terça-feira, 13 de julho de 2010

“Correr atrás do vento” A REFLEXÃO EXISTENCIALISTA DE SALOMÃO

O texto entre aspas foi extraído do livro de Eclesiastes cap. 1.14 "atentei para todas as obras que fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento". Sem chegar ao extremo de afirmar que Salomão foi o primeiro filósofo existencialista, pois a corrente de pensamento filosófico denominada de existencialismo, é algo dos tempos modernos, não posso deixar de admitir que o texto de Eclesiastes é produto de uma profunda reflexão sobre a vida, a existência dos seres humanos "debaixo do Sol". Atentemos para as expressões: "debaixo do sol" ; "atentei" e "tudo é vaidade". O sábio Salomão se propõe em fazer uma análise vertical da vida, a existência que acontece a parti de um processo autônomo, isto é, ele olha para vida que acontece sem o referencial divino.

O texto já inicia pela conclusão, a síntese de sua descoberta "...vaidade de vaidades! "tudo é vaidade." (cap. 1.2). A palavra vaidade nesse contexto não está se referindo ao exibicionismo e narcisismo manifestados por muitos homens, e sim, a ocorrência de uma existência que prescinde da própria essência do ser, esvaziando-se da divindade do criador. Porque o termo vaidade aqui significa "vazio", pois autor envereda por uma vagem existencial, através da qual ele busca vários caminhos, tentando em algum deles encontrar um sentido para a vida, isto é, algo que por si só pudesse dar significado a sua própria vida. Porem, ele somente conseguirá descobrir que "existem muitos caminhos que parecem levar a algum lugar, porém, o final deles é a morte" . A vaidade se configura numa triste realidade, na qual o indivíduo coloca Deus a margem dos seus projetos existenciais, e se lança numa busca frenética procurando em diversas situações construir a sua própria felicidade e viver como se não dependesse de Deus. Todavia, essa busca por realização que acontece de maneira verticalizada, indiferente a realidade do Deus pessoal, o qual traz em si o significado de toda existência, e nada pode existir sem Ele, conforme disse o Apóstolo Paulo aos atenienses "Nele nós existimos e nele nos movemos" . Tentar encontrar o sentido da vida em uma realidade não centrada em Deus é o mesmo que empreender uma CORRIDA ATRÁS DO VENTO, na qual o indivíduo nunca atingirá sua meta, pelo contrário ficará sempre mais distante de encontrar o que busca.

Salomão mergulha nesse mar da existência humana tentando descobrir se haveria alguma realização centrada exclusivamente no Ser e nada mais, que pudesse lhe proporcionar o real significado de existir "debaixo do sol", isto é, aqui neste mundo. No capítulo 2 podemos observar os diversos caminhos escolhidos por ele.

O primeiro deles diríamos que tem a ver com o estilo "life party", a vida é só festa, são os bares e as boites nos finais de semana, clubes, os carnavais e todas as festas de época e fora de época. Todavia, depois de desfrutar toda essa euforia descomprometida, ele se vê completamente vazio, não descobre nenhum sentido nisso tudo, e por isso ele conclui "não passa de vaidade" (cap 2.1-2).

Na segunda tentativa ele resolve busca a realização tornando-se um grande empreendedor: construiu casas, plantou vinhas, construiu açudes. Tornou-se um empresário obcecado, megalomaníaco. Também não foi dessa vez que encontrou a felicidade. Sendo assim, prossegue na sua busca frenética, resolve ser um especulador do mercado financeiro (cap 2.8), amontoou ouro e prata. Até ai permanece insatisfeito.

Depois disto ele envolveu-se com o mundo artístico, relacionou-se com os famosos da arte e da música. Pois ele diz que se proveu de cantores e cantoras, que freqüentavam a sua casa. Isto também não lhe trousse sossego, o que lhe fez ir busca de mais um caminho e finalmente enveredou pelo sexo livre, no amor livre, amou muitas mulheres (cap. 2.8). Casou, descasou, teve casos e amizades coloridas. De todas essas experiências ficaram a frustração, pois nenhum empreendimento humano por si só pode dar sentido a vida.

Como disse o famoso escritor russo, Dostoievski: "existe um vazio no coração humano do tamanho de Deus", isso corrobora com o nosso pensamento que qualquer projeto de vida indiferente ao referencial de Deus, não passará de fadiga e vaidade que se expressará através da angustia e inquietação.

O renomado filósofo existencialista, o francês Jean Paul Satre no seu livro "A náusea", concebe o mundo como um absurdo, e a vida como um processo do acaso em todos os sentidos. Satre defendia que os seres humanos precisavam dar um sentido a própria, só que criado por eles próprios. Infelizmente o existencialismo de Satre parou no cap. 2 de Eclesiastes e por isso ele foi mais um ser humano que com todo o seu potencial passou toda sua existência CORRENDO ATRÁS DO VENTO, sem conseguido a sua meta, descobrir o significado da própria existência, e ele resume a sua frustração no título da obra mais famosa "O Ser e Nada".

Confesso que ao estudar um pouco sobre a filosofia existencialista fiquei mais seguro acerca da minha fé em Jesus Cristo, pois mesmo não aderindo a fé em Deus os existencialistas ao revelarem a frustração por encontrarem as respostas para o sentido da vida, nos prova por antítese, que estas respostas só podem ser encontradas na palavra de Deus. E isso ocorre quando o ser humano tem um encontro com o seu Criador por meio de Jesus Cristo, o qual veio para dar vida abundante, vida com propósito, vida que tem um significado e uma direção certa, DEUS.

3 comentários:

  1. Grande Mensagem, é o tipo de reflexão que nossa geração precisa. Por que quando olhamos ao redor tantos jovens se destruimos percebemos que eles estão preocurando exatamente isso, preencher o vazio no seu interior.

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