sábado, 6 de fevereiro de 2010

O CRISTIANISMO E A FILOSOFIA GREGA

A TEOLOGIA APOSTÓLICA E SUA RELAÇÃO COM A FILOSOFIA GREGA

Talvez alguns bons cristãos ignorem o fato de que próprio cristianismo primitivo considerou algumas idéias do conhecimento secular, principalmente da filosofia grega. As conquistas de Alexandre “o grande” proporcionou a propagação de um movimento cultural denominado “helenização”, que é uma “globalização” do pensamento grego e do uso da língua grega. Nesse período são enfatizadas quatro correntes filosóficas, as quais tiveram uma certa atenção da Teologia Apostólica. O Estoicismo, defendia o princípio da resignação; o Epicurismo, defendia o princípio da descrença, o Cinismo, defendia o princípio do deboche, pondo em dúvida todos os valores aceitos pela sociedade, especialmente os valores políticos, éticos e religiosos. A idéia de transcendência, desenvolvida na filosofia de Platão, encontra um certo paralelo no pensamento cristão. De acordo com Platão, Deus é a esfera maior da realidade espiritual, a alma é a realidade intermediária, enquanto o mundo, é a realidade inferior, através do processo descrito pelos gregos “diairesses”, que significa movimento de ascendência e descendência e o termo “synagouguê”, que significa ajuntamento. Para Platão o termos: “oussia” é alusivo a essência das coisas; “fhilebus”, a essência de Deus; “telos” a essência do homem. O telos se apresenta como a força da alma, a energia, a vontade. Este esquema pensado por Platão, visa pôr fim a angustia do destino. A providência emana do mais alto dos deuses e nos dá coragem para escapar das vicissitudes do destino. Com essa linha de raciocínio Platão se aproximou da doutrina da Providência Divina, elaborada pela teologia dos apóstolos e enfaticamente na teologia de Paulo. A filosofia aristotélica se harmoniza com o pensamento cristão no tocante a idéia de que o divino é forma sem matéria, é aquele perfeito em si mesmo. Deus, segundo Aristóteles, é a forma perfeita, que movimenta o mundo, não empurrado de fora, mas atraindo a si todas as coisas. Por meio do amor, que se constitui a força infinita. Portanto, Deus, a forma suprema, ato puro, move todas as coisas, ao ser amado por todas coisas. Toda realidade, expressa em todos os que as constituem, desejam se unir a Deus, para se livrar da forma inferior, em que existem. A filosofia Estóica impregnou de coragem a vida das pessoas que viviam sem sonhos e sem idéias e sem ideais, tornando-as capazes de enfrentar o destino e a morte. O “Logos”, segundo os estóicos, não é só a mente cósmica, que põe a matéria em movimento, fazendo surgir o “kaos” o “kosmos”, como pensava Heráclito, mas é a inteligência que cria o mundo, na medida que cria sonhos e ideais. A teologia apostólica se apropriou da idéia do “Logos Criador” do mundo, de coragem e esperança para os homens. Na idéia grega, O Logos contribui para a criação de um novo mundo, enquanto a coragem, faz com que as pessoas se apropriem desse novo mundo. Na teologia cristã isso tem uma certa relação com a pregação do Reino de Deus, para que os homens deixem o reino das trevas e venham para o reino da luz. Os estóicos desconheciam o conceito de pecado, porém, pregavam uma salvação baseada na sabedoria e não no arrependimento dos pecados. A salvação estóica é conquistada pelo próprio indivíduo, que consegue substituir a ignorância pela sabedoria, enquanto a salvação cristã, conforme a teologia apostólica, é concedida pela graça divina àqueles que se arrependem de seus pecados, a partir da fé no sacrifício expiatório de Jesus Cristo. Neste contexto alguns estudiosos afirmam que a teologia apostólica teria sido fortemente influenciada pela filosofia de Platão, Aristóteles e outros, porém, eu acredito que toda verdade procede de Deus, portanto é possível que no tocante a Revelação Geral, os homens de um modo geral podem ter percepções das verdades espirituais,e foi por essa razão que os apóstolos não desprezam tal saber, pois, mesmo sendo contrários maioria das filosofias humanas, não descartaram tais conhecimentos, pois os mesmos facilitaram o desenvolvimento explicação da doutrina cristã.

2 comentários:

  1. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    ResponderExcluir
  2. “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    ResponderExcluir