sábado, 29 de janeiro de 2011

SINAIS E MARAVILHAS NA IGREJA – Lição 5

Os milagres são uma realidade histórica, eles estão presentes em todas as épocas, registrados de maneira indubitável para o nosso conhecimento. A história do homem do homem está ornamentada com feitos extraordinários. Os milagres nunca cessaram, isto é reconhecido quando analisamos a história de uma forma geral, e a vida da igreja de modo específico, Igreja primitiva, Medieval, Reformada, Moderna, e Contemporânea, mostram-nos milagres. É verdade que eles não aconteceram uniformemente, aconteceram de formas diferentes, com maior ou menor intensidade em alguns lugares e outros não. E mesmo nos lugares onde aconteceram com maior intensidade, posteriormente cessaram, mas surgindo em outros lugares. Cremos que os milagres são atos extraordinários de Deus, intervindo na história para auxiliar o seu povo, em tempos de dificuldades, em perseguições, na pregação do Evangelho. Embora existam certos períodos de relativa ausência, isto se deve ao uso soberano da própria vontade de Deus, que é segundo Seu propósito. Por ISS não devemos limitar os milagres a épocas passadas, pois ao fazê-lo limitamos também os atos extraordinários de Deus. Embora muitos queiram afirmar que o mundo mudou também em relação aos milagres, e que estes são mais necessários, temos dificuldades históricas para sustentar tal afirmação. As atitudes em relação ao sobrenatural continuam as mesmas, por parte do homem sacrifícios são oferecidos aos demônios, de modo semelhante ao que contemplamos na história da igreja primitiva, sangue e animais são oferecidos em sacrifícios idólatras, existe uma busca contínua ao sobrenatural. Embora as pessoas sejam diferentes as atitudes são as mesmas, existem algumas diferenças é verdade! Mas também muitas semelhanças. Historicamente, os milagres estão presentes em todas as épocas. Na atualidade eles também estão presentes. Se não estão presentes em todos os lugares, se não acontecem diariamente, se não acontecem diante dos nossos olhos, não podemos negar a relevância do testamento histórico, não podemos negar a história, não podemos negar os milagres.

A TEOLOGIA E O MILAGRE

Apesar de um assunto que envolve questões etimológicas, terminológicas e cientificas, o assunto "milagre"é um assunto essencialmente teológico. As teologias sistemáticas não lhe atribuem relevantes destaques. O assunto milagres absorve apenas pequenos tópicos nas teologias sistemáticas. Na teologia dogmática os milagres recebem destaque apenas na teologia de Tomáz de Aquino. Como parte da teologia de forma integral envolve a teologia própria, a cristologia, a antropologia e a pneumatologia. Os período em que encontramos a maior parte dos escritos sobre milagres são: o período de Agostinho, o grande teólogo da Patrística, que viveu entre os anos 354-430 d.C. no norte da África. Neste período, encontramos nos escritos, deste teólogo pai da igreja, a mais completa opinião sobre milagres. Agostinho opina sobre a quase totalidade dos temas polêmicos sobre milagres. Estudar o pensamento de Agostinho sobre milagres é dos mais deslumbrantes assuntos da teologia desse período. O segundo período onde encontramos outra quantidade considerável de escritos sobre milagres é o final do Século Dezenove e o princípio do Século Vinte. Nesse período surgiram os mais famosos escritos sobre o tema "milagres". J>B. Mosley, B.B. Warfield, Johannes Wendland são teólogos reformados que nos deixaram muitos escritos sobre milagres. Estes trabalhos teológicos responderam às necessidades da época, mas novos fatos foram acrescidos à vida a igreja; o movimento pentecostal cresceu, surgindo inúmeros movimentos cuja a ênfase principal é o milagre, o mundo decepcionado com o fracasso da ciência, em oferecer-lhe plena satisfação espiritual, volta-se para o misticismo. O desafio cresceu, continua, urge a necessidade de esclarecimento bíblico correto, a necessidade de uma perspectiva sobre os milagres para os nossos dias.

DEFINIÇÃO TEOLÓGICA DO TERMO MILAGRE.

Temos aqui as definições apresentadas por famosos biblicistas: A. Kuipper. "É a vida interpretando energia de Deus, quebrando todas as posições em face das desordens trazidas". Para Baker, "É um fenômeno efetuado por Deus, que arrastae desvia a sequência natural". Já o teólogo Shaffer diz"É o que osbrepassa o mundo físico, o conhecimento humano e poderes morais e, portanto, demonstra a agência do sobrenatural". E por fim temos Tomaz de Aquino "O nome de milagre vem de admiração. Tal qual surge ante a presença de efeitos cujas causas são desconhecidas".

Estas posições refletem influências filosóficas sofridas pelos respectivos autores em suas teologias. Expressões como "Violação das leis naturais" demonstram uma influência típica, do supranaturalismo, servindo servindo de um bom exemplo. Agostinho, por exemplo, discordava desta posição e argumentava contra a definição partindo do princípio de que Deus não precisa quebrar as suas próprias leis para realizar algo extraordinário, pois se assim o fizer está estabelecendo um princípio de desordem no mundo. A idéia de uma lei superior é característica da influência da terminologia presente na cultura enciclopedista do Século Doze onde predominavam as definições etimológicas, porém a definição etimológica grega, usada por Aquino PE incompleta. O milagre é mais do que espanto. É notório ainda que, estas definições históricas desconhecem o elemento espiritual, aludido pelos teólogos contemporâneos como milagre e de merecido destaque, pois, segundo Tomaz de Aquino, as transformações espirituais são os milagres. Na realidade, o tempo acrescentou novos elementos, o avanço semântico o termo exige uma nova definição que possa ser mais abrangente e completa. Portanto, definimos o milagre como: "Uma intervenção sobrenatural".

sábado, 22 de janeiro de 2011

O poder Irresistível da Comunhão na Igreja – Lição 4

Para iniciar nossa reflexão sobre Comunhão, entendendo que seja necessário nos atermos um pouco nos termos gregos "Koiné" e "Koinonia". Koiné foi o nome dado a uma variedade lingüística do idioma grego e significava "dialeto comum", pois essa era a variedade lingüística compartilhada pela maioria das pessoas nos primeiros séculos da existência da igreja Cristã. A Palavra kononia (que significa comunhão) é derivada do termo koiné, a partir dessa relação podemos dizer que a comunhão pode ser expressa entre dois ou mais seres humanos quando existirem entre ambos experiências que sejam compartilhadas de uma forma aprofundada. Nessa perspectiva observamos que o nível da comunhão de uma pessoa com Deus e com seus semelhantes será medido pela quantidade e extensão das coisas e situações que essa pessoa compartilha com ambos. A comunhão cristã pode ser ensinada por meio de um discurso bem elaborado, todavia se transforma numa prática pedagógica ineficaz quando não é acompanhada de uma práxis compatível. O poder da comunhão se expressa numa prática diária como resultado de um coração transbordante do amor de Cristo. É lamentável, mas temos que admitir que estamos vivendo numa época de muita hipocrisia, pois, temos muitos discursos inflamados nessa área, na qual pregadores eloqüentes, gritam, esbravejam para que os membros da igreja vivam em união "Ó quão bom e quão suave é os irmãos vivam em união.." esse talvez seja um dos Salmos mais citados nos chamados cultos de doutrina de muitas denominações, porém, as relações pessoais não são tão suaves, mas na verdade um tanto conturbadas, as que vivemos na maioria das denominações evangélicas da atualidade, caracterizando uma realidade muito antagônica. Neste domingo muitos estarão pregando uma "koinonia denominacional", como se fossem os únicos com o direito de ostentarem o título de "povo de Deus". Essa prática exclusivista e farisaica tem prejudicado tremendamente a visão de muitos servos de Deus, que devido a esse tipo de ensino deturpado, que visa muito mais a manutenção de interesses eclesiásticos (poder e dinheiro) do que o amadurecimento espiritual dos crentes, muitos crentes olham para irmãos de outras denominações com uma expressão de superioridade ou até mesmo de desprezo, pois foram ensinados que suas tradições, as quais confundem com doutrinas bíblicas, os tornam privilegiados diante de Deus. A parte mais triste é que tais atitudes não são externalizadas apenas por pessoas com pouco conhecimento bíblico, mas também por líderes de grandes igrejas, que de púlpito pregam "comunhão" e quase que simultaneamente chamam de inimigos e desviados, irmãos que ostentam o mesmo rótulo denominacional, só porque pertencem a uma outra convenção. A cada dia que passa estamos perdendo os "pontos comuns", e isso está concorrendo para uma gradativa fragmentação da igreja, estamos nos distanciando da visão de uma "igreja universal". Eu compreendo que para que sejam vencidas as barreiras denominacionais que permitam uma prática da koinonia bíblica, não é necessário nenhum um tipo de ecumenismo protestante, é necessário que as lideranças tenham suas visões do reino de Deus alargadas, a partir de uma profunda experiência com o amor de Deus, e assim estejam aptos para abrir de mão de muitos interesses baseados em puro egoísmo. A comunhão bíblica no âmbito da igreja como corpo de Cristo, pode desenvolvida a partir do momento em que aprendermos a lidar com as diferenças, respeitando-nos uns outros sem discriminarmos alguém por causa de um hábito ou costume que não nos agrada. Conforme apresentada pelo termo koinonia, nós temos uma boa orientação melhorarmos a nossa comunhão, só precisamos criar mais elos, situações que possam ser compartilhadas, nas quais teremos sempre a oportunidade de manifestarmos o amor de Cristo que habita em nós. Por outro lado quando estabelecemos barreiras e limites para nos relacionarmos com outros irmãos, estamos simplesmente andando na "contra-mão" da comunhão, promovendo dessa forma o esfacelamento e fragmentação do Corpo de Cristo. Poucas pessoas se arriscam em afirmar que o Corpo de Cristo restringe-se tão somente a denominação na qual eles estão inclusos, porém, as ações de muitos crentes nos levam a crer que realmente os tais acreditam nisso.

Eu acho que nesse ponto sobre a comunhão já existe ensino até mais do que necessário para cada de um de nós, o que falta em cada um, é coragem e força de vontade para renunciar alguns dos nossos valores pessoais em prol do próximo. O povo tem se frustrado diariamente dentro das igrejas, pois estão sempre percebendo a distancia que existe (no assunto da comunhão) entre o discurso e a prática. Apesar de ter abordado um aspecto um tanto negativo da prática da igreja atual, eu contínuo a cultivar a esperança de que possamos despertar para investirmos no desenvolvimento de uma comunhão que vá além dos contextos convencionais e denominacionais, pois, conheço alguns homens Deus nesse pais que comungam com esse ideal.

A palavra grega koinwnia aparece 20 vezes em o Novo Testamento (veja lista no final): em 12 ocasiões é traduzida por comunhão, em 4 por comunicação, 1 por dons, 1 por cooperação, 1 por dispensação e 1 por coleta. A palavra portuguesa “comunhão” vem do latim communione , que significa “ter algo em comum”. É o sentido primário desta palavra grega, uma vez que ela é derivada de koinoj (koinós - comum). Mostra o ideal da fé cristã, onde não deve haver um povo com doutrinas divergentes, ideais divergentes, deuses diferentes... É o ideal de Atos 2.44: “Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum”. E a unidade da Igreja, mostrada em Efésios 4.3 – 6: “procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos”. Porém é mais do que simples ideais em comum. A palavra também significa compartilhar. E este compartilhar pode ser demonstrado através da comunicação (“deste serviço” – 2 Co 8.4; “de suas aflições [de Cristo] – Fp 3.10; “da tua fé” – Fm 1.6; “comunicação [cristã, do evangelho]” – Hb 13.16). Este compartilhar também pode ser demonstrado pela preocupação profunda com o próximo, quando Paulo fala dos “dons” (contribuições) que os coríntios deram com liberalidade (2 Co 9.13) e da “coleta” que pareceu bem à Macedônia e à Acaia fazer para Jerusalém (Rm 15.26). Este compartilhar também fala de cooperação (Fp 1.5), de trabalhar juntamente com o seu irmão em Cristo para o crescimento da Obra. E este compartilhar também denota uma mordomia, um senso profundo de responsabilidade dos bens alheios (veja mais à frente o sentido de Lv 6.2 na Septuaginta), pois muitos fazem a palavra koinwnia derivar de oikonomia (oikonomia – mordomia). Por isto, em Ef 3.9 , alguns manuscritos trazem koinwnia e outros oikonomia (em português, optou-se em traduzir por “dispensação”, sentido que está mais próximo deoikonomia; na Versão Autorizada inglesa, usa-se fellowship – “companheirismo”, sentido mais próximo de koinwnia.

Porém há um detalhe a mais todo especial neste compartilhar. Jamais haverá uma comunhão perfeita se não houver relações próximas profundas – um companheirismo.Embora em possa ter uma perfeita comunhão na fé com um irmão chinês, por exemplo, isto não se compara com o compartilhar que eu tenho com aquele irmão que estou sempre em contato aonde congrego. Este sentido dado à koinwnia é mais forte; tanto que, na Versão Autorizada inglesa , koinwnia é traduzida 12 vezes por fellowship (companheirismo). Entendendo koinwnia por este outro ângulo, os versículos que em português trazem “comunhão” ganham um novo e profundo entendimento... Por este motivo A Bíblia Na Linguagem de Hoje traduz 1 João 1.3 assim: “Contamos a vocês o que vimos e ouvimos para que vocês estejam unidos conosco, assim como nós estamos unidos com o Pai e com Jesus Cristo, o seu Filho”.


quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

O DERRAMAMENTO DO ESPÍRITO SANTO NO PENTECOSTES – Lição 3

De repente, sem prévio aviso, um som veio do céu como de um vento impetuoso ou m tufão. Mas era o ruído que enchia a casa e os envolvia, e não um vento real. O vento devia recordar-nos as manifestações divinas do Antigo Testamento. Deus falou a Jó dum redemoinho (Jó 38.1; 40.6); um forte vento oriental abriu o caminho através do mar Vermelho, ajudando os israelitas a escaparem do Egito pisando terra seca (Êxodo 14.21). O vento era também, símbolo freqüente do Espírito no Antigo Testamento (Ez 37.9, 10, e 14, por exemplo). Jesus também usou o vento para falar do Espírito (Jo 3.8). O ruído do vento indicava aos presentes que Deus estava para se manifestar, bem como seu Espírito, de uma forma especial. Aquele som era o de um vento que, trazendo poder, também falava do poder que lhes seria conferido conforme a promessa de Jesus em Atos 1.8, um poder para o serviço. Subitamente, apareceram línguas distribuídas como línguas. Alguma coisa que parecia uma porção de flamas se dividiu, e uma só língua, semelhante a uma labareda de fogo pousou sobre a cabeça de cada um, homens e mulheres. Na realidade, não havia fogo real, e ninguém se queimou. Mas o fogo e a luz eram símbolos comuns da presença divina, como no caso da sarça ardente (Ex. 3.2), e, também, na aparição do Senhor em fogo no Monte Sinai depois que o povo de Israel aceitou o Antigo Pacto (Êxodo 19.18). Alguns supõe que essas línguas constituíam um batismo de fogo purificador. Entretanto, os corações e as mentes dos 120 estavam já abertos à ressurreição de Cristo, já purificados, já cheios de louvor e alegria (Lc 24.52, 53), já responsivos à Palavra inspirada pelo Espírito (At 1.16), já unânimes. Mais do que purificação ou condenação, o fogo aqui significava a aceitação, por parte de Deus, do corpo da Igreja como o templos do Espírito (I Co 6.19). Assim, a Bíblia deixa claro que a Igreja já existia antes do batismo pentecostal. Hebreus 9.15, 17 mostra que foi a morte de Cristo que pôs em vigor o Novo Pacto. Desde o dia da ressurreição, quando Jesus assopro sobre os discípulos, a Igreja estava constituída como um Corpo da nova aliança. É importante notar que estes sinais precederam o batismo pentecostal ou os dons do Espírito. Não faziam parte dele, nem foram repetidos em outras ocasiões quando o Espírito foi derramado, Pedro, por exemplo, identificou o enchimento dos crentes na casa de Cornélio com a promessa de Jesus de que seriam batizados no Espírito, qualificando-o como o mesmo dom (At 10.44-47; 11.17). Mas o vento e o fogo não estavam presentes.

Este derramamento ou batismo no Espírito haveria de ser uma das bênçãos mais distintivas da nova época. Tanto que o apóstolo Paulo pôde descrever a nova era iniciada como “o ministério do Espírito” (2 Co 3.8). è claro que isto não quer dizer que o Espírito Santo não existia antes. O Espírito Santo é Deus e, portanto, eterno. Também não quer dizer que ele estava inativo antes. No Tempo do Antigo Testamento, ele estava incessantemente ativo – na criação e na preservação do universo, na providência e na revelação, na regeneração de crentes, e na capacitação de pessoas especiais para tarefas especiais. Mesmo assim, alguns profetas predisseram que nos dias do Messias, Deus concederia uma difusão liberal do Espírito Santo, nova e diferente, bem como acessível a todos (como veremos). Neste sentido Isaías falou do dia em que o Espírito seria “derramado sobre nós lá do alto” (32.5). Em Isaías 44.3 Deus prometeu: “Derramarei água sobre o sedento, e torrentes sobre a terra seca, “derramarei o meu Espírito sobre a tua posteridade,e a minha benção sobre os teus descendentes”. A mesma forma, em uma passagem mais conhecida, Deus disse: “E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda carne” (Jl 2.28). João Batista, o último profeta da ordem antiga, resumiu esta expectativa em seu dito conhecido, que creditou o derramamento do Espírito ao próprio Messias: “Eu vos tenho batizado com AGU; ele, porém, vos batizará com o Espírito Santo” (Mc 1.8).

CHEIOS DO ESPÍRITO SANTO (2:4)

O que Jesus prometeu como batismo é descrito aqui como um enchimento, isto é, uma experiência plena, satisfatória. Alguns tentam fazer distinção entre ser batizado no Espírito Santo e ser cheio. Realmente a Bíblia usa uma variedade de termos. Era também um derramamento do Espírito como Joel profetizou (At 2.17, 18, 33); o recebimento (aceitação ativa) de um dom (At 2.38); uma descida sobre (At 8.16; 10.44; 11.15); derramamento do dom (At 10.45) e uma vinda sobre. Com esta variedade de termos é impossível supor que o batismo seja algo diferente da plenitude. Realmente, desde que o Espírito Santo é uma Pessoa, estamos falando acerca de uma experiência que estabelece uma relação. Cada termo expressa algum aspecto da experiência pentecostal, e nenhum é capaz isoladamente, de expressar todos os aspectos daquela experiência. É claro também, que desde que eles estavam todos juntos e unânimes, que quando At. 2:4 diz que todos ficaram cheios, significa que isso se deu com os 120. Entre algumas das igrejas sacramentais, muitos supõe que somente os 12 apóstolos ficaram cheios. Entretanto, foram faladas mais de doze línguas. Depois, quando Pedro falou a um grande grupo em Jerusalém, disse que dom semelhante descera sobre os gentios, “que também dera a nós, ao crermos no Senhor Jesus Cristo”. Isto sugere que o Espírito desceu do mesmo modo, não somente sobre os doze, mas ainda sobre os 120 e também sobre os 3.000 que creram no dia de Pentecoste. Evidentemente, a experiência era e é para todos. Isto, entretanto, era novidade. No Antigo Testamento somente indivíduos escolhidos ficavam cheios.

Fonte: “O Livro de Atos – Stanley M. Horton

sábado, 8 de janeiro de 2011

A ASCENÇÃO DE CRISTO E A PROMESSA DE SUA VINDA – Lição 2

O Evangelho de Lucas encerra-se com um grupo convicto de crentes. Jesus "Lhes abriu o entendimento para compreenderem as Escrituras" (Lucas 2.45). Eles já não eram um grupo facilmente disperso de discípulos, mas um corpo comissionado, unido, devoto, esperando ser revestido com poder do alto (Lucas 24.46-53). Em outras palavras, eles já eram a igreja. Como está claro em Hb 9.15-17, a morte de Cristo e o derramamento de seu sangue puseram em vigor o Novo Pacto. Assim, os crentes que, diariamente, estavam no templo, especialmente nas horas de oração (Atos 3.1), bendizendo (dando graças) a Deus, constituem já um Corpo do Novo Pacto.

Segunda: a obra de Deus não terminou com a ascenção de Cristo. O livro de Atos mostra o que Jesus continuou a fazer e ensinar pelo Espírito Santo através da igreja.

Em Atos cap. 1:2,3 está claro que Jesus não foi assunto aos céus antes de haver dado mandamentos através do Espírito Santo e seus apóstolos escolhidos. A palavra "apóstolos" aqui pode não estar limiada aos Doze, mas pode incluir outros "enviados" comissionados por Jesus (como os 70 foram em Lucas 10.1). Inclui, evidentemente, aqueles aos quais Jesus se apresentou pessoalmente depois de seu sofrimento, dando muitas provas infalíveis (provas positivas, sinais seguros, evidência iniludível e convicente) de que estava vivo.

Nestas apresentações ele deixou claro que não era um espírito ou um fantasma. Eles o tocaram. Ele mostrou-lhes as mãos e os pés, dizendo sou "eu mesmo" (Lucas 24.28-43). Durante um período de 40 dias ele os procurou repetidas vezes. Não eram visões. Eram aparições objetivas, reais, pessoais de Jesus. Eles o reconheceram e aprenderam Dele, com real compreensão, as verdades concernentes ao reino de Deus. Agora eles compreendiam como a Cruz e a Ressurreição eram ambas necessárias para nossa salvação. Ambas eram revelações do poder e do amor de Deus.

A PROMESSA DO PAI ( 1.4,5)

O Evangelho de Lucas condensa os 40 dias após a ressurreição e salta para a exortação final dos 120 que permanecerem em Jerusalém até que recebam a promessa do Pai, que Jesus mesmo tinha dado (Lc 24.49; Jo 14.16; 15.26; 16.7,13).

Em Atos 1.4 Lucas vai, de novo, à ocasião imediatamente anterior à ascenção. Jesus estava reunido com eles. O grego dá entender que ele estava participando de uma refeição com eles. Naquela ocasião ele repartiu a ordem, enfatizando que eles não deviam ausentar-se de Jerusalém. Isso era muito importante. O dia de Pentecoste teria tido pouco efeito se apenas dois ou três deles tivessem permanecido em Jerusalém.

O Evangelho de Lucas atinge seu clímax com a ascensão de Cristo. Lucas 24.50 indica que Jesus levou seus seguidores ao Monte das Oliveiras do lado oposto a Betânia. Enquanto os abençoava foi elevado ao céu (isto é, levado gradualmente, não arrebatado). Atos acrescenta que isso aconteceu "estando eles com os olhos fitos no céu". Eles não estavam sonhando; realmente o viram subir. Então, uma nuvem, não uma nuvem comum, mas, sem dúvida, uma nuvem glorioso como a do shekinah do Antigo Testamento, o envolveu. O grego pode bem dar a entender que a nuvem se formou por baixo dele e ele a fez elevar-se para fora de suas de suas vistas. Mas não se limitou ele a deixar a superfície da terra, pois ascendeu para tomar lugar à mão direita do Pai, e ainda está corporalmente presente no céu. Estevão o viu ali (At 7.55).

Depois que Jesus desapareceu, os discípulos ainda ficaram ali, espantados, com o olhar fixo nos céus para onde ele tinha ido. De repente, dois varões vestidos de branco apareceram junto deles. O branco fala de pureza. Embora, aqui, não sejam chamados anjos, geralmente se admite que o fossem. Os anjos são espíritos, mas, na Bíblia, em geral aparecem como homens. Os anjos perguntaram aos discípulos, varões galileus, porque estavam contemplando o céu. Isso implica que eles estavam perscrutando com os olhos como se esperassem ver dentro do céu para onde Jesus havia ido. A primeira vinda de Cristo estava cumprida;sua obra de redenção, completa. Muito tempo passar-se-ia antes (Mt 28.20). Por agora, ele lhes havia deixado uma missão, um trabalho a executar. Ele lhes dera instruções para esperarem em Jerusalém pela promessa do Pai e por poder para serem testemunhas. Eles devem obedecer com a garantia de que ele voltará. A promessa de sua vinda é tão enfática quanto podia sê-lo. Esse Jesus há de vir assim, da mesma maneira como o vistes ir. Ele já lhes dissera que voltará nas nuvens (Mc 13.26). Em seu sofrimento ele se identificou com o Filho do Homem de Daniel 7.13,14, de quem Daniel fala que está vindo com as nuvens. Não surpreende o fato de que sua volta continua a ser uma das motivações mais importantes para a vida cristã. (Jo 3.2,3).


 

FONTE: O Livro de Atos (Stanley M. Horton)

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

ATOS – A AÇÃO DO ESPÍRITO SANTO ATRAVÉS DA IGREJA – Lição 1

Neste primeiro trimestre do ano de 2011 temos a feliz oportunidade de aprendermos um pouco mais sobre o livro de Atos dos Apóstolos, cujo o título tem sido questionado por alguns estudiosos, muitos entendem que não devemos nos focar exclusivamente nos feitos dos apóstolos, pois na realidade os apóstolos foram apenas instrumentos utilizados pelo Espírito Santo para que pudessem realizar a grande obra de Deus. Irineu, por volta de 190 d.C, foi o primeiro a usar o título simples de "Atos dos Apóstolos". Alguns estudiosos afirmam que este título é enganoso, pois o mesmo não quer dizer que nele estejam narrados todos os atos dos apóstolos do Senhor. Esse livro não pretende ser a obra dos apóstolos; é a história do crescimento do movimento cristão, conforme visto e entendido por uma pessoa que estava grandemente interessada em seu desenvolvimento histórico.

Este livro já foi muitas vezes chamado de "Os Atos do Espírito Santo" O Espírito Santo é mencionado mais de cinqüenta vezes (como "o Espírito" e "Espírito Santo). Embora o livro leve o título "Atos dos Apóstolos" em nossas versões, pode-se prontamente ver que este não é realmente o caso. O autor relaciona os onze apóstolos (At 1.13), apresenta a maneira pela qual o décimo segundo é escolhido (1.15-26) e nove jamais são mencionados outra vez por nome. Tiago (filho de Zebedeu) é mencionado somente em relação à sua morte nas mãos de Herodes Agripa I (At 12.2). Não se ouve de João depois de Atos 8.14, e Pedro desaparece após o cap. 15. Com a execução de Tiago (filho de Zebedeu), nada é dito sobre a morte dos outros apóstolos. Mas está evidente que o trabalho dos apóstolos foi de grande importância. Eles eram homens selecionados pelo Senhor Jesus Cristo para o um ministério especial: Dar testemunho de sua vida, ensinos, morte e ressurreição. Embora se saiba que o Espírito Santo ocupa o fundo do cenário em Atos, e que o mesmo é importantíssimo, não se compatibiliza o título "Atos dos Espírito Santo", pois o mesmo conduz a um erro maior que é afirmar que Atos é um tipo de Evangelho do Espírito Santo. Podemos sentir o movimento do Espírito Santo em tudo que acontece, do início até o final do livro; o progresso inteiro da igreja é orientado pelo Espírito Santo. Contudo está claro, desde o 1º Vers., que este 2º volume é uma continuação do que Jesus iniciou.

Observa-se, que a referência ao Espírito esta ausente em onze dos vinte e oito capítulos de Atos (3, 12, 14, 17,18,22,23,24,25,26,27); Depois de Atos 21.11, o Espírito Santo é mencionado somente uma vez (28.25) e isso numa citação de Isaías. È inconcebível que Atos possa ser um Evangelho do Espírito Santo e este não seja mencionado em tanto material. Tal proposta incorre num grande erro no sentido usual da palavra. Porque existe somente um Evangelho, e esse é o de Jesus Cristo (Gl 1.6-9). Mcnair, comentarista de uma Bíblia, sugeriu o título "Os Atos do salvador glorificado formando e treinando a sua igreja". Enquanto o conhecido teólogo pentecostal, Stanley Horton propôs o seguinte: "Atos do Senhor ressuscitado pelo Espírito Santo na Igreja e Através dela".

A ÊNFASE TEOLÓGICA DO LIVRO DE ATOS

Do ponto de vista teológico, o tema dominante de Atos é a obra do Espírito Santo. Logo no início o Senhor ressuscitado promete enviá-lo, promessa que para os judeus se cumpre no cap. 2 e para os gentios no cap. 10. Os apóstolos proclamam sua mensagem no poder do Espírito Santo, manifesto por sinais externos sobrenaturais; a aceitação dessa mensagem pelos convertidos é de igual modo acompanhada de manifestações visíveis do poder do mesmo Espírito. Isto provavelmente explica o que alguns tem achado ser uma dificuldade nos Atos – Que o espírito é recebido por alguns crentes após o arrependimento e o batismo (como foi o caso dos judeus que creram, no dia de pentecostes, 2.38); por alguns depois do batismo e a imposição de mãos dos apóstolos (como no caso dos samaritanos, 8.15... e os discípulos de Éfeso, 19.6) e por outros imediatamente ao ato de crer, antes do batismo (como foi o caso dos familiares de Cornélio 10.44).

Conforme o dicionário de John D. Davis, Nos cap 2.1 a 8.3, temos a história da igreja em Jerusalém depois do Pentecostes, nos quais se mencionam as primeiras conversões, as primeiras oposições, os primeiros atos de disciplina, as primeiras perseguições, a primeira organização, o primeiro martírio e finalmente uma breve noticia de seus efeitos sobre a igreja nascente (2.41-47; 4.23-37; 5.11-16,41,42; 6.7; 8.1-3). O apóstolo Pedro aparece como figura proeminente, se bem que o protomártir, Estevão foi quem preparou a igreja para o período seguinte, o período de transição que a transformou em igreja missionária para oferecer a salvação pela fé a todas as gentes (Cap. 8.4 até 12.25). O Espírito Santo foi enviado por Jesus para capacitar a igreja que ele mesmo havia fundado, para dar continuidade a obra da salvação, por isso Jesus recomendou que eles não saíssem de Jerusalém até que o Espírito Santo estivesse atuando de forma plena na vida de cada um deles. Por isso, podemos dizer que o que realmente autentica o serviço religioso como obra de Deus, é a poderosa ação do Espírito Santo através daqueles que se dizem chamados para fazer a obra do Senhor. Porém, em muitos casos não vemos o Espírito Santo agindo através da igreja, e sim, determinados indivíduos que estão agindo através de alguns sistemas religiosos com grandes numerários, visando conquistas pessoais, mas que dizem estarem sendo usados pelo Espírito Santo. Acautelai-vos para que ninguém vós engane....cuidado! nem toda prosperidade material procede de Deus, não se deixe enganar por discursos inflamados, não se iluda com supostos milagreiros.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

SE O MEU POVO ORAR – Lição 13

O nosso último tema do ano na Escola Dominical, tem como palavra chave "SE", uma conjunção subordinativa condicional. As Conjunções subordinativas condicionais são as conjunções que, iniciando uma oração subordinada a outra, exprimem uma condição sem a qual o fato da oração principal não se realiza (ou exprimem hipótese com a qual o fato principal não se realiza). Peço desculpas pelo aspecto técnico da introdução, porém, entendendo que será útil para embasar a nossa reflexão. São diversos os textos que tratam das relações entre o homem e Deus em que a partícula "SE" está presente como elemento semântico determinante, pois se a retirarmos do texto perderemos o significado da oração. A partícula "SE" pode aparecer nos textos com várias funções gramaticais, porém, no nosso caso o "SE" está funcionando como um elemento gramatical que estabelece uma condição subordinada a uma determinada ação.

A análise feita acima deixa claro que Deus condicionou a sua Providência de acordo com as atitudes e respostas humanas no tocante aquilo que Ele propõe realizar na vida dos seres humanos. No nosso tema de hoje temos uma alusão direta à diversas atitudes que são fundamentais para o aprofundamento da nossa comunhão com o Senhor. Em primeiro lugar o Senhor ensina ao seu povo que é necessário que haja um despojamento de toda soberba e arrogância, Deus rejeita temporariamente ou permanentemente o homem prepotente, conforme está em Pv 16.18 "A soberba precede a queda, e a altivez de espírito a ruína", porém, se este homem arrogante se quebrantar despindo-se de sua arrogância, Deus tem projetos especiais para vida dele. Também diz palavra do Senhor que "se o povo se converter". Esse é um aspecto claro da mensagem divina para os homens, tendo em vista que o homem foi expulso do Jardim do Éden porque desobedeceu a ordem de Deus, e por isso, perdeu sua comunhão com o Criador e passou a trilhar um caminho contrário do Dele. Para que o homem possa ter um relacionamento perfeito e agradável com Deus é preciso que ele retome o caminho de volta e isso se chama conversão, deixar os seus maus caminhos. Nenhum indivíduo alcançará a graça e a misericórdia de Deus sem o arrependimento e conversão, e isso não pode ser interpretado como algo predeterminado num passado remoto. As escrituras deixam muito claro que o amor de Deus é extensivo à todas as criaturas, porém, os benefícios gerados por esse ato de amor estão condicionados às reações manifestas por cada indivíduo, "Arrependei-vos e convertei-vos para que sejam apagados os vossos pecados"; "Quem quiser vir após mim, tome a sua cruz e siga-me"; "vinde a mim todos os que estão cansados e oprimidos...". São muitas as expressões bíblicas que nos mostram que os efeitos da graça de Deus sobre os homens é um processo condicional, vai depender do homem querer, se arrepender, se converter, querer vir. Poderia citar uma grande quantidade de textos, porém, trata-se apenas de uma rápida reflexão. O "SE" no contexto das Escrituras Sagradas faz a grande diferença, pois, representa a posição que o homem assume diante da poderosa palavra do Senhor. No Evangelho de João cap. 15.7, Jesus utiliza a conjunção condicional "SE" para dizer que o sucesso na oração depende totalmente de uma atitude de comprometimento com a Palavra do Senhor "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito" compare com Pv 2.1 "Filho meu, se aceitares as minhas palavras, e esconderes contigo os meus mandamentos". A relação entre esses textos nos mostra que as palavras de Deus só estarão em nós se às aceitarmos por escolha própria. Em 2 crônicas 7.14, Deus subordina o ato de perdoar os pecados e trazer prosperidade aos homens, à condição de que as pessoas se enquadrem nos padrões espirituais e comportamentais que Ele exige daqueles que querem ser chamados de seu povo. Na sua presciência e providência, Deus pode muito bem ter escrito a nossa história, pois Ele é capaz de conhecer os nossos atos antecipadamente, porém, sem nos eximir da oportunidade de fazermos as nossas próprias escolhas. "Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz, Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação" Hb 3.7,15. Por essa causa a compreensão sobre a função gramatical da partícula "SE" é fundamental para a compreensão do texto no tocante a liberdade que as pessoas tem diante do chamado de Deus, isto é, atender ou não a voz do Espírito que convida todos para que tenham comunhão com Deus. Infelizmente parece que as bíblias de alguns cristão não têm a partícula "SE" exercendo essa função gramatical, por isso, essas pessoas pregam um Deus determinista, que armou um grande teatro para encenar o espetáculo da história humana, no qual o roteiro já definido de forma unilateral, onde Deus é o autor e os homens apenas personagens com um papel para cumprir.

Outro fato interessante nesse contexto, é o conflito vivenciado por alguns cristãos, os quais dizem: "para que orar se Deus sabe tudo aquilo que necessitamos, e também já determinou o nosso futuro?". Creio, que para os que pensam assim, a lição que estamos estudando hoje é bastante esclarecedora. O ato de orar manifesta a nossa confiança e dependência de Deus, virtudes essas que são pré-requisitos para que Deus realize em nossas vidas aquelas promessas que têm um caráter condicional. Por isso, Jesus disse: "E eu vos digo a vós: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei, e abrir-se-vos-á" Lc 11.19.

Concluindo a nossa abordagem podemos dizer que toda a nossa tarefa de orar está subordinada a realização da vontade de Deus. Antes de pedirmos ao Senhor sobre determinado assunto, é preciso entregar-lhe toda a honra e toda a glória. Ao fazermos a vontade de Deus, abrimos mão do plano imperfeito que temos em favor do comando perfeito do Senhor. No momento em que submetemos nossa vida totalmente a Deus, ele nos devolve a vida acrescida de sua graça, que nos completa. Essa experiência maravilhosa enche-nos de alegria pelo privilégio de compartilhar sua glória. A realidade prática e total do pensamento de Davi torna-se presente em nossa própria vida: "Deleita-te também no Senhor, e ele te concederá o que deseja o teu coração" Sl 37.4.

sábado, 27 de novembro de 2010

A ORAÇÃO E A VONTADE DE DEUS - 9

O tema proposto nessa lição nos proporciona uma reflexão de suma importância para os dias que em estamos vivendo. Encontramos muitas pessoas dizendo que para conseguir alguma coisa da parte de Deus, é necessário apenas que as pessoas orem e creiam que Deus pode fazer. Esta também tem sido a tônica de muitos evangélicos que vivem em busca reuniões onde existem muitos místicos dando ênfase a realização de orações objetivando bênçãos materiais. Quando a ênfase não se dar por meio de exaustivas orações acontece através do incentivo para se fazer um tipo de barganha com Deus, pois dizem para os crentes dar alguma para "Deus", para obter o retorno, isto é, "se você der uma oferta para o Senhor ele vai te abençoar", porém eu pergunto, será que podemos garantir que alguém que está completamente fora da vontade de Deus, um profano e escarnecedor da palavra do Senhor vai ser abençoado só porque atendeu nosso apelo para dar uma oferta para nossa igreja ? O Banco da fé não funciona como os conhecidos bancos monetários existentes nas cidades, porque o banco da fé é administrado pelo Espírito Santo e os valores que Ele distribui são diferentes dos valores segundo a perspectiva mundana. Paulo disse a Timóteo "Guarda o bom depósito pelo Espírito Santo habita em nós" (2 Tm1.14). Se nos empenharmos em entender com mais profundidade as palavras do apóstolo vamos perceber que o "bom depósito" o qual é referido nesse texto está relacionado com um processo contínuo, fala uma de experiência cristã dedicada em fazer a vontade de Deus. Como já temos aprendido a oração não deve ser entendida apenas como um veiculo para pedirmos coisas ligadas a nossa existência terrena, pois, para que o ato de orar seja agradável a Deus é necessário que o mesmo esteja em sintonia com a perfeita vontade Dele. Paulo nos ensina na carta aos romanos que todo o nosso "ser" precisa estar em plena harmonia com a palavra de Deus, para que possamos experimentar qual é a boa e perfeita vontade do Senhor. "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional." (Rm 12.1). Para que oração seja um sacrifício vivo é necessário que aquele que ora faça uma reflexão do seu ato, raciocine sobre o fundamento da sua prática, não fazendo apenas por mera religiosidade. Ainda romanos 12. 2 "...para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." O apóstolo Paulo nos mostra que para experimentarmos a vontade de Deus precisamos investir no processo de racionalização do nosso culto, porque o culto que agrada ao Senhor é aquele no qual os adoradores estão plenamente conscientes dos fundamentos da sua fé. A vontade de Deus para as nossas vidas está revelada na Bíblia e somente por meio da compreensão dela com a cooperação do Espírito Santo que podemos fazer o querer de Deus.

FAZER A VONTADE DE DEUS GERA OUSADIA NA ORAÇÃO

O Cristão que é conhecedor da vontade de Deus para a sua vida, porém, não é cumpridor da mesma, sente-se desmotivado para orar, porque sabe que a oração eficaz requer cumplicidade com a vontade de Deus. Algumas pessoas nessa situação as vezes oram apenas para cumprir um ritual religioso, emitem sons sem objetividade, sem racionalidade e sem fé, pois perderam a confiança e a ousadia para reivindicar as promessas de Deus. Um filho desobediente não pode exigir coisa alguma do seu pai, principalmente quando além de desobedecer, ele desrespeita e agride esse pai. É por isso que Jesus nos ensinou a orar iniciando da seguinte forma "Pai nosso que estás nos céus...", pois, é fundamental levarmos a sério essa relação de pai e filho, porque é o primeiro pensamento que deve estar presente na oração, o pensamento produzido por um sentimento de que Deus é nosso Pai e nós somos os seus filhos que vivemos para fazer a vontade Dele, sendo assim ele nos ama e quer suprir todas as nossas necessidades, foi por esta razão que Jesus disse: "Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito. (Jo 15.7). De uma forma um tanto imediata poderíamos dizer que quando não obtemos respostas as nossas orações, é porque algo pode não estar de acordo com a vontade de Deus, como disse Tiago "Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (4.3).

Por outro lado, quando o crente está empenhado em servir ao Senhor com toda sinceridade do seu coração ele tende a ser muito ousado no seu ministério de oração, pois, habita nele uma profunda convicção alusiva a fidelidade da Palavra do Senhor, ele está seguro que as suas orações chegam diante do trono de Deus, mesmo que ele venha a pedir algo que não está no plano de Deus, imediatamente o Senhor mudará o desejo do coração dele, para que ele não insista com tal pedido, tal como aconteceu com o apóstolo Paulo que depois de ter orado três vezes por algo, o Senhor lhe respondeu "Paulo, a minha graça ti basta". Mesmo como uma resposta negativa de Deus, a confiança desse crente que faz a vontade do Senhor permanece inabalável, o importante é saber que Deus ouve a sua oração, dessa forma ele será sempre ousado na sua vida de oração, não porque ele confie nos seus próprios méritos, mas porque ele confia na palavra do Senhor. No Salmo 84.11 o Salmista diz: "O Senhor dará graça e glória, e não negará bem algum aos que andam em retidão", esse é o grande compromisso do Senhor Deus para aqueles que fazem a sua vontade. Ele nos dar a graça pela qual temos o direito de nos aproximarmos Dele, o caminho está aberto para nós, e foi Jesus que abriu este caminho, pois Ele mesmo é o caminho, portanto, o crente que esta fazendo a vontade de Deus, adentra esse caminho que conduz ao trono de Deus com muita ousadia. Ouçamos o que nos diz o escritor aos hebreus "Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no santuário, pelo sangue de Jesus, pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne" (Hb 10.19,20). Examinando essa expressão descobrimos que não deve haver nenhum receio ou inibição na presença de Deus, porque o "véu que separava já não separa mais", temos total liberdade para buscarmos a Deus em oração, somente o pecado pode construir um muro entre Deus e o crente que venha impedir que Ele ouça as orações.

O REI EZEQUIAS UM GRANDE EXEMPLO DE OBEDIÊNCIA E OUSADIA NA ORAÇÃO

Naqueles dias Ezequias adoeceu de uma enfermidade mortal; e veio a ele o profeta Isaías, filho de Amós, e lhe disse: Assim diz o SENHOR: Põe em ordem a tua casa, porque morrerás, e não viverás. Então virou Ezequias o seu rosto para a parede, e orou ao SENHOR. E disse: Ah! SENHOR, peço-te, lembra-te agora, de que andei diante de ti em verdade, e com coração perfeito, e fiz o que era reto aos teus olhos. E chorou Ezequias muitíssimo. Então veio a palavra do SENHOR a Isaías, dizendo: Vai, e dize a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi teu pai: Ouvi a tua oração, e vi as tuas lágrimas; eis que acrescentarei aos teus dias quinze anos. (Isaías 38.1-5). Aqui temos um homem que foi extremamente ousado na sua oração numa situação que muitos crentes fiéis simplesmente acatariam a decisão divina, porém, Ezequias queria passar mais alguns dias servindo o Senhor aqui na terra. Ezequias fundamenta a petição dele exatamente na grandeza do seu compromisso para com Deus, tinha ele passado toda sua existência tentando agradar a Deus, e nesse relacionamento com Deus ele havia aprendido que esse maravilhoso Deus não negada nada aos que andam em retidão, mesmo tendo Ele já decretado algo, a oração de um crente fiel pode mudar o quadro. E assim foi com Ezequias, a oração que fez baseada na sua retidão diante de Deus, fez com que Deus dissesse à morte "agüenta ai mais 15 anos, porque eu não vou negar o pedido do meu servo". Quando nós estamos completamente seguros do nosso propósito em fazer a vontade, nos destacamos pela ousadia na oração, que nada mais é do que uma extrema confiança na fidelidade de Deus para conosco. "E esta é a confiança que temos nele: que se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve" (1 Jo 1.5).