ne 2.19; 6.7) dizendo que eram mentiras, estava sendo sincero. Nesse ponto, Neemias não era idealista. Ele sabia onde estavam os limites de sua atuação. Um mínimo esboço de revolta seria entendido por Artaxerxes I como alta traição e reprimido pelo rei com violência. Esse desafio de conseguir mais liberdade e autonomia para Judá, sem provocar uma revolta, parece ter sido vencido. Sua agilidade é digna de nota. Ele sabia como tratar o rei (Ne 2.1ss). Governava com planejamento (Ne 2.7ss), relacionando muito bem a precaução (Ne 2.12,16), astúcia (Ne 6.1-14) e determinação (Ne 4.15-23; 5.16; 13.28). Porém, a motivação mais profunda de sua atuação foi o temor a Deus (Ne 1.4-11; 2.20; 5.15b). Mesmo não sendo teólogo, Neemias conhecia muito bem a tradição de fé do seu povo. A oração de Ne 1.5-11 é a única reflexão teológica maior que se tem dele. No entanto, toda a sua atuação está orientada teologicamente. Sua linguagem é fortemente deuteronômica. A oração estava presente em todos os momentos (Ne 1.5ss; 2.4; 4.3).  Temos aqui uma oportunidade de aprendermos com Neemias princípios de liderança para neutralizarmos todas as estratégias dos inimigos da obra de Deus. A conspiração dos inimigos de Neemias buscava fundamentação em elementos históricos, políticos e sócias e por isso tentavam legitimar suas ações para conseguir o engajamento do povo e transformar o homem de Deus no vilão de história. Neemias não só recorreu a sua confiança em Deus, mas também soube articular uma contra-estratégia com o propósito de anular todas as investidas contra ele. Neemias não gastou muito tempo fazendo discursos sensacionalistas ou tratados teológicos prolixos visando levar o povo na conversa, não, de forma nenhuma, pois ele estava edificando e fazendo com que o resultado do seu trabalho falasse por si mesmo. A seriedade administrativa, a competência e o planejamento consistente, foram as grandes muralhas nas quais os inimigos de Neemias esbarraram. Vale lembrar que apesar de toda a astúcia e competência, Neemias deixa claro que o segredo do seu sucesso é oriundo da providência de Deus na vida dele. 

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

QUANDO A CRISE MOSTRA A SUA FACE – Lição 1


A existência humana é marcada por altos e baixos, isto é, por sucessos e fracassos. Na experiência da fé o sucesso individual ou coletivo está diretamente relacionado a capacidade humana em entender e submeter-se a vontade de Deus. No Salmo primeiro temos uma perfeita noção dessa realidade.  Em maior parte os momentos de crise vivenciados pelo povo de Deus, conforme registrado no Antigo Testamento através relato na história do povo Hebreu, ocorreram como resultado da desobediência e pecados cometidos pelo povo de Deus num contexto geral. Todavia, nem sempre as crises que homens e mulheres crentes enfrentam são geradas pelos seus próprios erros. Nesse contexto as crises se constituem em grandes oportunidades para testarmos a nossa própria determinação, a nossa capacidade de perseverarmos sem jamais aceitarmos a decretação miséria. Como nos diz salmista no Sl 20.8 “uns se encurvam e caem, mas nós levantamos e estamos de pé”.  Os que se encurvam são aqueles que desistem quando a crise apresenta a sua verdadeira face, perdem a esperança, entregam as armas e assumem a fatalidade da derrota.  A fé em Deus proporciona uma esperança ilimitada, e uma capacidade para se enxergar possibilidades além de qualquer previsão humana. Aquele que tem fé ainda que venha cair, mesmo assim encontrará forças para levantar e continuar de pé para enfrentar a crise com postura, integridade, fibra de caráter e esperança na certeza de que dias melhores hão de chegar. A nossa primeira lição do último trimestre/2011 traz uma abordagem sobre um desses momentos críticos vivido pela nação judaica alguns anos após o exílio babilônico. Tudo começa quando um hebreu chamado Neemias, provavelmente um descendente de uma família da nobreza judaica e também da linhagem davídica, que estava a serviço do Rei da Pérsia, Artaxerxes I, recebeu uma comitiva de Judeus oriundos de Jerusalém que lhe trouxeram notícias sobre a caótica e decadente situação em que se encontrava a cidade de Jerusalém.

CONTEXTO SOCIAL E POLÍTICO RELACIONADO COM O “PROJETO NEEMIAS”
Os dois primeiros capítulos do livro de Neemias introduzem o “projeto de Neemias” ; reedificar a cidade de Jerusalém (Ne 2.5). O texto de Ne 1-2  forma um pequeno bloco literário e de conteúdo coeso dentro do livro de Neemias. A maioria dos estudiosos entende que o texto é composto por duas partes perfeitamente relacionadas, cujo o tema principal é o estado e destruição de Jerusalém. Falar de programa de reconstrução de Jerusalém e reorganização de Judá não significa dizer que houve um programa com metas estabelecidas que se queria atingir; significa muito mais descrever o processo dentro do qual Judá foi sendo reorganizado. Ao que parece, esse processo foi deveras complicado. Não se pode esquecer também que o período entre a destruição de Jerusalém e a reconstrução de seu muro foi de quase um século e meio. É importante ficarmos cientes que no período exílico, Judá não era um “deserto populacional” como alguns pensam. Segundo algumas pesquisas, a população de Judá nesse período girava em torno de 180.000 habitantes. Conforme o Livro de Esdras, já no primeiro ano após a conquista da Babilônia (538 a. C.), Ciro autorizou o retorno dos exilados e a reconstrução do templo de Jerusalém. O ponto inicial para o processo da volta dos exilados foi a promulgação do Edito de Ciro, cuja a variante do texto aramaico se encontra em Ed 6.3-5. São mencionados vários grupos que retornaram do exílio. Ainda de acordo com estudioso Kreissig, na metade do V a. C. a população de Judá já contavam com aproximadamente 210.000 pessoas, correspondendo a uma densidade demográfica em torno de 130 habitantes por Km quadrado. A descrição do estado de Jerusalém por ocasião da chegada de Neemias parece evidenciar que a cidade e o templo foram restaurados em períodos diferentes, de modo que faz sentido encontrar diferentes tradições acerca de pessoas que reedificaram o templo (Ed 1 e 3). Os livros dos profetas Ageu, Zacarias e Malaquias parecem revelar que o interesse de reconstrução em Jerusalém, nas primeiras décadas, foi muito mais no âmbito particular. Isso a tal ponto que Ageu critica severamente tal comportamento: “Acaso é tempo de habitardes vós em casas apaineladas, enquanto esta casa permanece em ruínas?” (Ag 1.4). Quando Neemias chegou a Jerusalém em 445 a. C., ainda encontrou a cidade de Jerusalém em situação desoladora. Os muros estavam destruídos a cidade em situação desoladora. Os muros estavam destruídos e o portões queimados (Ne 1.1-13). Todavia, mesmo após a reconstrução dos muros, a cidade ainda estava quase desabitada (Ne 7.4). Tudo parece indicar que ela voltou a ter uma vida ordinária, mas que de certa forma Jerusalém ainda não havia se tornado um pólo próspero e atrativo até a metade do V século a.C.

Um pouco antes da atuação de Neemias, a dinastia aquemenida tinha estado envolvida com assassinatos na disputa pelo trono. Xerxes (486-465 a.C.) fora asssssinado em 465 a.C., quando assumiu seu filho, Artaxerxes I (465-424 a.C.). Para galgar o trono, ele teve que mandar eliminar os seus irmãos. Quando Neemias chegou a Jerusalém em 445 a. C., pobreza e penúria reinavam na cidade. A partir do livro do profeta Malaquias são conhecidos alguns males morais e cultuais da vida comunitária. Algumas pesquisas têm chegado a conclusão de que a indicação de Neemias para a reconstrução do muro foi favorecida por uma forte motivação política, tendo em vista a ocorrência de revoltas em algumas Satrapias, o império  buscava uma situação mais estável ou mais eficácia da administração persa em Judá. Talvez o rei achasse sensato reconstruir Jerusalém, a fim de ter um pequeno forte ao sul de Judá. Além do mais, era muito importante que na Judéia houvesse um súdito leal a ao rei, considerando-se as recentes rebeliões havidas.  A grande maioria dos estudiosos vincula a destruição mencionada em Ne 1.2-3, de uma outra maneira, com o relato de Ed. 4.23. Os acontecimentos narrados em Ed 4.7-23 devem ser datados nos primeiros anos do reinado de Artaxerxes I. Neste período os habitantes de Samaria e os funcionários persas de Samaria procuravam dificultar a reconstrução de Jerusalém, especialmente do muro. A partir de Ed. 4.23 e de Ne 1.1, Schneider entende que inclusive uma parte da cidade, que havia sido restaurada, foi novamente destruída com violência e fogo. Para ele, a situação relatada pelas pessoas que vieram de Judá é conseqüência do mais recente decreto de Artaxerxes I (Ed 4.17-23), que determinou a interrupção da obra de restauração de Jerusalém. Outros estudiosos  também concordam que a destruição relatada para Neemias deve ter tido lugar algum tempo após a missão de Esdras. 

A ORAÇÃO É O PRIMEIRO RECURSO DE NEEMIAS
Neemias estava vivendo em uma situação muito confortável e de muito status político e social. Na nossa compreensão, conforme os nossos padrões profissionais, a profissão de copeiro, ainda que fosse do presidente da república, nunca seria encarada como um alto posto nos dias atuais, porém, naquele contexto a situação era bem diferente. O copeiro o rei era uma pessoa de sua extrema confiança, pois, ele era o responsável para impedir que o rei viesse a ser envenenado, participava de grande parte da privacidade do rei e muitas vezes se tornava confidente dele, o que nos parece ter sido o caso de Neemias.  O fato de Artaxerxes questionar Neemias sobre a angustia que ele expressava por meio do semblante, demonstra que o rei tinha uma certa afinidade por ele, pois, geralmente os reis persas se mostravam indiferentes aos problemas sentimentais dos seus súditos e não costumavam misturar problemas pessoais com profissionais. A função de copeiro rei era tão importante, que alguns deles, muitas vezes exerciam paralelamente a essa função, altos cargos na administração pública, a semelhança de um ministro de estado. A abertura da oração de Neemias tem um paralelo com Dn 9.4.  A linguagem deuteronomista perpassa toda a oração. Ela indica que Neemias era bem versado nessa linguagem e um estudioso das Escrituras, do contrário não poderia usar o AT tão livremente, como se pode perceber também em outras partes do livro (Ne 13.10,12,15). Neemias introduz a oração, não para comprovar sua piedade, mas para levar à presença  de Deus toda problemática da qual tomou conhecimento. Neemias expressa sua fé quando recorre à oração. Ele reconhece que Deus é “grande e temível”, único e universal, é o Deus dos céus”. Todavia, o Deus que terá misericórdia dos que estiverem prontos ao arrependimento. Neemias se atém, assim, á promessa de que Deus é fiel àqueles que permanecem fiéis ao Senhor e mantém a sua aliança. É na lembrança dessa promessa que Neemias baseia sua esperança: Deus ouvirá sua oração. Miséria e exílio são conseqüência da ira divina. Neemias invoca Deus, pedindo sua atenção (v.6) e apresentando-lhe a confissão de pecados, dos seus próprios e dos seus irmãos (VV. 6-7). No reconhecimento de que a pessoa só pode estar diante de Deus depois de confessar sua culpa, o primeiro conteúdo concreto da oração é a confissão de culpa. A auto-inclusão de Neemias nessa confissão demonstra sua honestidade. Após a confissão de pecados, segue-se o pedido de fato: Deus havia anunciado o exílio como castigo para a quebra da fidelidade, mas também havia prometido salvação aos arrependidos (Dt 30.1-5). Neemias está apelando para a promessa de Javé. O apelo de Neemias é um apelo à misericórdia de Deus. A situação de Judá mostra que Deus cumpriu sua palavra, quando disse que puniria o povo se este persistisse no pecado. Neemias vê essa condição calamitosa de Judá como indicação do poder de Deus (Jr 18.6). Dessa forma, ele defende que Deus é igualmente capaz para restaurar a sorte de Judá, desde que haja sinais de arrependimento. No final da oração, Neemias volta a invocação inicial de que Javé lhe ouça a oração, mas agora com um aspecto muito concreto: que ele, Neemias, encontre um ouvido aberto da parte do rei. O pedido de que “seja bem-sucedido hoje o teu servo” (v.10) deve se referir aos planos de Neemias de reconstruir  Jerusalém; que Neemias tenha sucesso no seu arrependimento de pedir ao rei que lhe dê autorização para reedificar Jerusalém. Neemias sabe muito bem que sua vida estará nas mãos do rei quando fizer o pedido. Fazer tal pedido diante do rei poderia ser altamente perigoso, mesmo para alguém que era protegido por ele, pois Artaxerxes I poderia entender o pedido de Neemias como uma afronta. Sabe-se que os reis do Antigo Oriente eram muito temperamentais, e suas reações muito imprevisíveis. O livro de Ester mostra que,afinal, é sempre um risco de vida chegar diante do rei (Et 4.11-16). Mas Neemias sabe que Deus é soberano, Senhor da história. E assim, nesse contexto da oração, ele pode usar a expressão “este homem” para designar o rei. Esta expressão não é tão anormal se se considerar que ela está sendo usada em oração diante de Deus, perante o qual o rei não passa de uma pessoa qualquer que também pode ser conduzida pela vontade de Deus.Por isso, a última decisão final será dada pelo Senhor da História!



quinta-feira, 22 de setembro de 2011

A PLENITUDE DO REINO DE DEUS – Lição 13


Os temas relacionados com a escatologia bíblica são, sem sombras de dúvidas, os que mais apresentam dificuldades para a maioria dos ramos do cristianismo. Talvez seja porque a disciplina da escatologia é para os crentes como a matemática é para a maioria dos estudantes secundaristas. Devido a essa fama de “tema complicado”, a maioria dos cristãos têm demonstrado muito interesse para estudar esse assunto. Porém, vamos abordá-lo conforme nos impulsiona o tema referente a plenitude do Reino de Deus. Através da história do cristianismo foram muitos os momentos em que algum profeta apareceu para anunciar o final dos tempos. Pelo fim do ano 1000 também se esperava o fim do mundo, isto em razão de uma interpretação errada do trecho simbólico do Ap 20.1-10, mas também por causa  da decadência do Ocidente: século de ferro (900-1000), famílias ducais de Roma lutavam pelo papado. Os próprios judeus esperavam que a vinda do Reino fosse espetacular. Pegar-se-ia em armas para vencer o inimigo romano e Israel reinaria. Estrelas cairiam do céu, segundo a esperança apocalíptica.  A Palavra do Senhor não fornece nenhuma base para que sejam estabelecidas datas para o fim do mundo, pelo contrário, Jesus diz que ninguém sabe o dia, nem o Filho do Homem (Mt 24.42; Mc 13.32). A Bíblia condena, pois, a inclinação humana de determinar o dia em que o mundo findará. Também evita as descrições fantásticas comumente em uso. A sua descrição é sumamente moderada, em comparação com a visão apocalíptica de seu tempo. Toda a sua mensagem está concentrada no próprio fato de que Deus reinará. Vejamos o que nos diz Jesus sobre isso: Mt 24.29...Lc 21.25: “Logo após esses dias de tribulação, o sol se escurecerá, a lua não dará mais sua claridade, os astros cairão do céu, os poderes do céu serão abalados. Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem”. Como entender isso? Devemos ver isso como um gênero literário. Perturbação nos astros, disso já os profetas do AT falavam. Assim, Isaías descrevendo a queda da Babilônia fala das estrelas, do sol e da lua que não difundem mais o seu brilho (Is 13.9). A ruína de Israel é anunciada em termos semelhantes (o sol se porá ao meio-dia e a terra será recoberta de trevas);  e de Edom também (Is 34.4), como a do Egito (Ex 32.7) e os fenômenos são por sua vez preditos em Sofonias 1.14. Os autores bíblicos tinham um prazer em associar a natureza aos acontecimentos humanos; como cordeiros (Sl 113.4). É claro que aqui temos um sentido puramente metafórico e por que não o teria também em referência ao fim do mundo? Pedro (II Pe 3.7) diz que os céus e a terra que agora existem são reservados para o fogo no dia do juízo e da perdição dos ímpios”. Será este mundo destruído? Uma destruição por meio da bomba atômica e a de hidrogênio provocaria fenômenos semelhantes aos citados pelo apóstolo Pedro. O sol perde a sua energia, os pólos também degelam. No contexto da filosofia grega também existiam referências a destruição do mundo pelo fogo. Todavia, o mesmo Pedro que fala da destruição do mundo pelo fogo, também se refere a novos céus e nova terra (II Pe 3.13; Ap 21.1). Nessa perspectiva será mais coerente dizer que o mundo físico será transformado. Os seguidores do teólogo Orígenes, que diziam que o mundo corpóreo seria totalmente destruído subsistindo apenas puros espíritos, foram condenados pelo sínodo de Constantinopla (543 d.C). Na idade Média também havia gente que defendia a destruição total, como João Escoto Eriúgena e vários outros estudiosos afamados. Portanto, como compreender este novo céu e nova terra?  Embasado nas Escrituras podemos dizer que os redimidos pelo sangue do Cordeiro, os quais constituem agora o verdadeiro povo de Deus, em estado de glorificação, estão aptos para reinar com o Senhor Jesus, Paulo nos diz: “Se sofrermos, também com ele reinaremos; se o negarmos, também ele nos negará;” II Tm 2.12. Algumas pessoas as vezes indagam sobre como será o ambiente depois da consumação, e então perguntam: “ existirá flora, fauna? O teólogo Tomás de Aquino nega simplesmente a existência de animais, plantas e corpos inanimados mistos, pois nada deles é incorruptível. Porém muitos autores modernos admitem tudo isso, pois isto concorre para ornamentar a natureza e deleitar os homens. Mas em geral os teólogos são muito reservados sobre isso.


CONSUMAÇÃO


Quando Jesus veio na plenitude dos tempos trouxe redenção para a própria natureza. os milagres não são intervenções de Deus pelas quais Ele perturba a ordem da natureza. Não eram também evidência da divindade de Cristo. Jesus Cristo nunca os fez para provar tal coisa. Os milagres são o sinal da presença do Reino em nosso meio. Não são o inesperado mais sim o esperado do Reino de Deus. Com a presença de Jesus a mente e o corpo do homem ficam sãos. Não há lugar para doenças no Reino de Deus. Os mortos são ressuscitados. Não há lugar para a morte no Reino de Deus. A tempestade é acalmada. Não há lugar para violência física no Reino de Deus. Jesus diz: O Reino está no meio de vós. Isto não quer dizer que há uma semente lançada em nossos corações. Isso é pietismo e individualismo. O Reino de Deus é objetivo e presente em Jesus Cristo. Quando olhamos para o fim à luz de Cristo começamos a perceber a filosofia da história de Paulo em Rm 8. O fim, de que fala o NT é o ajuntamento de céus e terra. Ap 21.22 "A habitação de Deus está com os homens. Com isto finda-se a ruptura entre céus e terra e a natureza é redimida da maldição. A Bíblia não nos fala só de Novo Céu. A Escatologia também não se refere apenas a morrer e ir para os céus. A Escatologia tem uma perspectiva horizontal. Esperamos a redenção da natureza e da terra. Por vezes o nosso pensamento está mais próximo do romanismo do que da Bíblia. Pensamos que a terra é apenas o palco onde se desenvolve o drama da alma. A terra é suja. O corpo é carnal e seu destino é o pó. A única coisa importante é a alma e o seu fortalecimento. Assim, quando o drama da salvação terminar tudo o que está acontecendo na terra não terá significação. Os céus ficarão e a terra será destruída numa conflagração gigante. Daí a história e a vida não ter significação. A única coisa que permanecerá será a eternidade celestial. Mas a Bíblia não pensa assim do Tempo, História e Eternidade. No decorrer da História o propósito de Deus está sendo levado a cabo. Aqui e agora o todo da natureza aguarda a consumação final. A ressurreição do corpo significa, pois, que também todo o contexto de nossa vida e da natureza será restaurado. Da criação de Deus nada se perde. Todas as novas esperanças e empreendimentos no fim se realizarão e terão significação porque serão eternizadas e permanecerão na presença de Deus. 


A IGREJA NO REINO ETERNO


O estado eterno do crente é vida através e com o Senhor Jesus Cristo: "E o testemunho é este, que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que tem o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho não tem a vida" (I Jo 5.11,12). A vida eterna não é simplesmente a existência eterna; todos os homens, justos e injustos, existirão eternamente. A vida eterna não se refere apenas à duração da vida, mas a sua qualidade. O cristão tem a vida de Cristo (Gl 1.20), porque possui Cristo em seu íntimo (Cl 1.27). A vida em Cristo é um bem presente do cristão, assim como sua esperança futura. Ela é chamada de estado futuro do crente apenas no sentido de que na volta de Cristo a vida eterna não mais será tirada (I Jo 3.2; Ap 2.10). No paraíso, reinando com Cristo em seu reino milenar, ou habitando a Nova Jerusalém, o crente permanecerá na presença de Jesus na casa do Pai. A vida na casa do Pai é assegurada pela promessa de Cristo de preparar um lugar para nós ali (Jo 14.2,3); a preparação que nos concedeu um lugar foi a obra expiatória de Cristo na cruz do Calvário. A morada eterna do crente será no eterno reino do nosso Deus. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

A INTEGRIDADE DA DOUTRINA CRISTÃ – Lição 12


A preservação dos ensinos dados pelo Senhor Jesus se constituiu na maior preocupação dos apóstolos e demais lideranças da igreja primitiva. Podemos afirmar com segurança que “Perseverança” é o vocábulo que melhor define a postura dos primeiros cristãos. O livro de Atos dos Apóstolos nos proporciona testemunhos muito importantes que nos revelam o empenho dos discípulos para a transmissão “Querigmática” do Evangelho se processasse de forma que fosse mantida a integridade de toda verdade ensinada por Jesus, Paulo, Pedro, Tiago e todas demais lideranças instituídas pelo Espírito Santo para desenvolver a teologia cristã. A conceituação do termo “doutrina” pode ser muito simples, tendo em vista que esse termo pode ser definido simplesmente como “ensino”.  A base e o corpo da doutrina cristã está contida na Bíblia, que o registro da revelação divina. A reflexão humana através da história sobre a revelação neo-testamentaria que foi dada aos primeiros, deu origem a que denominamos de “Teologia”, e essa teologia com o passar do tempo foi adquirindo vários desdobramentos com as mais diversas nomenclaturas, porém, se resume num grande dos homens para apresentarem explicações mais amplas, profundas e aplicáveis na existência dos seres humanos. Esses empreendimentos da teologia nem sempre foram produtivos no sentido de contribuírem para a preservação da integridade da doutrina cristão, pelo contrário, muitos movimentos teológicos têm caminhado na “contra mão” da verdade cristã, e assim tais supostas “teologias” apenas tem servido para realizar uma descontrução da verdade. Nesse aspecto devo apenas mencionar a teologia liberal, cujos os postulados baseavam-se apenas em conceitos filosóficos e humanistas, com o propósito de reformular a fé cristã em harmonia com o iluminismo, e a das perspectivas do iluminismo. Imbuídos desse intento desferiram terríveis ataques contra as doutrinas ortodoxas, isto é, a doutrina cristã que tinha as suas raízes nos ensinos de Jesus e dos apóstolos. Essa corrente de pensamento foi mais ofensiva do qualquer outra heresia, inclusive as que foram combatidas pelos famosos pais da igreja, entre Tertuliano, Irineu, Eusébio, Atanásio e outros tantos. Entre tais heresias podemos citar o Gnosticismo, o Donatismo, o Arianismo, Unitarismo e assim por diante. Entre os principais teólogos liberais percebe-se um projeto deliberado para desfazer da integridade da doutrina cristã, até então crida e vivenciada por todos os cristãos de diversas gerações. Considerado o pai do liberalismo teólogico, Schleiermacher foi o pioneiro para a reconstrução da teologia mediante o uso de uma base filosófica articulada. Para Schleiermacher a fé e a redenção do Ser depende fundamentalmente de um "sentimento", o qual leva o homem a viver uma vida de total dependência de Deus. Nesse raciocínio o fundamento da fé já não se acha naquilo que Deus diz (a revelação divina) nem naquilo que o homem experimenta. A partir desse critério filosófico todas as doutrina cristãs são reformuladas, ou porque não dizer, eliminadas. Shleiermacher se distanciou tanto das afirmações bíblicas que foi considerado "panteísta" pela maioria dos estudiosos dessa teologia. O panteísmo é a crença que diverge do monoteísmo bíblico e ortodoxo, de um Deus único e pessoal, pois os panteístas acreditam que "tudo é Deus, e Deus é tudo", não distinguindo o Criador da coisa criada. Outro exemplo de atentado contra a integridade da doutrina cristã pode ser visto na obra do teólogo alemão Rudolf Bultmann, pois o mesmo é conhecido pela sua famosa teoria da "Desmitologização". Segundo esse teólogo a doutrina cristã precisava ser reelaborada, pois a linguagem mitológica da Bíblia estabelecia grandes obstáculos para que a mensagem cristã fosse acatada pela mente racional de um homem  havia avançado no conhecimento científico e filosófico. Por isso, Bultumann vai propagar que tudo na bíblia que contrariar a razão humana poderá ser reinterpretado por meio do método da "desmitologização", isto é, tudo que ultrapassar os limites da razão se dá fato da presença dos elementos mitológicos do texto que apenas uma relação com as crenças e lendas dos povos antigos. Por outro lado outros movimentos se levantaram para conter o ímpeto liberal, e assim evitar uma total descaracterização da doutrina cristã. Além da forte resistência da ortodoxia evangélica temos a importante participação dos chamados teólogos "neo-liberais", os quais mesmo divergindo de alguns pontos da ortodoxia não podiam permitir que tais pensadores tratassem a Palavra de Deus como se fosse apenas uma filosofia diferenciada, e não a revelação  vinda direta do Eterno Deus. Entre os teólogos neo-ortdoxos está Karl Barth, o qual foi de inestimável importância para impedir que as reformulações dos liberais viessem a suplantar a teologia cristã ortodoxa na base de fé que entende que a Bíblia é palavra Deus revelada e na mesma não existem equívocos de qualquer natureza. Apesar de ter uma elaboração teológica com algumas nuances que não se harmonizam com a teologia ortodoxa, Barth ficou conhecido como "O Teólogo da Palavra", pois a teologia dele supervaloriza a Palavra do Senhor e em todos os momentos denfende-a com a plena revelação de Deus. Para Barth uma teologia que não está centrada na Palavra de Deus, não passa de um discurso vazio e sem sentido.

DESVIOS DA DOUTRINA DE DEUS

Na medida em que a doutrina ortodoxa de Deus e da Trindade sofria erosão na teologia liberal, novos esforços foram feitos para reformular a doutrina de Deus. A teologia liberal realmente teve como ponto de partida o panteismo na teologia de Schleiermacher. Mas este não poderia ser o lugar  de descanso final da doutrina de Deus sustentada pelos liberais. A fim de ressaltar a imanência de Deus, sem porém, cair no panteísmo, o liberalismo falava do panteísmo , "Deus em todas as coisas". Isto salvaguardaria a doutrina da imanência divina (a presença de Deus no mundo) que era tão importante para o liberalismo religioso, e, porém, segundo se esperava, salvá-la-ia de um panteísmo que seria fatal para a teologia cristã. Um segundo desvio muito importante para longe do modo histórico de entender a doutrina de Deus foi o impacto da teologia ética sobre a teologia cristã. Foi o filosófo Kant que realmente introduziu o conceito da teologia ética, e este conceito recebeu um grande apoio do filósofo Johann Fichte (1762-1814), um seguidor fiel de Kant. O resultado foi uma sentimentalização do conceito de Deus. Deus o Pai celestial é também um Deus de moral sentimental. Um Deus assim não poderia castigar severamente os maus nesta vida; nem sequer era segundo a ética para Jesus carregar sobre Sí os pecados e o julgamento em prol do mundo; nem era segundo a ética castigar os homens para sempre no inferno. Logo, quando a teologia liberal ficou sendo tão preocupada eticamente, e tão sentimental na sua doutrina da paternidade de Deus, foi subvertida toda a severidade e fibra moral do modo histórico e ortodoxo de entender a Deus. O unitarismo tem tido uma longa história no cristianismo e era conhecido na igreja primitiva como o monarquismo. No século XIX tinha um defensor articulado na Grã-Betanha na pessoa do famoso estudioso, James Matineu (1815-1900). Nos Estados Unidos, a negação do trinitarismo teve suas raízes no racionalismo dos anos 1700, e emergiu como denominação nos anos 1800. Foi um abalo para o unitarismo quando um dos seus maiores defensores, T.S. Eliot, virou as costas ao unitarismo por causa da sua impotência espiritual e sua esterilidade teológica, e voltou-se para a ortodoxia anglicana. 

terça-feira, 6 de setembro de 2011

A INFLUÊNCIA CULTURAL DA IGREJA - Lição 11

O que é cultura?

A definição de cultura não é tão simples como parece. Os antropólogos já criaram mais de trezentas definições. O conceito mais básico de cultura é relativo ao jeito próprio de as pessoas enfrentarem suas atividades cotidianas e perceberem o mundo em que vivem. "Este conceito refere-se a coisas muito concretas, como a forma de dormir, levantar-se, comer, beber, trabalhar, brincar, lutar, expressar amor, casar-se, criar e educar os filhos, adoecer, morrer, etc. Existem, por exemplo, várias maneiras de dormir. Nem todos dormem do mesmo jeito, usando cama, colchão e lençóis. Em muitas comunidades do interior, dorme-se no chão ou numa plataforma de barro com pelegos de carneiro. Na selva, como também em várias regiões do continente, usam-se rede e estrados de madeira". Os hábitos de higiene pessoal diferem muito de país para país. Sabe-se que os franceses não são muito achegados ao banho diário. Para disfarçarem os maus adores desenvolveram a maior indústria de perfumaria do mundo. Nós, brasileiros, nos
banhamos todos os dias; em alguns lugares, devido ao excessivo calor, várias vezes ao dia. Já os escandinavos banham-se em saunas. Nos climas frios nórdicos pouco se transpira, e a sauna produz artificialmente um ambiente em que os poros se dilatam e o suor limpa a pele de bactérias mortas. Edward Taylor, antropólogo norte-americano, assim definiu a cultura: Cultura, tomada em seu amplo sentido etnográfico, é o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes, ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. Examinando os primeiros relatos históricos das civilizações mais antigas, observamos que as sociedades transformavam em arte o que primeiramente haviam criado apenas para atender suas necessidades mais básicas. Além de caçar, os povos primevos buscavam desenhar suas aventuras nas paredes das cavernas. Os potes de barro, inicialmente usados apenas para conter alimentos e  cozinhá-los ao fogo, passaram também a receber adornos. O mesmo processo aconteceu com as roupas. Desde os tempos mais remotos, há nítida demonstração de que as roupas não eram usadas apenas para cobrir e proteger o corpo. Elas adquiriram valores artísticos e estéticos, expressando a criatividade própria das pessoas e de uma determinada sociedade. O clima, na maioria das vezes, pode determinar não apenas o tipo, mas também as cores e até o material usado na Confecção de roupas. Nos ambientes frios, as roupas não só escondem o corpo completamente, como adquirem cores pretas e cinzentas, por serem as que melhor conservam as pessoas  aquecidas. Nos climas tropicais, com fartura de sol, as Vestimentas são brancas ou muito coloridas, além de
possuírem tecidos bem leves. A moda escocesa dos homens se vestirem com saias de lã e grossas meias só tem sentido no clima do norte da Europa. O deserto árido e seco obriga os árabes a se vestirem com grandes blusões de algodão branco; já o clima tropical e úmido da Amazônia leva os índios a andarem nus. Os vaqueiros nordestinos usam gibões de couro, mesmo vivendo sob o sol causticante das caatingas, porque necessitam proteger-se dos garranchos espinhosos da mata. As mulheres bolivianas, de forma igualmente peculiar, vestem-se com várias camadas de roupas para se defenderem do frio andino. Não se pode atrelar qualquer valor moral a essas diferenças; as pessoas não optaram por se vestir de certa maneira em razão de ser moralmente depravadas ou mais santas que outras. Pode-se concluir, deste modo, que a topografia e a vegetação são os fatores que exigem a utilização dos mais diversificados tipos de vestes. Uma sociedade que veste pouca roupa, ou até nenhuma, não sente vergonha de viver assim e não compreende porque outros povos (de clima frio) precisam usar tanta roupa. Quando um europeu observa um africano trajando roupas tão coloridas, ele também acha estranho. No Nordeste brasileiro é muito comum homens calçarem sandálias. Já estive em congressos em que alguns pastores compareceram às reuniões com uma chinela de couro. Esse comportamento seria totalmente inaceitável num congresso de pastores nos Estados Unidos. E. A. Nida, em seu livro de antropologia missionária  Costumes e Cultura,  mostra porque é importante saber respeitar as diferenças culturais no cumprimento do mandato missionário. ...estudos contemporâneos sobre os costumes e os valores estéticos e morais dos tipos de roupas têm concluído que o uso de pouca roupa por parte de certos povos pouco tem a ver com a moralidade de uma sociedade. O que afeta a moralidade de uma sociedade é o desobedecer às leis que determinam quais as roupas que podem e devem ser usadas dentro daquela sociedade. Isso significa que a moralidade de um povo não pode ser medida segundo as leis de nossa sociedade, mas sim, pelas leis particulares de cada sociedade em si. A própria origem da palavra "roupa" fornece algumas pistas  para a compreensão de seu valor cultural. A  Enciclopédia Mirador  mostra que este vocábulo advém do século XII. "De origem portuguesa, 'roba' procede do vocábulo germânico 'rauba', que significa 'saquear, roubar com violência'." Possivelmente as roupas, como despojo de guerra, valorizavam o guerreiro vencedor. As civilizações, portanto, criam roupas e adornos específicos de acordo com os seus parâmetros próprios. Estes, por sua vez,  são consoantes às suas próprias convenções sociais e podem ou não ser apropriados em outras culturas. Há roupas e adornos característicos dos anciãos e das crianças que podem ter relevância numa cultura, mas não significar nada em outra.  Em determinadas tribos, os guerreiros se adornam para uma batalha pintando os olhos com uma cor, enquanto noutras o ornamento de guerra é alguma pele de animal selvagem. No Brasil, por exemplo, os militares possuem diversos tipos de vestes, uma para cada ocasião específica. As noivas, em virtude  da cerimônia do casamento, também se vestem de maneira diferenciada; nossa cultura aceita que uma mulher se case de branco, com grinalda, véu e muito bordado. Porém, se uma mulher se vestir com roupa de noiva e for a uma cerimônia fúnebre, as pessoas certamente irão considerá-la louca, pois, segundo nossos costumes, seu procedimento seria impróprio. Há roupas específicas, inclusive para os sacerdotes. Desde as religiões pagãs da Babilônia, Pérsia, Grécia até as dos índios mais primitivos, criaram-se roupas sagradas para uso exclusivo dos sacerdotes. Na cultura judaica, a indumentária dos sacerdotes foi meticulosamente detalhada no Pentateuco. Em Êxodo 28:1-6, Deus forneceu uma minuciosa descrição de como o sacerdote deveria trajar-se. O próprio texto fornece o objetivo de se usar roupas tão distintas das que usariam os demais judeus: Faze também vir para junto de ti Arão, teu irmão, e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me oficiarem como sacerdotes, a saber, Arão, e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Farás vestes sagradas para Arão, teu irmão, para glória e ornamento. Falarás também a todos os homens hábeis, a quem enchi do espírito de sabedoria, que façam vestes para Arão, para consagrá-lo; para que me ministre o ofício sacerdotal. As vestes, pois, que farão são estas: um peitoral, uma estola sacerdotal, uma sobrepeliz, uma túnica bordada, mitra e cinto. Farão vestes sagradas para Arão, teu irmão, e para seus filhos, para me oficiarem como sacerdotes. Tomarão ouro, estofo azul, púrpura, carmesim e linho fino... retorcido, obra esmerada, (grifos do autor). A Igreja medieval tentou imitar o Antigo Testamento e vestiu seus padres com vários tipos de vestes clericais. Havia, também, vestes sacerdotais que distinguiam as hierarquias: o papa, os cardeais, bispos e padres. Na Reforma Protestante, no século XVI, Lutero não reformou a liturgia tão profundamente, de sorte que muitos pastores luteranos continuaram basicamente com os  mesmos paramentos clericais. Calvino, por sua vez, entendendo que a função do sacerdote não era mais sacramentai, resolveu vestir os pastores com as roupas dos juizes. As togas dos pastores deveriam mostrar à congregação que as funções do homem de Deus no púlpito eram de, à semelhança do que faz um juiz com as leis, interpretar e explicar a Bíblia. Até para expressar luto, cada sociedade adota um tipo de traje. No Brasil, devido à influência católica luso-italiana, veste-se de preto para indicar a dor da morte. Alguns anos atrás, exigia-se que as viúvas trajassem roupas negras e fechadas durante um ano; aquelas que violassem esse código social seriam consideradas levianas. Já em Israel, para expressar luto, as pessoas vestiam-se com roupas de saco e sentavam-se em cinzas. Na Índia, as mulheres quando choram os seus mortos trajam-se de branco. Em Israel a cor roxa significava realeza;  mas, no Brasil, durante anos essa foi a cordas casas mortuárias. A cultura é semelhantemente responsável, em qualquer sociedade, pelos códigos comportamentais das pessoas. Criam-se regras  que valem apenas em determinado círculo social. Dessa forma, fica impróprio um ancião vestir-se com as roupas de uma criança, assim como um guerreiro trajar-se do mesmo modo como se casou. Para sabermos se um homem está vestido com roupas de mulher, precisamos ter conhecimento de como a cultura em que ele está inserido determinou o que um homem e uma mulher devem vestir. No ocidente, um homem trajar-se com um camisolão pode significar que ele queira travestir-se de mulher; na palestina, contudo, será identificada apenas a sua tribo. Os cabelos longos e brancos podem representar experiência, daí os juizes europeus usarem perucas quando entram nas cortes. O cabelo raspado é um costume típico dos monges budistas, enquanto os judeus mais devotos não cortam as franjas laterais de seus cabelos.Sendo assim, de acordo com as próprias regras de uma demarcada sociedade, uma vestimenta pode ou não carregar valores morais. E. A. Nida exemplifica: ...uma certa tribo indígena brasileira determina que as mulheres devem usar como roupa um cordão em volta da cintura com outro amarrado na direção oposta. Como brasileiros que so-mos, achamos que isso é muito pouco para cobrir a nudez de uma mulher. Mas dentro daquela sociedade, isso é suficiente. E não é imoral. Os homens não se sentem perturbados por causa daquele cordão apenas. Mas, se uma daquelas mulheres sair para o trabalho sem o cordão, ela estará cometendo um ato grandemente imoral. As roupas nas culturas portuguesa e brasileira. Posso recordar vividamente de um congresso do qual participei como preletor. Eu havia falado na noite anterior e interessei-me muito em ouvir o preletor daquela noite. Ele também desenvolveria o tema do congresso: Santidade ao Senhor. Considerado como um dos bons pregadores da nova geração dos avivalistas brasileiros, interessei-me por ouvi-lo. Porém, bastaram alguns minutos para que eu percebesse o rumo que ele daria ao seu sermão. Exemplificando com a vida da sua jovem esposa que nunca tocara seus cabelos com uma tesoura e jamais havia vestido uma calça esporte, ele redargüiu aos jovens: "Devemos ser santos." A ala conservadora da igreja gritava glória a Deus, mas o meu coração chorou de tristeza. Saí da reunião lamentando o futuro da igreja. Antes de querer agradar os mais conservadores, ele deveria discernir o poder que a cultura exerce sobre nossos comportamentos e saber que nossas raízes portuguesas, indígenas e africanas não são mais pecadoras ou santas que as de qualquer outra nação. Os brasileiros falam, comem, vestem-se e agem de acordo com a cultura brasileira. Tomemos, por exemplo, nosso idioma. Quem já foi a Portugal sabe que o português que falamos aqui é diferente do de lá. Nossa língua sofreu influências aqui que nos levaram a falar diferente de nossos antepassados lusitanos. Os negros africanos nos ensinaram um jeito mais manso, carinhoso de falar. Quando queremos saber de uma criança se um ferimento está doendo, não perguntamos secamente: dói muito? Perguntamos: está dodói? Repetindo a palavra duas vezes, suavizamos o seu sentido e nos comunicamos com ternura. Isso é muito brasileiro. Nossa cozinha também tem um sabor singular. No Nordeste e Norte do Brasil, nossos cardápios têm muita influência indígena. A farinha, a rapadura, a carne-seca vêm da mesa dos nativos. Já na Bahia e em Minhas Gerais, há muito da cultura africana nos pratos. O azeite de dendê, as frituras são dos nossos pais africanos. Já no sul do país, os churrascos têm muita influência dos pampas e da cultura européia que imigrou para o nosso país. Na cultura portuguesa as roupas adquiriram seus valores pela fortíssima influência católica. Durante anos os portugueses trajaram-se de forma bem conservadora. Há pouco mais de cem anos, as mulheres não podiam mostrar o tornozelo, então considerado muito sensual; cobriam-se completamente com saias, anáguas, meias grossas e mangas longas. Os homens trajavam-se de calças compridas (somente crianças vestiam-se de calças curtas), com austeros casacos, fraques e coletes. Enquanto os ingleses, ao viajarem para os países tropicais, vestiam-se de bermudas, os portugueses mantinham-se fiéis ás tradições de se trajarem com roupas que eles mesmos consideravam recatadas. Mas, mesmo mantendo-se conservadores quanto aos seus costumes e tradições, os portugueses sabiam que há roupas neutras, as quais, por não designarem o sexo a que se destinam, podem ser usadas tanto por homens como mulheres (chinelas, blusas, camisetas). Tanto um homem como uma mulher podem calçar chinelas de dedo (tipo japonesa ou havaiana) sem experimentarem constrangimento; todavia, convencionou-se que as sandálias com qualquer tipo de salto são sempre femininas. Nenhum homem sente-se bem ao calçar uma sandália que possua salto alto. Há detalhes que muitas vezes passam até despercebidos: a cultura portuguesa convencionou que as blusas masculinas devem ser fechadas com botões no sentido da esquerda para a direita, ao passo que as blusas femininas devem ser abotoadas no sentido inverso. A cultura brasileira adotou muitos padrões comportamentais do catolicismo português. Os homens, mesmo num clima tórrido, continuam vestindo-se com paletós; as calças curtas ainda significam trajes  infantis, e as mulheres seguem identificando nas longas saias sua feminilidade. Mas a cultura não é estática, ela muda com o passar dos anos. Os brasileiros, depois, passaram a imitar a moda francesa, que na virada do século era o que havia de mais moderno. Após a Segunda Guerra Mundial, entretanto, os americanos passaram a dar o novo tom das vestimentas. O mais típico exemplo são as calças jeans. Desde o século passado, o índigo tem servido para confeccionar as roupas dos trabalhadores rurais da América do Norte. Contudo, elas só se popularizaram como uma vestimenta resistente nos anos cinqüenta, ganhando, a partir daí, o mundo inteiro; tornaram-se as vestimentas globais. Mas por mais forte que tenham sido as influências européia e americana, há um resto de índio e africano em todos nós. Será essa a razão por que temos uma forte inclinação para nos vestir com poucas roupas? Além do calor, esse resquício indígena nos leva a chegar em casa e tirar as roupas pesadas e sóbrias. Procuramos camisetas largas, calções frouxos. Queremos nos sentir mais à vontade. Será que nossos antecedentes africanos não surgem, vez por outra, em nossa indumentária colorida? Essa queda que o brasileiro tem pelo colorido não vem de berço? (Livro "É proibido" Ricardo Godim.

A CULTURA EVANGÉLICA
No meu entender a cultura evangélica é a mesma da comunidade na qual essa ou aquela denominação está inserida. A postura extremamente dogmática de alguns grupos evangélicos têm proporcionado o surgimento não de uma cultura evangélica, mas de uma atitude que expressa algo que podemos denominar de contra-cultura. Isto se configura no fato de que a imposição de certos costumes por parte de algumas igrejas, os quais são justificados sob o pretexto de "Aparthaid evangélico" do mundo profano. Todavia, essa estratégia não sido eficaz  para promover o desenvolvimento espiritual de tais igrejas, como muitos têm pensado. O rigor dos usos e costumes em muitas situações tem sido algo que beira ao ridículo, pois adeptos dessas igrejas seguem tais costumes de forma tão obcecada, que para eles a obediência a tais normas torna-se o fundamento da própria fé. A ênfase a essas práticas na verdade tem promovido a expansão da religião legalista, a qual se proclama   "dona da verdade" e com prepotência condena e demoniza tudo que não for idealizado a partir do seu universo do "sagrado". Dicotomiza a vida em dois planos o "sagrado" e o "profano" (conforme suas próprias concepções), dessa forma confunde manifestações culturais com manifestações espirituais. Precisamos discernimento para tratarmos com elementos de uma cultura, pois neles, certamente estão presentes os maiores sentimentos e anseios dos indivíduos. Uma leitura adequada das culturas nos permitirá desenvolver uma antropologia eficiente que nos dará um conhecimento mais profícuo do Ser humano, o qual é o grande alvo da nossa missão. Desprezando a cultura dos homens estará provocando um distanciamento dos mesmos. Em alguns meios sociais ainda predomina o "Estereotipo" de que todo evangélico é uma pessoa ingênua. Existe uma música que procura expressar essa realidade, por meio do seguinte refrão "Eu sou crente, mas não sou besta não!", isso parece cômico, porém, se encaixa perfeitamente em alguns contextos, pois, o tratamento inadequado dado por alguns evangélicos as questões culturais, fez com que muitas pessoas passassem a julgar  os evangélicos como fanáticos religiosos e indivíduos alienados no âmbito socio-cultural. 

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

A ATUAÇÃO SOCIAL DA IGREJA - Lição 10



Gostaria de fazer parte de uma igreja com mais presença no campo do social, porém, não podemos negar que a igreja protestante no Brasil tem uma grande dívida para com a sociedade. Temos no Brasil diversos grupos protestantes que são detentores de um alto poder econômico, todavia, muito pouco desses recursos são investidos em obras sociais de notoriedade. Isso acontece porque existe uma preocupação transparente entre a maioria das denominações e ministérios nesse pais, a qual se traduz numa competição entre as grandes igrejas evangélicas que buscam tão somente a glorificação dos seus próprios sistemas, por meio de construções exuberantes, a conquista do status político com a eleição de candidatos que possam arvorar a bandeira da denominação e também uma corrida desenfreada pela apropriação dos espaços midiáticos, isto é, a compra de estações de rádios, canais de televisão, poderosos sites na internet que sejam eficazes na promoção denominacional e também a própria imagem das lideranças principais. As vultuosas somas de capital investidas nessas áreas parece desvanecer as motivações para os investimentos na área social. Talvez, porque o trabalho social não proporcione tanto reconhecimento e a visibilidade que a maioria está procurando. Algumas grandes igrejas mantém alguns trabalhos medíocres que usam como pretexto para apresentar como justificativa de que realmente desenvolvem uma obra social. Na verdade o que existe mesmo é um discurso por demais hipócrita que exige que cada cristão pratique solidariedade para com os necessitados, quando muitos líderes vivem como verdadeiros "marajás do evangelho" agindo de uma maneira a demonstrar que não tem a mínima preocupação com as necessidades de quem quer que seja. A maioria das igrejas evangélicas não só têm uma ação social muito pálida, como também não ajudam algumas instituições para-eclesiásticas que atuam na área social, tais como hospitais, casas de recuperação de drogados, assistência a menores abandonados e assim por diante. A maioria dessas instituições sobrevivem mais de ofertas oriundas de das pessoas de uma forma geral do que de ajuda de igrejas. Apesar da abordagem negativa, não estou afirmando que não existam igrejas e pessoas no meio evangélico que não estejam preocupados com o social, o que estou dizendo é que tais ações estão longe de traduzir o potencial da igreja evangélica no Brasil para a obra social. As chamadas ONGS parecem ser muito mais eficazes do que a igreja evangélica no tocante a obra social. Houve épocas em que muitas lideranças negligenciavam a obra social porque achavam que o trabalho exclusivo da igreja era apenas cuidar das almas dos homens, pensavam que a única coisa que importava para as pessoas era "o pão espiritual" pois só desse pão deveria o homem viver. Por outro lado, na atualidade poucos ainda preservam essa mentalidade, teóricamente todos têm conhecimento da obrigação social da igreja, pois tal ensino é patente em toda a bíblia, a qual recomenda em diversas passagens sobre as atenções e cuidados para com os necessitados, todavia, as ambições pessoais têm mudado o foco da igreja, canalizando os seus esforços para outras prioridades.

A BASE BÍBLICA PARA A RESPONSABILIDADE SOCIAL

A partir do livro de Gênesis já encontramos algumas referências sobre a responsabilidade social. Ao criar a mulher Deus estabeleceu responsabilidades que homem e mulher teriam um para com o outro. E posteriormente quando Caim matou Abel, Deus veio a Caim e lhe perguntou: "Caim onde está o teu irmão ? Porém, Caim quis esquivar-se de sua responsabilidade, e por isso disse para Deus "Sou eu porventura o guardador de meu irmão?". Deus estava cobrando de Caim o bem estar de Abel, exatamente pelo fato de que ele era responsável pelo bem estar do irmão. A situação não mudou muito, tem muita gente se negando em cumprir a sua missão social, porém, Deus estará sempre a nos perguntar "Onde está o teu irmão? ou como está o teu irmão?. Ele espera da sua igreja uma resposta coerente com o Amor Dele que foi revelado na Cruz de Cristo. Sobre este aspecto quero compartilhar o belo texto de John Stott sobre responsabilidade social. Qual é, então, a base bíblica para responsabilidade social? Porque devem os cristãos se envolver? No final das contas, existem apenas duas atitudes que eles podem adotar com relação ao mundo. Uma é a fuga, outra o engajamento. "Fugir" significa voltar as costas ao mundo em rejeição, lavar as mãos das coisas do mundo (mesmo sabendo como Pôncios Pilatos , que nem assim desaparece a responsabilidade), e endurecer o coração aos agonizantes gritos de socorro. "Engajar-se", por outro lado, significa voltar o rosto para o mundo em compaixão, sujar as mãos, sofrer e gastar-se a serviço deste e sentir no fundo do ser o comovente e incontido amor de Deus. Entre nós, os evangélicos, são muitos que se comportam como fujões irresponsáveis. Viver dentro da igreja em comunhão uns com os outros é mais conveniente do que servir em um ambiente externo apático ou mesmo hostil. Naturalmente, vez por outra fazemos investidas no território inimigo através de campanhas evangelísticas (aliás, como evangélicos somos especialistas nisso). Depois, contudo, nos recolhemos de novo, e após cruzarmos o fosso do nosso castelo cristão (segurança da nossa própria comunhão evangélica), suspendemos a ponte  levadiça e até fechamos os ouvidos aos gritos daqueles que esmurram nosso portão. Quanto às obras sociais, nossa tendência é dizer que isto é perda de tempo, já que o Senhor vai voltar logo. Afinal de contas, se a casa está em chamas, para que pendurar cortinas novas e dar uma ajeitada nos móveis? O que importa é salvar o que está perecendo. Dessa forma tentamos salvar nossa consciência com uma teologia espúria. Ao invés de tentarmos fugir à nossa responsabilidade social precisamos abrir os ouvidos e escutar a voz Daquele que conclama seu povo em todo tempo a sair (assim como Ele o fez) para o mundo perdido e solitário a fim de viver e amar, testificar e servir, como Ele e por Ele. Pois isto, sim, é "missão". Missão é a nossa resposta humana à divina comissão . É todo um estilo de vida cristão, que tanto inclui evangelismo quanto responsabilidade social, sob a convicção de que Cristo nos envia ao mundo assim como o Pai a Ele o enviou, e que é para o mundo, portanto, que devemos ir, para viver e trabalhar para Ele. Ainda assim, no entanto, resta-nos a questão: "Por que?" Por que deveria o cristão envolver-se com o mundo e seus problemas? Em resposta, proponho que examinemos as grandes doutrinas da bíblia, nas quais todos já cremos em teoria, mas tendemos a podar e retocar a fim de adaptá-las à nossa teologia escapista. Meu apelo é no sentido de que tenhamos coragem suficiente para conservar a integridade bíblica dessas doutrinas. Qualquer uma delas já bastaria para nos convencer da nossa responsabilidade social cristã; pois tais doutrinas juntas nos deixam sem qualquer desculpa.".
A responsabilidade não é meramente proteger vidas inocentes: também inclui fazer o bem positivo em prol dos outros. Segundo Jesus, e o ensino do Antigo Testamento também que o homem é responsável por amar seu próximo como a si mesmo. Jesus disse que o amor é a essência da lei moral (Mt 22.39). Até mesmo disse que a totalidade da moralidade do Antigo Testamento podia ser reduzida à regra Áurea (Mt 7.12). Exemplos específicos daquilo que significa amar os outros não faltam nem na vida nem nos ensinos de Cristo. As curas que Jesus fez dos mancos, dos leprosos e dos cegos, ilustram Sua própria solicitude, e sua história acerca do Bom Samaritano demonstra o amor que todos os homens devem ter com os outros (lc 10.30ss). As Epístolas de Novo Testamento abundam de exortações para os cristãos cuidarem uns dos outros e dos de fora. Paulo escreveu: "Não tenha cada um em vista o que é propriamente seu, senão também cada qual o que é dos outros" (Fp 2.4). Outra vez: "Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprires a lei de Cristo" (Gl 6.2; 10). A Primeira Epístola de João é muito explícita no que diz respeito à responsabilidade do cristão no sentido de amar aos outros. (I Jo 3.17-18), como o é também a de Tiago (1.27). Em síntese, o homem é moralmente responsável pelos demais homens. Ele é o guardião do seu irmão.


PRECISAMOS DE UMA VISÃO HOLÍSTICA DO "SER"


A palavra hólos veio do grego e significa inteiro; composto. Segundo o dicionário, holismo é a tendência a sintetizar unidades em totalidades, que se supõe seja própria do universo. Sintetizar é reunir elementos em um todo; compor. Ter uma visão holística do homem é tratá-lo em todas as dimensões do seu "Ser", corpo, alma e espírito, pois, é dessa forma que a palavra do Senhor o trata. O que os cristãos as vezes não percebem, é o fato de que a responsabilidade de amar às outras pessoas se estende à totalidade do "Ser". Ou seja, o homem é mais do que uma alma destinada para outro mundo; é também um corpo que vive neste mundo. E como residente desta continuidade do tempo e do espaço o homem tem necessidades físicas e sociais que não podem ser isoladas das necessidades espirituais. Logo, a fim de amar ao homem conforme ele é - o homem total - é necessário ter um solicitude acerca das suas necessidades sociais, bem como das necessidades espirituais. Parte do descuido do "homem total" tem sua origem na ênfase platônica não-cristã sobre a dualidade do homem. Esta ênfase foi digerida pelos cristãos da Idade Média e tem sido transmitida para o presente. Em essência, argumenta que o homem é essencialmente um ser espiritual e que apenas tem conexão funcional com um corpo que, na melhor das hipóteses, é um impedimento, e na pior, um grande mal. A correção desse erro é achada no ensino bíblico acerca da unidade essencial do homem, e da qualidade boa da criação física e corpórea, feita por Deus (Gn 1.31). Tanto a unidade do homem quanto a bondade do corpo ficam evidentes na doutrina cristã da ressurreição, fato este que é repugnante à mente grega (At 17.32). A ressurreição do corpo não faria bom senso se os homens fossem completos sem seu corpo. Do outro lado, se o homem é essencial e permanentemente um corpo com alma, neste caso a negligência de qualquer aspecto é um erro sério. Se o homem deve ser amado como homem, deve-se amá-lo conforme ele é (e conforme ele será) como criatura física e social, bem como espiritual. Até mesmo se alguém rejeitar as doutrinas da unidade do homem e da imortalidade do corpo, é miopia demonstrar preocupação somente com as dimensões espirituais da vida. Os homens nesta vida, pois, têm mesmo corpos, e não podem viver aqui sem eles. Se, portanto, devemos alcançá-los para o mundo do porvir - se vamos salvar suas "almas" - então isto deve ser realizado através dos corpos deles. Os corpos que estão morrendo de fome dificilmente ficarão impressionados com a mensagem acerca do pão da vida, se nós lhes recusamos o alimento para esta vida. Jesus alimentou a multidão faminta com o pão físico antes de pregar-lhes acerca do pão espiritual (Jo 6.11ss). Os homens não têm muita probabilidade de sentirem sede pela água da vida enquanto estiverem assoberbados pela sede física. Noutras palavras, se os cristãos não mostrarem nenhuma solicitude para com as necessidades físicas e sociais básicas dos homens, neste caso não poderão esperar uma resposta muito positiva da parte deles para sua mensagem espiritual. 

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A BELEZA DO SERVIÇO CRISTÃO - Lição 7

Na atualidade a expressão "Ministro do Evangelho" tem se distanciado do seu campo semântico original, pois a palavra "ministro" vem do mesmo termo grego que traduzimos por diácono. Nos tempos hodiernos muita gente que ostenta esse título tem se achado no direito de reivindicar muitas regalias, pois, se vêem mais como príncipes do que como servos de Deus e da igreja de Cristo. Numa certa ocasião alguns grupos da igreja de Corinto manisfestaram partidarismo em favor de alguns líderes, uns de Paulo outros de Apolo, entrentanto, o apóstolo Paulo reagiu duramente contra tal concepção, "Pois, quem é Paulo, e quem é Apolo, senão ministros pelos quais crestes, e conforme o Senhor deu a cada um ? (I Co 3.5). Paulo referiu-se a sua pessoa como ministro cinco vezes e diversas vezes chama os seus colaboradores de ministros. O termo aparentemente enfatiza o papel de servo e pregador. O papel dos líderes espirituais é preparar os santos para o "serviço" (Ef 4.12). Espera-se que todos os santos ministrem. Entendo que o próprio desenvolvimento da nossa fé depedende da forma que conceituamos e vivenciamos o termo "servo". Uma profunda compreensão desse termo nos permitirá encontrar a nossa verdadeira identidade. O Serviço cristão nos proporciona alcançar as satisfações mais profundas da alma.
Nos capítulos 25 a 32 de êxodo, achamos Moisés, o servo do Senhor, no monte, onde recebeu instruções da parte de Deus quanto à construção da habitação do Senhor (Tabernáculo). Se nós queremos ser úteis do Senhor, construir algo de valor na igreja local, fazer o serviço do Senhor segundo o plano de Deus, é imperativo que fiquemos em comunhão com Ele. Neste capítulos Deus chamou os obreiros empregados na construção do Seu santuário. Todos tinham capacidades diferentes e funções variadas. Na família de Deus todos são filhos. Cada cristão é um verdadeiro filho de Deus. Quanto à nossa posição em Cristo, somos todos iguais (Gálatas 3.26-28). Na igreja local, porém, há distinções. A igreja local não é uma sociedade sem classes, mas é um organismo composto de muitos membros com posições e funções de diversas e distintas. Na igreja primitiva havia apóstolos e profetas, os quais não existem mais hoje, mas ainda há presbíteros, diáconos, mestres da Palavra e evangelistas. Deus, por intermédio do Espírito Santo, tem distribuído dons à igreja e tais dons devem ser controlados pelo mesmo Espírito e exercidos em ampr (Ef. 4.11-15; I Co 12.4-11). Os dons são diversos e há distinções entre os irmãos, mas nunca deve haver divisões. Todos os membros devem funcionar no lugar escolhido por Deus, em harmonia e para o bem-estar do corpo, como um todo. O Tabernáculo era a habitação de Deus e só Deus tinha competência de escolher os servos. (Êx 31.1-2) estes versículos nos ensinam que Ele tem o direito de chamar quem Ele quiser e quando Ele chama não há dúvida, pois Ele chama pelo o nome. Não podemos chamar ninguém para trabalhar na obra, se antes Deus não tiver chamado essa pessoa. Antes de tudo devemos orar (Mt 9.37-38). Não é nossa prerrogativa escolher o nosso próprio serviço ou ministério. Moisés queria servir ao Senhor e, certa ocasião, vendo as necessidades existentes entre o povo de Israel, agiu precitadamente e, em vez de ajudar, ele agravou mais a situação e o sofrimento do povo (Êx 2.11-15). Foi um caso do homem certo agir no momento errado. Deus tem o direito de chamar a quem Ele quiser. Ele é Soberano, Ele é o Oleiro. E que direito temos nós de recusar quando Ele ordena? Quando a ordem do Senhor veio a Moisés de maneira tão clara, Ele pretextou a sua incompetência e levantou muitos obstáculos. Aprendamos que, antes de Deus chamar alguém, já o capacitou para fazer a obra e, com a ordem, Ele fornece a força necessária para a executar (Mc 3.1-6). Deus tem um plano para cada vida entregue a Ele e tem um serviço para cada filho Seu. Deus Escolheu Pedro para trabalhar entre os judeus, Paulo para evangelizar os gentios, Ele enviou Barnabé para servir na ilha de Chipre e mandou Tito para trabalhar em Creta. “Cada um tem uma função. Não há membro supérfluo no corpo de Cristo. Cada membro, irmão e irmã, é necessário. Portanto, o irmão ou que pensa não ter utilidade, precisa lembrar-se que é necessário. Não pode ficar inativo sem prejudicar o corpo inteiro” (R. E. Watterson). Vários nomes são mencionados em Êxodo 31. Bezalel é o primeiro e o nome do pai e do avô também são incluídos. Uri significa “uma sombra” ou “uma luz” e Hur significa “linho”, enquanto que Bezalel significa “na sombra de Deus”. O primeiro tem a idéia de iluminação ou dedicação; o segundo, de santificação e o terceiro de comunhão. São qualidade necessárias e indispensáveis em qualquer servo do Senhor. Bezalel é a primeira pessoa nas Escrituras a ser descrita como uma pessoa cheia do Espírito Santo. A obra de Deus precisa ser feita no poder de Deus (! Co 2.1-5). A obra de Bezalel era importante. O Tabernáculo era a sombra de coisas ainda futuras e, em particular, uma figura do Senhor Jesus. Tudo o que Bezalel ia fazer refletiria a Pessoa de Cristo (é exatamente aqui que encontramos a máxima da beleza do serviço cristão); por isso, ele precisava ser um homem cheio do Espírito de Deus. Por essa mesma razão, nós devemos depender deste mesmo Espírito. Muitas vezes ficamos preocupados com aquilo que Deus quer fazer através de nós e esquecemos que a maior obra é aquilo que Deus deseja operar em nós. Veja a ordem em Gálatas !.15-16).

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O REINO DE DEUS ATRAVÉS DA IGREJA-Lição5

Por amor a sua criação Deus decidiu estabelecer o seu reino aqui nesse mundo e para isso Ele elaborou um projeto para se revelar gradativamente ao ser humano. No princípio do processo revelatório, Deus escolheu alguns homens e deles constitui uma nação para Senhor e reinar no meio dela, porém, através da história, os hebreus frustraram as expectativas de Deus. O Senhor enviou para os judeus o seu próprio Filho, o Senhor Jesus para implantar definitivamente o Reino de Deus a partir da nação de Israel, todavia, eles foram incrédulos e incompetentes para discernir o trabalhar de Deus no meio deles, e por isso, de uma forma prepotente viraram as costas para o “Rei da Glória”. João diz que Ele veio para o que era seu, porém, os seus não o receberam”. A rejeição do Judeus fez com que Deus os excluísse do reino e levantasse um outro povo para se constituírem nos novos cidadãos do Reino de Deus, e esse povo Ele denominou de “igreja” “ekklesia”,ou seja, aqueles que foram chamados para fora. Foi a rejeição dos judeus que provocou a morte vicária do Senhor Jesus, pela qual todos os demais homens da face da terra obtiveram a chance de fazer parte da igreja e se tornarem cidadãos do Reino.

O Reino de Deus refere-se à soberania de Deus sobre toda a criação. Este termo é usado apenas quatro vezes (12.28; 19.24; 21.31,43). Parece que,devido à relutância dos judeus em pronunciarem o nome sagrado de Deus, Mateus referiu usar o termo “Reino dos Céus”. Os estudiosos modernos estão de acordo que a palavra “reino”, no Antigo e Novo testamentos, significa o governo soberano de Deus. Deus é Rei, quer o homem reconheça ou não sua realeza. A soberania de Deus não depende de o homem aceitá-la. Deus é Rei, e ele prometeu um “reino que não fim” a “Um homem como o Filho do Homem” (Dn 7.13,14). O Reino é igualmente presente e futuro. É presente no sentido de que Deus é Rei agora. Aos que reconhecem Jesus Cristo como Rei, é dado o direito de entrarem no reino (Mt 5.3,10). Para os que rejeitam a soberania de Deus, o reino vem com juízo (Mt 18.23). O reino recebido um dom ou como uma herança; não pode ser adquirido (Mt 26.34). Contudo, o reino também impõe condições, ele exige tudo o que uma pessoa tem (Mt 13.44,45), completa dedicação a seus interesses (Mt 6.33), obediência à vontade do Rei (Mt 7.21) e a produto do fruto na (Mt 21.43). Aos pobres de espírito (Mt 5.3) e àqueles que têm a fé de uma criança (Mt 18.1-4), o reino confere suas bênçãos. Estar no reino significa estar dedicado a uma nova vida de serviço (Mt 20.20-28). Ele deve ser buscado no tempo presente (Mt 6.33). João e Jesus igualmente o proclamaram como estando próximo (MT 3.2; 4.17; 10.7). Jesus disse explicitamente que o reino Já e chegado (Mt 12.28), e o Cristo ressurreto tem toda autoridade (28.18).

UMA DOUTRINA ABRANGENTE SOBRE A IGREJA (JOHN STOTT)

Muita gente pensa na igreja como uma espécie de clube , um time de futebol ou coisa parecida. Só que, em vez de futebol ou outros interesses, seus membros vão lá por causa de Deus. São pessoas religiosas. Pagam suas subscrições, tendo, portanto, direito aos privilégios de membros do clube. Com essa visão das coisas esquecem a sutil afirmação de William Temple, de que “a igreja é única sociedade cooperativa que existe para o benefício de não-membros”. Em vez de modelo de “clube” precisamos resgatar aquilo que se poderia descrever como a “dupla identidade” da igreja. Por um lado ela é um povo “santo”, separado do mundo para pertencer a Deus. Por outro, porém, é composta de gente “mundana”, no sentido de que é enviada de volta ao mundo para testificar e servir. É isto que o Dr. Alec Vidler, seguindo a linha de Bonhoeffer, chama de “o santo mundanismo” da igreja. Raramente, no decorrer de sua longa e vigiada história, tem ela lembrado ou preservado sua dupla identidade. Algumas vezes, levada por uma correta ênfase na sua “santidade”, (isto é, sua imersão na vida do mundo), erradamente assimila padrões e valores do mundo, deixando-se contaminar por eles. Mesmo assim a igreja nunca poderá se engajar na missão, a não ser que preserve ambos os lados de sua identidade. A missão parte da doutrina bíblica que considera a igreja na sociedade. Uma eclesiologia desequilibrada produz uma missão igualmente desequilibrada. O próprio Jesus ensinou essas verdades, somente em sua famosa expressão “no mundo, mas não do mundo”, como também na vívida metáfora do sal e da luz. “Vós sois o sal da terra”, disse ele, acrescentando: “Vós sois a luz do mundo” (Mt 5.13-16). Com isso ele implicava serem as duas comunidades (a nova e a velha, a igreja e o mundo) tão radicalmente diferentes uma da outra quanto a luz das trevas e o sal da podridão. Ele também queria dizer que, a fim de desempenhar a sua função positiva o sal tem penetrar na carne e a luz tem que brilhar na escuridão. Os cristãos, de igual forma, devem impregnar a sociedade não-cristã. Assim, sua dupla identidade e a dupla responsabilidade da igreja serão bem evidentes.

O renomado teólogo John Stott foi chamado para o descanso eterno, essa semana, louvamos ao Senhor pela sua vida e ministério, pois, o legado teológico que nos deixou é de valor inestimável. No texto acima John Stott, ou o tio joão, como era chamado carinhosamente pelos seus amigos, nos proporciona uma breve, porém, profunda reflexão sobre o papel da igreja no Reino de Deus. A igreja é constituída de pessoas que foram tiradas do mundo e transportadas para “o reino do filho do seu amor”, isto na dimensão do espírito, todavia fisicamente ela permanece no mundo para ministrar os valores do reino de Deus para esse mundo. Jesus imprimiu na igreja a sua própria identidade, conforme diz o apóstolo Paulo, Cristo vive em nós “Não vivo eu mas, Cristo vive em mim”. Por lado, individualmente os integrantes da igreja possuem em si elementos que os caracterizam como seres desse mundo, e isso faz com a igreja como agente do reino de Deus se apresente com uma dupla identidade uma “momentânea” e outra que prevalecerá por toda a eternidade. A percepção dessa realidade é de fundamental importância no trato da relação entre o “sagrado” e o “profano”. Muitos movimentos evangélicos fracassaram no projeto de fazer o reino de Deus conhecido entre os homens, porque compreenderam mal essa questão, ao estabelecerem uma dicotomia entre o profano e sagrado, criarem uma barreira impenetrável, a qual eliminou qualquer possibilidade de diálogo. A equivocada teologia de santidade que promove o a separação e distanciamento social deu lugar a um tipo de legalismo que pensa estar a serviço do reino, porém, está fechando as portas do reino de Deus para os homens. Essa dicotomia entre o profano e sagrado é contrária a postura do Senhor Jesus, os que assim agem, criaram patamares de santidade antagônicos aos propósitos do reino. Jesus não pregou um distanciamento dos homens devido a condição deles de pecadores, jamais deixou de ir ao encontro deles e nunca manifestou qualquer tipo de preconceito diante dessas vidas decadentes. Ao invés de se trancar num templo para orar, meditar ou coisa assim, na maior parte do seu ministério Jesus estava em busca das ovelhas perdidas, estava proclamando o reino. Jesus adentrava o profano com sagrado, e isto significava sempre levar a luz em meio as trevas, pois, ele fazia com que o profano fosse neutralizado pelo sagrado. Com a presença de Jesus o profano perdia todo o seu poder e na maioria das vezes os homens que se encontravam com Ele tiveram o profano transformado no sagrado.