quinta-feira, 21 de outubro de 2010

A ORAÇÃO EM O NOVO TESTAMENTO

Tendo em vista o fato da oração ser um exercício vital para o povo de Deus, os grandes personagens do Novo Testamento empreenderam muita dedicação num ensino sistemático sobre oração. Na visão neo-testamentária, para que o ato de orar seja algo eficaz diante de Deus se faz necessário que aquele que ora seja conhecedor de alguns princípios. Sendo assim, o próprio Jesus ocupou-se com essa tarefa, por isso, Ele ensina como a oração deve ser, "E, quando orares, não sejas como os hipócritas; pois se comprazem em orar em pé nas sinagogas, e às esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente. E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios, que pensam que por muito falarem serão ouvidos". (Mateus 6.5-7).

Em primeiro lugar Jesus nos diz que a oração deve ser "discreta", não pode ser projeção do ego de quem ora, deve partir de um coração humilde e quebrantado, o qual não há lugar para egoísmo, presunção e vaidade. A oração não pode ser confundida com um discurso público recheado de termos retóricos com o intuito de impressionar os ouvintes, e sim, um diálogo com Deus de forma direta e simples. Quando o conteúdo da oração provoca admiração nas pessoas, na maioria dos casos não move o coração de Deus. Em segundo lugar Jesus ensina que a oração nos convoca para um lugar de intimidade com Deus, pois a oração é a expressão externa de um elo secreto estabelecido pelo Espírito Santo entre o ser adorado e adorador (Mt 6.6). E ainda no texto supracitado, Jesus afirma que a oração deve ser objetiva e curta. Muitos cristãos alimentam uma compreensão de que a oração precisa ser longa, repetitiva, discursiva e explicativa, porém, o Senhor nos ensinou o contrário. Não é pelo o muito falar que seremos ouvidos, e Deus também não necessita de nossas explicações e descrições dos fatos. Ele é onisciente, conhece as nossas necessidades atuais e aquelas que teremos no futuro (Mt 6.7).

PAULO, O TEÓLOGO DA ORAÇÃO

Paulo é o autor neo-testamentário mais preocupado com a oração, especialmente a comunitária. Ele ensina sobre as várias dimensões da oração litúrgica: Doxologia e glorificação (Rm 1.21; 4.20; 2 Co 6.20; 10.31; Ef 3.20,21). Louvor (Rm 14.11; 15.9-12; Ef 1.6,12,14). Paulo utiliza o mesmo verbo para louvar e confessar "Exomologeomai". Bendizer (Rm 1.25; 9.15; 1 Co 14.26); Adoração (1 Co 14.25); Ação de Graças (Rm 18.21; 6.17,18; 14.6; 1 Co 1.4,14; 10.30); Exultação e gozo (Rm 5.2,3,11; 15.17; 1Co 1.29; 2 Co 1.12); Súplica, pedido pessoal (Rm 1.10; 7.24; 1 Co 14.13, 2 Co 12.8); Intercessão ( Rm 1.7,9,10; 8.15,16,23,27,34; 9.1-13; 1 Co 1.3,8; 2.9-16; 2 Co 13.7,9,11,14; Gl 1.3,8,9;4.6).

O Novo Testamento apresenta para a oração uma liturgia composta de parte bem distintas. No culto deve haver momentos específicos de adoração, confissão, ação de graças, louvor, consagração e intercessão. Uma oração desorganizada se distancia dos propósitos da liturgia e pode também trazer uma certa confusão para os participantes do culto.

A oração de adoração é o momento em que somos impulsionados pelo Espírito Santo para expressamos diante de Deus tudo que sentimos e pensamos sobre o infinito ser que Ele é. E assim podemos nos dirigir ao Senhor e dizer: Senhor, sentimos o teu inefável amor, o teu poder nos alegra, contemplamos a tua majestade e a gloria da tua presença. Te adoramos por que tu és infinitamente santo, tu és o nosso Deus e não outro além de ti. O importante aqui é que todas essas expressões sejam proferidas com profunda sinceridade.

A oração de confissão é o momento em que confessamos os nossos pecados. Pecamos algumas vezes por infidelidade e outras por omissão, por isso, é necessário reconhecermos nossas fraquezas e confessá-las publicamente. O Salmo 51 é um grande exemplo desse tipo de oração: "Pequei contra ti, contra ti somente, e fiz o que e mal perante os teus olhos; de maneira que serás tido por justo no teu falar e puro no teu julgar. Eu nasci na iniqüidade e em pecado me concebeu minha mãe" (Sl 51.4,5). É numa oração de confissão que rei Davi confessa o seu pecado e logo em seguida pede que Deus o perdoe, pois confissão e súplica de perdão fazem parte do mesmo conjunto. Os pecados pessoais e íntimos devem ser confessados a Deus pessoal e intimamente, não em culto público. Porém, se o pecado individual é contra a comunidade ou lhe afeta a ordem, a dignidade e a pureza, deve ser confessado ao sacerdócio constituído para o devido tratamento do caso visando a reconciliação daquele que pecou.

Oração de ações de graças é o momento em que agradecemos as bênçãos recebidas. Neste momento percebemos muitas vezes o quanto temos sido negligentes até mesmo ingratos para com Deus, porque em muitos momentos da nossa existência não temos atentado para os grandes feitos do Senhor em nossas vidas. O Senhor está com os cuidados dele sobre nós dia e noite, Ele nunca nos deixa só e jamais nos desamparará. Nem se quer somos capazes de enumerar uma quantidade mínima dos favores do Senhor para conosco. A oração de gratidão é muito edificante para o cristão e também tem alto valor na presença do nosso Deus.

A oração de intercessão é o momento em que exercemos o nosso sacerdócio universal, o qual nos foi dado por ordenação divina. Demonstramos a nossa confiança na oração como um instrumento poderoso capaz de fazer com que Deus manifeste o seu divino poder para intervir em favor dos seres humanos, seja qual for a situação. O intercessor nunca desiste, mesmo que a situação seja extremamente crítica, pois para o eterno tudo é possível.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

GREGO BÍBLICO – DIATHEKE / SUNTHEKE

DIATHEKE é a palavra grega que traduzimos por "pacto". É um termo amplamente utilizado na versão grega do Antigo Testamento, constituindo-se numa das palavras mais importantes das escrituras sagradas. É um termo que traz no seu bojo uma certa dificuldade. A solução desse problema nos mostrará que DIATHEKE comporta um conteúdo teológico e uma profunda visão da relação entre Deus e o homem.

A palavra "pacto" no seu uso comum e não teológico, significa "acordo" entre duas ou mais pessoas ou entidades. Assim como é ocasionalmente utilizado no A. T. Como exemplo disso temos: a "aliança" que os gibeonitas desejavam fazer com Josué (Josué 9.6); No "pacto" com os habitantes de Canaã, o qual não era permitido aos Israelitas (Juizes 2.2); no "pacto" que fizeram Davi e Jônatas (I Sm 23.18). No N. T., DIATHEKE é a palavra chave da carta aos hebreus para descrever esta nova e melhor relação entre Deus e o homem (Hebreus 7.22; 8.6,9,10; 12.24; 13.20).

O problema se estabelece a partir do momento que nos apropriamos do fato de que a palavra grega normalmente usada para pacto é "SUNTHEKE", que é utilizada na maioria das situações comunicativas, principalmente em situações que envolve um compromisso matrimonial, um acordo entre duas pessoas ou países.

Por que o termo "DIATHEKE" é o preferido dos escritores sagrados no lugar de "SUNTHEKE"?

A explicação é devido ao fato que "SUNTHEKE" descreve um acordo feito por duas partes que se encontram em igualdade de condições, e qualquer das partes terá poder para alterar o acordo estabelecido. Todavia, a palavra "DIATHEKE" expressa muito mais do que um simples acordo feito em igualdade de condições, pois significa um pacto estabelecido por testamento, sendo assim expressa o sentido de pacto irrevogável. Isto nos revela que nesse "pacto" Deus e o homem não estão em igualdade de condições, significa que Deus, por opção própria e em sua livre graça, ofereceu ao homem esta relação, a qual o homem não pode alterar, mudar, nem anular, senão apenas aceitar ou rejeitar. As condições de testamento são impostas por uma pessoa e aceitas pela outra, que não pode alterar.

Não entramos em relação com Deus por auto-merecimento, nem segundo as nossas próprias exigências, mas pela iniciativa e graça de Deus manifestas em nosso favor. DIATHEKE, resume em si mesma a "dívida" e o "dever" que temos para com Deus. Somos devedores porque a nossa relação com Deus provém do esforço de Dele, pois, nada poderíamos fazer em prol dessa relação. Temos um "dever" porque temos de aceitar as condições de amor, fé e obediência impostas por Deus, sem jamais pensarmos em modificar os termos do pacto.

sábado, 16 de outubro de 2010

A ORAÇÃO SÁBIA

A Palavra do Senhor é o manual de instrução para nos instruir acerca de todos os procedimentos para desenvolvermos a nossa vida espiritual. Entre muitos exercícios espirituais que a Bíblia nos recomenda está a oração. Algumas pessoas acreditam que para recebermos as coisas da parte de Deus só precisamos pedir com fé, concebendo a fé como uma profunda convicção na existência de Deus, e também que Ele está sempre disposto a realizar a vontade daqueles que assim procedem. Nesta perspectiva fé e crença mística se confundem. Porém, quando Jesus disse que tudo que pedíssemos com fé no nome dele, haveríamos de receber, ele está nos dizendo que Deus assume um compromisso de atender todas as solicitações, isto é, as orações dos cristãos, que estejam em plena sintonia com os princípios da Palavra do Senhor que dão sustentação aos fundamentos da fé bíblica, que é muito mais do um simples acreditar que Deus existe e pode realizar muitas coisas. A oração eficaz precisa ser embasada por um conhecimento bíblico que proporciona sabedoria ao coração, pois, Tiago nos diz que muitas vezes oramos e não recebemos por não pedimos com sabedoria. "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (Tiago 4.3), Tiago nos ensina nesse texto que a oração como simples ato litúrgico da religião não corresponde ao modelo bíblico de oração que agrada ao Senhor". O primeiro segredo de uma oração sábia, é que ela é proveniente de um coração humilde e quebrantado diante de Deus. Tiago diz que Deus não suporta as pessoas presunçosas e vaidosas, que muitas vezes chegam a pensar que podem utilizar a oração para alcançarem os seus intentos egoístas. Nessa perspectiva aprendemos que para praticarmos uma oração sábia é necessário que antes aprendamos a cultivar a humildade conforme as Santas Escrituras.

No Antigo Testamento no Cap 6 de II Crônicas temos a oração de Salomão, o qual podemos apresentar como um grande exemplo de um homem que desenvolveu uma forma de orar que muito agradou ao Senhor, e foi a partir de uma oração sábia que Salomão alcançou o favor do Senhor. Um dia Deus apareceu em Sonho para Salomão dando-lhe a oportunidade pedir o que ele quisesse, porém ele pediu apenas sabedoria para governar o povo de Deus. Com essa atitude Salomão demonstrou que o seu coração estava voltado para os valores do Reino de Deus, ele não agiu de forma egoísta priorizando as suas necessidades pessoais, não estava muito preocupado com o seu próprio conforto pessoal. Com Salomão aprendemos o tipo de postura adequada na oração, para que as nossas palavras diante de Deus possam ter um efeito positivo.

Quando nos apresentamos na oração com uma postura humilde, conseqüentemente vamos nos utilizar de outro elemento muito importante no ato de orar, a confissão, pois todos nós somos pessoas imperfeitas e sujeitas a tropeçarmos diariamente em alguma coisa, por isso, vamos expressar a nossa necessidade do perdão e da misericórdia do Senhor. A confissão está presente em quase todo tipo de oração, pois quando oramos estamos confessando nossa finitude e nossa dependência de Deus. O ponto de partida da confissão é a profissão que Jesus é Deus. Esta confissão não pode ser apenas de meras palavras. Precisa ser o resultado de uma convicção profunda de que ele é a nossa única esperança e salvação eterna. No âmago dessa espécie de confissão profunda encontra-se a idéia de que não podemos atingir a salvação por nossos próprios recursos. Somos inteiramente dependentes de Jesus Cristo nosso Senhor e Salvador. No Evangelho de João encontramos uma promessa de Jesus Cristo que nos ajuda a esclarecer a necessidade de profissão de fé em seu nome; " E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o pai seja glorificado no filho. Se pedirdes algumas coisa em meu nome, eu o farei" (Jo 14.13,14). Quando oramos em nome de Cristo, estamos confessando nossa fé que ele é o Senhor, que tem poder para fazer o que pedimos, se esta for a sua vontade. A profissão inclui a sujeição da nossa vontade à de Deus.

Antes de pedirmos ao Senhor sobre determinado assunto, é preciso entregar-lhe toda honra e toda glória. Quando desistimos dos direitos, e desejamos a todo custo que apenas a vontade de Deus seja feita e que toda glória lhe seja dada. Então estamos prontos a receber de forma persistente a ele em oração. A alegria toma conta de nós quando participamos da glória de Deus "justificados, pois, pela fé, tenhamos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo, por quem obtivemos também nosso acesso pela fé a esta graça, na qual estamos firmes, e gloriamo-nos na esperança da glória de Deus" (Rm 5.1,2). Ao fazermos a vontade de Deus, abrimos mão do plano imperfeito que temos em favor do comando perfeito do Senhor.

Precisamos estar muito atentos com relação ao tipo de oração que podemos rotular de uma "oração sábia", pois existem muitos místicos que estão por ai se auto-proclamando "mestres da fé", e ensinando para as pessoas algumas fórmulas mágicas, um tipo de "abra-cadabra" evangélico. Dizem estes falsos mestres, que as pessoas precisam apenas acreditar e utilizarem as palavras certas, tais como: "eu decreto... eu determino... declaro...profetizo.. rejeito..., e tantas outras. Porém, tudo isso é um grande engano que ao se apropriar de uma técnica chamada de "sugestionamento psicológico" explora o emocional das pessoas para manipulá-las. A oração sábia e eficaz é assimilada por uma vida de compromisso e intimidade com o Senhor por meio de um discipulado contínuo no princípios bíblicos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A ORAÇÃO NO ANTIGO TESTAMENTO – Lição 2

A prática da oração é uma atividade sempre enfatizada nas páginas das escrituras, a começar pelos primeiros livros do Antigo Testamento. Antes da queda, Adão se comunicava com Deus de forma direta e pessoal, porém, o pecado o impossibilitou de continuar usufruindo desse livre acesso a Deus. A Bíblia silencia sobre o fato de Adão ter praticado alguma forma de oração, por outro lado diz em Gênesis 4.26 "E a Sete também nasceu um filho; e chamou o seu nome Enos; então se começou a invocar o nome do SENHOR" . è óbvio que essa expressão não quer dizer que os homens começaram a orar a partir da geração de Enos, isso nos revela que o próprio Adão teria instruído aos seus descendentes acerca da importância da oração, cuja a ênfase maior foi dada a partir dessa data, temos ai o estabelecimento do marco divino sobre a necessidade que os homens tem em exercitar a oração para que possam manter contato com Deus.

Os patriarcas de Israel tinham na oração sua principal arma de superação. Podemos citar Abrão no cap. 15 de Gênesis. Deus havia prometido para Abrão que ele seria pai de uma grande nação, porém, alguns anos tinham passado, Abrão tinha envelhecido e agora parecia um tanto fragilizado para continuar crendo na promessa de Deus. Nesse contexto de ansiedade e frustração Abrão entra na sua tenda para orar, e antes que ele apresente suas queixas, Deus procura fortalecer o coração dele: "Depois destas coisas veio a palavra do SENHOR a Abrão em visão, dizendo: Não temas, Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão" Gn 15.1. Abrão estava tão frustrado que já estava fazendo planos na contra-mão do projeto que Deus já tinha estabelecido. No v. 5 Deus convida Abrão para sair da tenda e caminhar com Ele, e então, mostrar-lhe que a promessa permanece firme. Aprendemos com esse episódio bíblico que no Antigo Testamento a oração não se baseava apenas numa forma litúrgica pré-definida, porém, numa experiência profundamente existencial, na qual os indivíduos também tinham a oportunidade de expressar os mais profundos dilemas da sua própria existência, para que o próprio Deus pudesse lhes proporcionar as respostas que pudessem resolver suas crises existenciais e espirituais. Em situação semelhante temos também o caso de Jacó, que sentindo-se ameaçado por uma possível vingança da parte do irmão Esaú, desceu ao vale de Jaboque para reivindicar a proteção e o livramento do Senhor.

A oração nos ministério profético do Antigo Testamento possuía um aspecto bem mais abrangente do que as próprias necessidades do profeta. Os profetas tinham a oração como um recurso para chamar a atenção de Deus em relação aos problemas morais, éticos e espirituais do povo de Deus e da sociedade como um todo. Sua oração reivindica o estabelecimento da justiça social e da submissão a verdade de Deus por parte dos homens. Pelo fato do profeta ser um homem de ação e não um intelectual teórico, o elemento intelectual na oração profética ocupa um papel secundário. O profeta é um indivíduo que confia na possibilidade da sociedade ser totalmente transformada pela palavra de Deus. Suas orações refletem sempre esta problemática. Ele clama ao Senhor, pedindo que aja com justiça no meio da injustiça dos homens. Suas orações sempre refletem uma aguda preocupação pelo bem-estar social do povo entre o qual encontra-se inserido. Moisés foi um grande exemplo de altruísmo, o qual intercedeu pelo povo de uma forma tão contundente, que o fez chegar ao extremo da apelação, ao dizer para Deus que se Ele não perdoasse e poupasse o povo da destruição, então que tirasse o nome dele o "livro da vida". Apesar de parecer chantagem e ousadia da parte de Moisés, Deus não julgou dessa forma, pois viu naquele profeta um homem que amava extremamente o seu povo, e que estava disposto a abrir mão dos seus privilégios para ficar ao lado desse povo. A ousadia de Moisés se fundamenta no fato de que ele confiava muito no poder da intercessão.

Outro grupo importante nesse contexto são os sacerdotes. Estes personagens são fundamentais para o desenvolvimento da religião judaica. Os sacerdotes tinham por missão regulamentar os sacrifícios e dar respostas a quem vinha consultar a Deus. Usavam para este efeito meios apropriados, como os Urim e os Tumim, espécies de dados que o sacerdote leva num avental guarnecido de bolso. A decisão conseguida mediante Urim e Tumim era chamada Tôrah, lei. O sacerdote era intermediário entre o povo e a divindade. O cargo sacerdotal transmitia-se hereditariamente. O Antigo Testamento conhecia famílias e mesmo dinastias de sacerdotes, como a dinastia que Eli fundou em Siló, ou Aimeleque em Nobe (I Sm 21 ). Os sacerdotes desempenhavam a missão do culto oficial, isto é, do conjunto de orações e de gestos simbólicos que visavam conservar a santidade. Centralizava-se o culto em torno do sacrifício, que é uma oblação feita a Deus. Os particulares ofereciam sacrifícios para expressar sua gratidão, para pagar um voto, para conseguir a remissão duma culpa, ou para apoiar uma súplica. A oração dos sacerdotes conserva as características das orações dos profetas. Além disso ela possui suas próprias características. Geralmente, a oração sacerdotal é feita em público. Por este fato, ela não é mística, nem profundamente pessoal, ou intelectual. Isto só seria possível numa congregação altamente instruída. Ela também não é essencialmente profética, pois não abrange assuntos mais vastos à justiça social. A oração sacerdotal funciona como forma de exortação. Por causa de seu caráter público, tende a ser ritualística em sua natureza.

Um dos grandes símbolos da oração no antigo testamento é o Altar de Incenso. A todos os sacerdotes era permitido ministrar diante do altar de incenso, mas as escrituras salientam mais o ministério do sumo sacerdote diante daquele altar. Assim, a ênfase principal deste altar é a mediação do nosso Senhor Jesus como Sumo Sacerdote, pois a nossas orações só serão aceitas por Deus se forem feitas no nome de Jesus. O altar de ouro ou de incenso representa Cristo como Sacerdote e nós nos alegramos em saber que Aquele que é o nosso Sacerdote é homem. Ele é humano, O Nome dEle é Jesus. Ele conhece o nosso mundo. Ele esteve aqui. Ele passou por todas as circunstâncias nesta vida. Outro elemento de grande importância aqui é o incenso que ali era queimado. As instruções divinas alusivas à composição do incenso eram muito rigorosas e pormenorizadas (Êxodo 30.34-38). Das Escrituras aprendemos que os ingredientes usados eram de qualidade rara e preciosa; havia proporções iguais e os ingredientes misturados constituíam uma fórmula que não era permitido imitar; as diversas especiarias deviam ser moídas e pisadas e convenientemente preparadas para o incenso ser queimado no fogo. Aqui temos uma tipologia que aponta para o tipo de oração eficaz. Para que as nossas orações agradem a Deus precisamos cultivar uma vida cujos os princípios estejam em harmonia com a Palavra do Senhor. Jesus disse: "Se vós estiverdes em mim e as minhas em vós, tudo que pedirdes vos será feito". Quando reconhecemos a Jesus como Salvador e Senhor de nossas vidas e procuramos viver uma vida de humildade e submissão a palavra dEle, nos tornamos habilitados para apresentarmos orações agradáveis diante do altar do Senhor, as quais subirão como cheiro suave até as narinas do Eterno Deus, assim como acontecia com o incenso que era queimado no altar.

Quero concluir essa reflexão mencionando uma das mais belas e poderosas orações do Antigo Testamento. O autor dessa oração não é um personagem bíblico famoso, pois talvez muitos cristãos nem sequer lembram ter lido ou ouvido falar sobre dele. (I Crônicas 4.9-10) "E foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; e sua mãe deu-lhe o nome de Jabez, dizendo: Porquanto com dores o dei à luz. Porque Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Se me abençoares muitíssimo, e meus termos ampliares, e a tua mão for comigo, e fizeres que do mal não seja afligido! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido. Segundo a Biblia Jabez foi um homem muito ilustre, e sua grande virtude é que ele era um homem, cuja a oração era eficaz. Observe que esse capítulo 4 de I Crônicas apresenta uma genealogia, geração após geração está passando, e entre todas elas devem ter existido grandes guerreiros, administradores, construtores, sábios, oradores,porém, nenhuma dessas atividades foi mais importante do que a desempenhada por Jabez, buscar o sucesso por meio da oração. Olhando por essa perspectiva apreendemos sobre o alto pedestal que o Antigo Testamento coloca a oração. Se queremos ser verdadeiramente exaltados pelo Senhor assim como foi Jabez, precisamos antes de qualquer coisa sermos obreiros com um ministério de oração eficaz. Existem muitos que estão mergulhados em grande ativismo, seja em ministérios de pregação, de ensino, administração de igrejas, empreendimentos, e tantas coisas nas quais buscam reconhecimento e até mesmo eternizarem os seus próprios nomes. Todavia, estão se esquecendo que é por meio de uma existência humilde, que muitas vezes passa desapercebida das pessoas aqui, mas que alcança uma grandeza imensa diante do Senhor. Existem muitos Jabez por ai que estão sendo desprezados e desvalorizados, que não atraem a atenção de muita gente, mas sobre estes, o próprio Senhor vai dizer um dia: " E foi Jabez mais Ilustre do que todos os seus irmãos".

domingo, 3 de outubro de 2010

O PASTOR SILAS MALAFAIA E SUA MUDANÇA NÃO JUSTIFICADA

Vários blogs colocaram postagens sobre a última peripécia do Pastor da igreja "Vitória em Cristo", Silas Malafaia. O Fato é que o Pastor Silas que já tinha declarado o seu voto para a candidata Marina Silva e já fazia algum tempo, repentinamente declarou que não votaria mais na Marina e sim no candidato José Serra. Apesar dessa noticia ter sido um tanto bombástica para algumas pessoas, não foi tão surpreendente para aqueles que já perceberam que o Pastor Silas tem se revelado um bom articulador político, o qual sabe muito bem se aproveitar das situações para se auto-promover, foi nesse contexto que renunciou ao cargo de vice-presidente da CGADB, saindo como "bom moço" e ainda desferindo os seus "dardos inflamados" contra a instituição, a qual estava enfrentando uma crise administrativa e proporcionou as bases para os supostos argumentos do Pr. Silas, para que ele pudesse sair com o estilo que lhe é peculiar. Outra grande manobra do Pr. Silas, logo após a morte do Pr. Presidente da Assembléia de Deus do Ministério da Penha, foi a mudança do nome do Ministério para "Vitória em Cristo" que é a sua Marca registrada, por que não outro nome? O que parece é que a igreja foi anexada a fundação dele, ou porque não dizer, ao ministério que projeta o nome do próprio Silas Malafaia.

Então, o que podemos entender pela lógica dos fatos, é que possivelmente a mudança da opção política do Pr. Silas esteja mais uma vez motivada por algum interesse pessoal, de repente alguém entendeu que o candidato José Serra, caso vença as eleições possa fazer uma doação maior para o ministério "Vitória em Cristo". Quem sabe uma concessão para um canal de televisão que poderia se chamar "TV Vitória em Serra" ou desculpe "Vitória em Cristo".

Me perdoem, se estou desagradando algumas pessoas, porém estou apenas expressando os meus pensamentos, o que faz parte do processo democrático no qual estamos inseridos. Como disse estou apenas usando o raciocínio lógico, pois, as explicações dadas pelo Pr. Silas para essa sua mudança repentina, é totalmente injustificável, tendo em vista que ele, e todos tinham o conhecimento, e já há bastante tempo, das posições da candidata Marina Silva, as constituem as supostas razões apresentadas pelo Silas para "virar a casaca", então é melhor ele contar outra que essa ai "é conversa para boi dormir".

O Pr. Silas ou qualquer outro cidadão tem o direito de mudar o seu voto a qualquer momento, porém, eu entendo que não fica bem para um Pastor e pregador do evangelho ser tão instável nas suas escolhas e ainda apresentar justificativas escusas para camuflar seus verdadeiros interesses.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

O QUE É ORAÇÃO - Lição 1

Qualquer cristão, por mais simples que seja, está habilitado para fornecer uma definição coerente sobre oração. Pois, esta é uma prática imprescindível na vida religiosa daqueles que têm uma experiência real com Deus. De uma forma objetiva todos podem dizer que orar é simplesmente "falar com Deus", pois também é dessa forma que o Salmo 4.3 conceitua a oração "Sabei que o Senhor separou para si aquele que é piedoso; o Senhor me ouve quando clamo a ele". Segundo Caio Fábio "Do ponto de vista bíblico orar é ora-ação. É desencadear poderes no interior humano e no céu os quais se transformaram em ações as mais eficazes na terra. É ato de conspiração com o mais forte de todos os aliados. É subverter situações e dar um golpe de estado nas coisas imutáveis".

A oração é o derramar de modo sincero, consciente e afetuoso o coração ou a alma diante de Deus, por meio de Cristo, no poder e ajuda do Espírito Santo, buscando as coisas que Deus prometeu, ou que são conforme a sua palavra, com fé e submissão à vontade de Deus". "(John Bunyan).

A oração é a experiência religiosa mais comum entre os seres humanos. Ela é o cérebro da religião. È pilastra principal de toda piedade humana. È a essência da fé cristã. Lutero afirmou que aquele que não ora ou não invoca a Deus na hora da necessidade, certamente não o considera como Deus, nem lhe dá a honra que lhe é devida". Pela prática a oração podemos medir com segurança o grau de religiosidade de uma pessoa. Isto é possível, porque a oração é o elemento central do comportamento religioso.

"A oração genuína e total nada mais é do que o amor", definiu Agostinho. Nas palavras de O. Hallesby, a essência da oração é abrirmos a porta de nossas vidas para o Cristo ressurreto: "Eis que estou à porta e bato; se alguém(...) abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo" (Ap 3.20). Orar é pedir a Deus que entre em nossa condição humana, e em todas as nossas muitas necessidades e inunde a nossa insensibilidade espiritual com seu poder ressuscitador.

A oração, portanto, é uma relação interpessoal. Ela é um chamado de pessoa para pessoa; por isso, exige uma resposta. Podemos afirmar que a oração é a línguagem universal da religião em toda parte. Ela expressa o desejo da alma, proferido ou inexprimido. Em todas as épocas, em todos os países, entre todas as tribos primitivas ou sofisticadas, membros de igrejas elevam em oração, até o trono de Deus, suas mais profundas aspirações religiosas. Não restam dúvidas sobre o fato de a oração ser uma linguagem da experiência religiosa. Assim como as aves cantam e os leões rugem para exprimir emoções e fazer sinais para outros, o ser humano expressa a Deus suas necessidades, sucessos e fracassos por meio da oração. Assim como a respiração é indispensável para o corpo, a oração é igualmente indispensável para a vida espiritual do ser humano. Apesar de encontrarmos na Palavra de Deus uma definição para o fenômeno da oração, seu poder é demonstrado na vida dos filhos de Deus em qualquer parte das Escrituras. Suas experiências com Deus estão registradas para nossa edificação espiritual. Suas vidas são verdadeiros exemplos para nós na atualidade.

Vários são os termos usados na Bíblia Sagrada para descrever a experiência de oração "clamar a Deus" (Sl 130.1); "elevar a alma a Deus" (Sl 25.1); "Buscar o rosto de Deus" (Sl 27.8); "Prostrar-se diante do Senhor" (Sl 95.6); "derramar perante o Senhor o nosso coração" (Sl 62.8); "suplicar, orar, interceder, agradecer" (i Tm 2.1); "invocar o nome do Senhor" (Sl 116.4); "dobrar os joelhos perante o Pai" (Ef 3.14); e "esperar diante do Senhor" (Hb 10.22,23). A Bíblia Sagrada é o grande livro-texto sobre a oração. Na prática da oração colocamos à prova suas grandes e preciosas promessas e comprovamos sua fidelidade.

A NECESSIDADE DA ORAÇÃO

Se Deus já conhece as minhas necessidades, por que devo orar? Será que devo amolar a Deus com detalhes insignificantes da minha vida particular, se existem questões de muito maior importância no mundo? A resposta que encontramos é que Deus deseja dialogar conosco. Ele tem interesse por nós. Da mesma forma que anelamos por nossos filhos compartilharem conosco os detalhes corriqueiros de seu dia, também Deus anela por ouvir de nós os menores detalhes de nossa vida. Podemos enumerar outras razões: orar é um mandamento divino (Mt 7.7,8); a verdadeira oração exige temor a Deus (Jo 9.31); a oração revela e produz humildade (Dn 9.17-19); a oração nos convence de que aquilo que recebemos veio das mãos de Deus, gerando em nós a gratidão (1 Cr 29.14); através da oração descansamos (Sl 37.1-7); descobrimos os tesouros de Deus (Cl 2.1-3); a oração libera benções de Deus (Jo 15.7).

ELEMENTOS HISTÓRICOS DA ORAÇÃO

INVOCAÇÃO – O primeiro elemento da oração é a invocação do nome do ser divino e seus atributos pessoais. Geralmente esta invocação da presença de Deus é feita com frases exclamativas como: "ouve-me!"; ouve-nos!" ; "ouve a nossa voz!"; "ouve a nossa súplica!", ou frases semelhantes. Geralmente a pessoa acrescenta ao nome de Deus um título que expressa uma relação social para com ele. Desta forma os títulos mãe, pai, senhor, substituem o nome de Deus que está sendo invocado. Na invocação, as pessoas comumente fazem menção ao local da habitação onde encontra-se a divindade: "Ó Deus que estás nas alturas". Um outro fator interessante na invocação é que, geralmente, o deus invocado pelo adorador é uma possessão dele. O pronome "nosso" apresenta uma idéia sectarista. O Deus invocado é apenas daquela tribo ou daquele povo.

QUESTIONAMENTO – A oração primitiva acentua com freqüência um grito de protesto ou questionamento do orador. Transparece a insatisfação do homem que ora com relação à divindade a quem ora. Na oração primitiva o homem defende sua inocência e reclama por estar sendo punido injustamente. Esta característica da oração primitiva torna-se mais evidente diante dos mistérios do sofrimento e da morte.

PETIÇÃO – A petição é o ponto central da oração primitiva. "O homem primitivo ora quase exclusivamente por coisas úteis ou que contribuem para sua felicidade pessoal. Mesmo quando ele ora por algo de valor estético e social, como às vezes o faz, há sempre em sua oração um toque de hedonismo egoístico. Nas petições do homem primitivo, a vida e a saúde são preocupações primárias. A colheita e o rebanho são extremamente valorizados, pois representam a sua própria sobrevivência.

INTERCESSÃO – O homem primitivo já apresenta a preocupação com o bem-estar dos demais membros de sua tribo ou família. Esta preocupação leva-o a interceder por ele. Esse estágio da oração é adiantado, e, portanto, não encontramos com muita freqüência no homem primitivo.

MEIO DE PERSUASÃO – A oração era usada pelo homem primitivo como um meio de convencer a divindade a favorecê-lo. Através da oração ele procurava levar a divindade a aceder a seus desejos. A base de sua oração persuasiva estava na perfeição moral,. Quando sua alegação tornava-se descabida, por causa das evidências de seu comportamento, ele recorria à compaixão de Deus. A expressão "tem misericórdia de mim" é uma forma comum de persuasão na oração.

AÇÃO DE GRAÇAS – Desde os tempos mais remotos os homens já apresentam este ato de piedade e devoção de agradecer ao seu deus ou divindade o benefício recebido. A atitude de ação de graças é seqüela natural à oração de petição. Após receber alguma coisa da parte de Deus ou divindade o homem primitivo apresentava sua gratidão.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

DOUTRINAS EQUIVOCADAS SOBRE A TRINDADE

O Triteísmo nega a unidade da essência de Deus e afirma que há três Deuses distintos. A única unidade que reconhece é a de propósito e esforço. Alegam que Deus são três pessoas, e cada pessoa, plenamente Deus. Portanto, existem três deuses. Durante a história da Igreja foram poucos os seguidores desta concepção de Deus que mais se relacionava com algumas religiões pagãs que pregavam uma multiplicidade de deuses. Os pais capadocianos (Gregório de Nazianzo, Basílio Magno e Gregório de Nissa), foram acusados de defender esta doutrina, na verdade, eles foram acusados mesmo, de dá uma idéia hierarquizada da Trindade.

O Sabelianismo, Modalismo ou Monarquianismo Modalista (doutrina formulada no terceiro século por um Pregador chamado Sabélio que viveu em Roma, que afirmava só existir uma única pessoa como sendo Deus, “Absoluto”, “Monarca” no Universo). Afirma que Deus se revelou a nós de três formas diferentes ou modos. Uma trindade de revelação, mas não de natureza. Diziam que Deus como Pai era o Criador e o Legislador;, o Deus do Antigo Testamento por exemplo se revelou como “Pai”; como Filho, no Novo Testamento era o mesmo Deus encarnado que cumpre a tarefa de Redentor; e como Espírito Santo, era o mesmo Deus na obra de regeneração e santificação através da revelação no dia de Pentecoste e está ativo na Igreja. Segundo alguns teólogos, essa crença, negava a doutrina da Trindade, pois estas não são três distinções na essência, mas três qualidades da mesma pessoa. (THIESSEN, 1997 p. 87) ver também (GRUNDEM, 1999 p. 178)

O Arianismo (doutrina que nega a plena divindade de Cristo e do Espírito Santo). Esta doutrina foi formulada por Ário Bispo de Alexandria, falecido em 336 d.C. As doutrinas de Ário foram condenadas no Concílio de Nicéia em 325 d.C. Ário pregava que Jesus em algum momento fora criado por Deus Pai e que, portanto, antes desse momento tanto o Filho quanto o Espírito Santo não existiam. Afirmava que Cristo poderia ser até “igual ao Pai” ou “semelhante ao Pai” mas não da mesma natureza. Baseava-se nos textos que chamam Cristo de Filho “Unigênito” do Pai Jo 1.14; 3.16,18; I Jo 4.9 sendo Ele gerado do Pai Cl 1.15.

Obs. O texto de Colossenses 1.15 que chama Cristo de “primogênito de toda criação” deve ser compreendido assim: Cristo os direitos e privilégios do “primogênito”, ou seja, segundo os usos e costumes bíblicos, o direito de liderança ou autoridade na família durante a sua geração. (Hb 12.16) Colossenses 1.15 significa que Cristo tem os privilégios da autoridade e do governo, no que tange a toda a criação. (GRUNDEM, 1999 p. 180).

O Subordinacionismo (doutrina que aceitando a eternidade do Filho negava ser Ele igual ao Pai em seu ser e seus atributos). Entendia uma subordinação do Filho ao Pai, ou seja, o Filho era inferior ao Pai. Orígenes (185 a 254 d.C.) um dos pais da Igreja Primitiva, advogava uma forma de subordinacionismo ao sustentar que o Filho é inferior ao Pai no seu ser e que deriva eternamente o seu ser do Pai.

O Adocianismo (doutrina que nega a eternidade do filho, entendendo que Ele viveu como um homem comum até o seu batismo, quando Deus o “adotou” como “Filho” conferindo-lhe poderes sobrenaturais). Os Adocianistas não concordariam que Cristo existia antes de ter nascido como homem; portanto, não considerariam Cristo Eterno, nem o enxergavam como ser sublime e sobrenatural criado por Deus, que era a crença dos arianos. Mesmo depois da “adoção de Jesus como Filho de Deus”, eles não o julgavam detentor de uma natureza divina, mais apenas um homem sublime que Deus chama de “Filho num sentido único”. (GRUNDEM, 1999 p. 180).