sábado, 22 de janeiro de 2011

O poder Irresistível da Comunhão na Igreja – Lição 4

Para iniciar nossa reflexão sobre Comunhão, entendendo que seja necessário nos atermos um pouco nos termos gregos "Koiné" e "Koinonia". Koiné foi o nome dado a uma variedade lingüística do idioma grego e significava "dialeto comum", pois essa era a variedade lingüística compartilhada pela maioria das pessoas nos primeiros séculos da existência da igreja Cristã. A Palavra kononia (que significa comunhão) é derivada do termo koiné, a partir dessa relação podemos dizer que a comunhão pode ser expressa entre dois ou mais seres humanos quando existirem entre ambos experiências que sejam compartilhadas de uma forma aprofundada. Nessa perspectiva observamos que o nível da comunhão de uma pessoa com Deus e com seus semelhantes será medido pela quantidade e extensão das coisas e situações que essa pessoa compartilha com ambos. A comunhão cristã pode ser ensinada por meio de um discurso bem elaborado, todavia se transforma numa prática pedagógica ineficaz quando não é acompanhada de uma práxis compatível. O poder da comunhão se expressa numa prática diária como resultado de um coração transbordante do amor de Cristo. É lamentável, mas temos que admitir que estamos vivendo numa época de muita hipocrisia, pois, temos muitos discursos inflamados nessa área, na qual pregadores eloqüentes, gritam, esbravejam para que os membros da igreja vivam em união "Ó quão bom e quão suave é os irmãos vivam em união.." esse talvez seja um dos Salmos mais citados nos chamados cultos de doutrina de muitas denominações, porém, as relações pessoais não são tão suaves, mas na verdade um tanto conturbadas, as que vivemos na maioria das denominações evangélicas da atualidade, caracterizando uma realidade muito antagônica. Neste domingo muitos estarão pregando uma "koinonia denominacional", como se fossem os únicos com o direito de ostentarem o título de "povo de Deus". Essa prática exclusivista e farisaica tem prejudicado tremendamente a visão de muitos servos de Deus, que devido a esse tipo de ensino deturpado, que visa muito mais a manutenção de interesses eclesiásticos (poder e dinheiro) do que o amadurecimento espiritual dos crentes, muitos crentes olham para irmãos de outras denominações com uma expressão de superioridade ou até mesmo de desprezo, pois foram ensinados que suas tradições, as quais confundem com doutrinas bíblicas, os tornam privilegiados diante de Deus. A parte mais triste é que tais atitudes não são externalizadas apenas por pessoas com pouco conhecimento bíblico, mas também por líderes de grandes igrejas, que de púlpito pregam "comunhão" e quase que simultaneamente chamam de inimigos e desviados, irmãos que ostentam o mesmo rótulo denominacional, só porque pertencem a uma outra convenção. A cada dia que passa estamos perdendo os "pontos comuns", e isso está concorrendo para uma gradativa fragmentação da igreja, estamos nos distanciando da visão de uma "igreja universal". Eu compreendo que para que sejam vencidas as barreiras denominacionais que permitam uma prática da koinonia bíblica, não é necessário nenhum um tipo de ecumenismo protestante, é necessário que as lideranças tenham suas visões do reino de Deus alargadas, a partir de uma profunda experiência com o amor de Deus, e assim estejam aptos para abrir de mão de muitos interesses baseados em puro egoísmo. A comunhão bíblica no âmbito da igreja como corpo de Cristo, pode desenvolvida a partir do momento em que aprendermos a lidar com as diferenças, respeitando-nos uns outros sem discriminarmos alguém por causa de um hábito ou costume que não nos agrada. Conforme apresentada pelo termo koinonia, nós temos uma boa orientação melhorarmos a nossa comunhão, só precisamos criar mais elos, situações que possam ser compartilhadas, nas quais teremos sempre a oportunidade de manifestarmos o amor de Cristo que habita em nós. Por outro lado quando estabelecemos barreiras e limites para nos relacionarmos com outros irmãos, estamos simplesmente andando na "contra-mão" da comunhão, promovendo dessa forma o esfacelamento e fragmentação do Corpo de Cristo. Poucas pessoas se arriscam em afirmar que o Corpo de Cristo restringe-se tão somente a denominação na qual eles estão inclusos, porém, as ações de muitos crentes nos levam a crer que realmente os tais acreditam nisso.

Eu acho que nesse ponto sobre a comunhão já existe ensino até mais do que necessário para cada de um de nós, o que falta em cada um, é coragem e força de vontade para renunciar alguns dos nossos valores pessoais em prol do próximo. O povo tem se frustrado diariamente dentro das igrejas, pois estão sempre percebendo a distancia que existe (no assunto da comunhão) entre o discurso e a prática. Apesar de ter abordado um aspecto um tanto negativo da prática da igreja atual, eu contínuo a cultivar a esperança de que possamos despertar para investirmos no desenvolvimento de uma comunhão que vá além dos contextos convencionais e denominacionais, pois, conheço alguns homens Deus nesse pais que comungam com esse ideal.

A palavra grega koinwnia aparece 20 vezes em o Novo Testamento (veja lista no final): em 12 ocasiões é traduzida por comunhão, em 4 por comunicação, 1 por dons, 1 por cooperação, 1 por dispensação e 1 por coleta. A palavra portuguesa “comunhão” vem do latim communione , que significa “ter algo em comum”. É o sentido primário desta palavra grega, uma vez que ela é derivada de koinoj (koinós - comum). Mostra o ideal da fé cristã, onde não deve haver um povo com doutrinas divergentes, ideais divergentes, deuses diferentes... É o ideal de Atos 2.44: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum”. E a unidade da Igreja, mostrada em Efésios 4.3 – 6: “procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”. Porém é mais do que simples ideais em comum. A palavra também significa compartilhar. E este compartilhar pode ser demonstrado através da comunicação (“deste serviço” – 2 Co 8.4; “de suas aflições [de Cristo] – Fp 3.10; “da tua fé” – Fm 1.6; “comunicação [cristã, do evangelho]” – Hb 13.16). Este compartilhar também pode ser demonstrado pela preocupação profunda com o próximo, quando Paulo fala dos “dons” (contribuições) que os coríntios deram com liberalidade (2 Co 9.13) e da “coleta” que pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazer para Jerusalém (Rm 15.26). Este compartilhar também fala de cooperação (Fp 1.5), de trabalhar juntamente com o seu irmão em Cristo para o crescimento da Obra. E este compartilhar também denota uma mordomia, um senso profundo de responsabilidade dos bens alheios (veja mais à frente o sentido de Lv 6.2 na Septuaginta), pois muitos fazem a palavra koinwnia derivar de oikonomia (oikonomia – mordomia). Por isto, em Ef 3.9 , alguns manuscritos trazem koinwnia e outros oikonomia (em português, optou-se em traduzir por “dispensação”, sentido que está mais próximo deoikonomia; na Versão Autorizada inglesa, usa-se fellowship – “companheirismo”, sentido mais próximo de koinwnia.

Porém há um detalhe a mais todo especial neste compartilhar. Jamais haverá uma comunhão perfeita se não houver relações próximas profundas – um companheirismo.Embora em possa ter uma perfeita comunhão na fé com um irmão chinês, por exemplo, isto não se compara com o compartilhar que eu tenho com aquele irmão que estou sempre em contato aonde congrego. Este sentido dado à koinwnia é mais forte; tanto que, na Versão Autorizada inglesa , koinwnia é traduzida 12 vezes por fellowship (companheirismo). Entendendo koinwnia por este outro ângulo, os versículos que em português trazem “comunhão” ganham um novo e profundo entendimento... Por este motivo A Bíblia Na Linguagem de Hoje traduz 1 João 1.3 assim: “Contamos a vocês o que vimos e ouvimos para que vocês estejam unidos conosco, assim como nós estamos unidos com o Pai e com Jesus Cristo, o seu Filho”.


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