quinta-feira, 26 de maio de 2011

A PUREZA DO MOVIMENTO PENTECOSTAL- Lição 9

Já dizia um certo Pastor "a medida que a igreja cresce a uma tendência de aumentar também o pecado no meio do povo de Deus". Isto é o que vemos hoje no contexto pentecostal, não podemos negar que o movimento pentecostal constitui a maior igreja evangélica do pais, porém, esse estupendo crescimento que produziu muito para o Reino de Deus também trouxe uma série de dificuldades no que diz respeito a pureza desse movimento no Brazil. São poucos os cristãos que ainda alimentam o ingênuo entendimento de acreditar em tudo que seus líderes dizem e nas reais intenções dos tais. Devemos evitar os extremos e agir com desconfiança para com todos, por que ai incorremos no risco de cometermos algumas injustiças, porém, não podemos ficar alienados e permitir que algumas pessoas nos manipulem em nome de Deus, quando os interesses em questão são terrenos. As vezes o próprio de discurso de pureza e santidade tem sido utilizado como ferramenta de mobilização e alienação, porque tais "ensinos" funcionam como instrumentos inibidores evitando uma reflexão da realidade e prováveis questionamentos. Alguns líderes evangélicos apesar de se apresentarem totalmente anti-católicos, mesmo assim, no tocante a concepção sobre santidade defendem um conservadorismo que nada mais é do que uma herança católica. Embora sejam contra a Canonização, procuram imprimir na mente dos crentes que o "santo" é um indivíduo totalmente passivo, indiferente as questões sociais e políticas, predisposto a uma resignação e subordinação sem reflexão. O cerne dessa mentalidade é conceber a pureza do pentecostalismo a partir de costumes, tradições e manifestações carismáticas. A palavra do Senhor nos proporciona parâmetros necessários para vivenciarmos a fé pentecostal conforme a pureza que o Senhor requer do seu povo. Creio que o debate sobre a pureza nessa perspectiva vai se constituir num discurso de diversas arestas, pois, mais uma vez os evangélicos que tanto condenaram as tradições católicas, têm uma grande tendência em elaborar suas teologias partindo das suas concepções de costumes e não de uma pura reflexão do texto bíblico. Na perspectiva da teologia cristã o termo "pureza" deve encontrar sua plena identificação e significado no contexto das escrituras e em nenhuma outra ideologia humana. Todavia, as tradições religiosas que se desenvolveram na fé cristã até os dias modernos, têm sido fatores determinantes na forma dos dogmas de muitos cristãos evangélicos ao ponto de promover o comportamento dualístico que estabelece uma grande barreira em o profano e sagrado. Esse sectarismo religioso gerou uma igreja fragmentada, não só no meio evangélico em geral, como até mesmo entre alguns pentecostais que se entendem como mais "puros" do que outros. A compreensão defeituosa sobre o tema da santidade bíblica é promotora do "apartaid evangélico" em toda história da igreja evangélica nesse país, fato esse que tem impedido a coesão da comunidade evangélica na luta por mudanças sociais. Existem algumas denominações no Brasil que jamais se engajam em qualquer movimento social que visa defender os direitos da família e dos princípios morais, pois, são puros demais para se misturarem com os demais cristãos evangélicos, mesmo que não seja em contextos litúrgicos, porque preferem mostrar que são os "queridinhos de Deus" e podem muito bem resolver as coisas sozinhos.

O capítulo 2 do livro de Atos nos fornece as bases para uma experiência que se harmonize com os propósitos divinos. Atentemos para o foco da mensagem do apóstolo Pedro, a qual está centralizada não em torno do Espírito, mas em torno de Jesus. O derramamento pentecostal pretendia trazer um poderoso testemunho acerca de Jesus (Atos 1.8; João 15.26,27; 16.14). Pedro chamou atenção primeiro para o fato de que os habitantes de Jerusalém conheciam o homem de Nazaré, Jesus, e sabiam como Deus o tinha aprovado para o benefício deles por meio de milagres e prodígios e sinais. Estas são as três palavras usadas na Bíblia para milagres sobrenaturais. Elas se referem à variedade de milagres que Jesus operou, especialmente no templo nas ocasiões festivas (João 2.23; 4.45; 11.47). Este Jesus, diz Pedro, que vós, por meio de mãos iníquas matastes. Pedro não hesitou em declarar o povo de Jerusalém responsável pela morte de Jesus, embora também deixasse claro que Jesus foi entregue a eles pelo determinado conselho e presciência de Deus. No decorrer da mensagem Pedro usa a posição exaltada de Cristo para explicar a experiência pentecostal. Agora à destra do Pai, recebeu ele do Pai a promessa do Espírito Santo e derramou o Espírito, com os resultados vistos e ouvidos pela multidão – os 120 falando em outras línguas. O derramamento do Espírito Foi, também, evidência de que Jesus está ali, à destra do Pai, agora mesmo intercedendo por nós. Assim, podemos ser testemunhas de primeira mão quanto ao lugar onde Jesus está e o que ele está fazendo. A pureza do movimento pentecostal é sem dúvida uma bandeira para cumprir a grande comissão de proclamação do evangelho. O movimento pentecostal autêntico ocorre quando os crentes envolvidos se predispõem em obedecer e adorar ao Senhor espírito e verdade, sem tentar exercer algum tipo de controle na ação sobrenatural do Espírito Santo, permitir que esse poder divino corra um rio enchendo e purificando os corações. Se quisermos um pentecostalismo puro, bíblico, precisamos estar atentos para rejeitarmos as incontáveis invenções humanas que muitos tem introduzido no contexto da fé pentecostal. Não confundamos pentecostalismo puro com movimentos que dão uma ênfase rigorosa a usos e costumes, sem aqui querer desmerecer os costumes dessa ou daquela denominação, quero afirmar que a pureza do movimento pentecostal não se constitui apenas de elementos no campo das aparências, pelo contrário, tem muita coisa por ai que não passa de formalidade e hipocrisia. Também é importante saber que em sua essência a fé pentecostal não se fundamenta em experiências místicas, e sim numa experiência de profunda transformação do "ser", experiência esta que proporciona aos homens adentrarem a dimensão da divindade sem ser necessário se alienarem da sua realidade terrena.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O GENUÍNO CULTO PENTECOSTAL – Lição 8

Creio que ao escolher este tema, o autor da lição tinha em mente apresentar as principais características do culto vivenciado entre os chamados cristãos pentecostais, com o propósito de distingui-lo de alguns movimentos pseudo-pentecostais, os quais divergem da doutrina bíblica e se baseiam em emoções, sensacionalismo e até mesmo em misticismo. Para algumas pessoas o termo "pentecostal" está relacionado à desequilíbrio e fanatismo religioso, tal pensamento se estabeleceu em decorrência de muitos exageros praticados em diversas igrejas pentecostais. Todavia, aqueles que procuram fazer uma observação honesta, sabendo que em todos os grupos humanos, sejam religiosos, políticos ou de qualquer ideologia, existem aqueles que agem imaturamente e tendem para os extremos, configurando-se como radicais, perceberá que no contexto da fé pentecostal também ocorre o mesmo fenômeno, e assim vai verificar que existe uma fé pentecostal fundamentada nos princípios bíblicos e na teologia cristã ortodoxa. O movimento pentecostal genuíno é aquele que tem sua origem e continuação por meio de uma ação exclusiva do Espírito Santo, pois, é Ele que programa e determina as ações. Entendo que o Espírito Santo não faz distinção de pessoas no que diz respeito ao derramamento do poder espiritual. Todas as pessoas podem preencher os requisitos do Espírito para que possam experimentar um avivamento espiritual acompanhado pela experiência dos dons espirituais. Em primeiro é necessário que verdadeiramente haja em nossos corações o propósito de glorificar a Deus, amando e obedecendo os ensinamentos do Senhor Jesus. Obediência, submissão à verdade, amor altruísta e humildade são pré-requisitos fundamentais para que a Obra do Espírito seja realizada plenamente em nossas vidas. Nessa questão precisamos estar atentos, pois, em alguns lugares temos presenciado muita teatralidade, tem muita gente tentando fabricar "pentencoste" com a intenção de manipular as pessoas. E para fazer isso as vezes nem é necessário que o orador tenha uma grande habilidade como animador de auditório, mas apenas que possua a descarada e perigosa ousadia de simular a sublime ação do Espírito Santo, pois, em algumas comunidades pentecostais grande parte das pessoas acham que devem crer em tudo sem fazer nenhum questionamento, entendendo que tal atitude se constitui em dúvida que se caracterizaria em falta de fé, porém, é um grande erro pensar dessa forma. A fé bíblica tem uma única referência que é a Palavra do Senhor, não podemos nos conformar com qualquer outra coisa que se distancie dessa verdade. O problema é que tem muita gente que não tem interesse em conhecer a verdade de Deus, não buscam nessa verdade os valores espirituais, o fato émque essa gente tem uma visão superficial e imediatista acerca das grandes necessidades da vida e por isso estão apenas em busca da experiência mística e do suprimento de suas necessidades mais imediatas, as quais são estritamente emocionais, afetivas e materiais. Mesmo no contexto das Assembléias de Deus onde eu entendo existir atualmente a prática de um pentecostalismo coerentemente bíblico, ainda existem muitos pregadores que se utilizam de técnicas vocais e de oratória para causar comoção na platéia. Muitos dirigentes de culto, as vezes até de uma forma inconsciente, agem como se sua competência em condicionar o auditório fosse determinante para gerar o poder espiritual. Em muitas situações que tenho vivenciado tenho saído convicto que toda comoção ocorrida foi resultado das ações humanas. Culto Pentecostal genuíno ainda existe e vai continuar existindo, porém, continuará existindo encenação, teatro pentecostal, farsa pentecostal, tudo isso em grau muito maior. Para nos livrar de tal engano precisamos servir a ao Senhor com sinceridade e empenho na buscar da verdade. Esse "pentecoste fabricado", não passa de um instrumento de exploração nas mãos de pessoas sem escrúpulos e também um tipo de "droga religiosa" um ópio, para algumas pessoas que buscam se alienar nessas experiências para fugir da sua triste realidade, passando a viver nesse "me engana que eu gosto".

Não acredito em experiências frenéticas que se caracterizam por manifestações desequilibradas, por meio de atos e gestos insignificantes, gritos estéricos que não expressam o caráter e a sabedoria de Deus. Situações que não proporcionam conhecimento e nem crescimento espiritual. Muita gente após tais experiências fica pior do que antes, digo, com relação a prática dos princípios cristãos e a produção do fruto do Espírito. Uma grande contradição nesse aspecto é quando uma igreja pelo fato ser pentecostal "se acha" e os seus líderes agem preconceituosamente contra cristãos de outros credos e ainda pregam um tipo de exclusivismo denominacional, se auto-proclamando como a melhor igreja. Como alguém já disse, esse é um "pentecostalismo sem piedade", é um pentecostalismo presunçoso sem dúvida.

EVIDÊNCIAS GENUÍNAS DO PODER PENTECOSTAL

Com certeza a principal evidência deve ser moral, não miraculosa, e reside no fruto do Espírito, não nos dons do Espírito. É do conhecimento de todos que os coríntios, que tinham sido batizados com Espírito Santo e ricamente dotados dos dons do Espírito, mesmo assim provaram ser cristãos "não espirituais", porque lhes faltava a qualidade moral do amor (I Co 3.1-4). Eles se vangloriavam de uma certa plenitude, o que fez Paulo escrever-lhes com um toque de sarcasmo: "já estais fartos" (cheios, 4.8)! Mas não era a plenitude do Espírito Santo. Se eles estivessem cheios do Espírito, obviamente teriam estado cheios de amor, o fruto do Espírito. O amor é o poderoso elo de união entre o fruto e os dons do Espírito. Isto não ocorre somente porque sem amor os dons são sem valor (I Co 13), mas também porque o amor requer os dons como equipamento necessário para poder servir outros. No único trecho em suas cartas onde o apóstolo Paulo descreve as conseqüências da plenitude do Espírito, elas são todas qualidades morais. Esta passagem é Efésios 5.18-21: "E vos não embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor, com hinos e cânticos espirituais, dando sempre graças por tudo, ao nosso Deus Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo. No texto grego este trecho tem dois verbos na forma imperativa ("não vos embriagueis com vinho", "enchei-vos do Espírito"), dos quais dependem quatro verbos que são particípios presentes (literalmente: "falando", "cantando e fazendo melodias", "agradecendo" e submetendo"). Em outras palavras, a ordem única de ser cheio do Espírito é seguida de quatro conseqüências descritivas da plenitude do Espírito Santo. A ordem de ser cheio é contrastada diretamente com a outra ordem de não se embriagar. A partir daí, algumas pessoas deduziram rapidamente que embriaguez e a plenitude do Espírito podem ser comparadas. Elas dizem que a plenitude do Espírito é um tipo de ebriedade espiritual; o apóstolo está contrapondo dois estados de embriaguez; física, através do vinho; e espiritual, pela plenitude do Espírito. Não é este o caso. É verdade que um bêbado está "sob a influência do álcool" e que, de maneira semelhante, pode-se dizer que um crente cheio do Espírito esteja sob o controle do Espírito. Também é verdade que no dia de Pentecoste, quando o Espírito concedeu aos 120 que falassem publicamente em outra línguas, alguns da multidão comentaram: "Estão embriagados" (At 2.13). Porém os que disseram isto evidentemente eram uma minoria; eles acharam que os discípulos estivessem bêbados porque não conseguiam entender nenhuma das línguas faladas; a maioria reagiu com surpresa, ao ouvir os galileus falarem de maneira inteligível idiomas nativos da Ásia e da África que a multidão podia entender. A interpretação errônea dada ao primeiro culto pentecostal da igreja partiu exatamente de pessoas religiosas, mas que desconheciam o poder de Deus. Tal fato continua acontecendo nos dias atuais, pois, são muitos os opositores do verdadeiro pentecostalismo, os quais as possuem muito conhecimento acadêmico, filosófico e até teológico, todavia, não sabem sobre o poder de Deus. Por lado, existe uma grande quantidade de cristãos sensitivos, que acham que para que um culto seja realmente pentecostal é necessário que aconteçam algumas performances recheadas de emoções, isto é, pessoas chorando, gemendo, gritando, pulando, marchando, outros profetizando (mesmo que seja mentira), outros falando em "mistério". Esse tipo de atitude tem sido um "prato cheio" para os inimigos da Fé pentecostal. Quando assisto na internet os vídeos chamado "RETETÉEE..", fico tentando entender o que se passa na cabeça dessas pessoas, pois, essas reuniões com danças (que se assemelham as religiões africanas), gritos estridentes, e tantas outras coisas assustadoras e antibíblicas, porém, eu acho que elas estão olhando para a manifestação do Espírito da mesma forma que aqueles homens que pensaram que os discípulos estavam embriagados.

terça-feira, 10 de maio de 2011

OS DONS DE PODER - Lição 7

A igreja é uma instituição organizada e dirigida por seres humanos, porém, o que a diferencia das demais instituições e sociedades humanas é a sua origem divina. A igreja cristã foi fundada pelo próprio Jesus e Inaugurada no Dia de Pentecostes. O Senhor Jesus pediu ao aos primeiros discípulos que não se ausentassem de Jerusalém até que ocorresse o evento de Pentecostes, pois, tal experiência seria indispensável para que igreja pudesse realizar a sua missão. O poder espiritual é a marca distintiva da igreja de Cristo. O poder dado a igreja a partir da experiência pentecostal não ficou limitada aos primeiros cristãos, não existe nenhuma fundamentação bíblica para defendermos tal idéia. Os milagres operados pelos primeiros discípulos causaram grande impacto em todos lugares que a igreja alcançou nos primeiros séculos da era cristã. Os dons que aqui são destacados como “dons poder”, se referem aquelas manifestações que proporcionam soluções imediatas para situações aparentemente insolúveis, causando grande espanto e admiração por parte daqueles que presenciam tal acontecimento. Apesar da realidade contemporânea dos milagres, temos presenciado muita dificuldade nesse aspecto, pois, o misticismo e a necessidade das pessoas tem promovido uma busca doentia por experiências sobrenaturais que proporcionem prazer e bem estar pessoal. Por causa disso surgiram muitos mercenários que viram nessa fome do sobrenatural, um “mercado” muito promissor. O dom da cura tem sido o “carro chefe” da industria da fé para criar o seu marketing promocional, com o propósito de atrair os incautos e explorá-los financeiramente. Por que é que nenhuma igreja ou nenhum grande “homem de Deus” faz movimentos milagreiros sem pedir dinheiro?. Em nenhum momento encontramos Jesus, depois de ter realizado algum milagre, pedindo dinheiro as pessoas. Nos dias de hoje é muito raro, se porventura existir, alguém agindo como fez Eliseu diante do General Naamã após ter realizado um grande milagre, ao curar a lepra do general da Assíria. Naamã quis recompensar Eliseu pelo milagre que acabara de receber, porém, Eliseu recusou veementemente. Todavia, o auxiliar de Eliseu, Geazi foi atrás do General e fez o resgate de alguns presentes, por isso ele foi severamente punido. Infelizmente, na atualidade, o ministério de Eliseu foi ofuscado pelo ministério de Geazi, a maioria pensa como Geazi, pensam que podem tirar proveito das manifestações poderosas do Espírito. Porém, com relação a isso, eu descanso na Palavra do Senhor, pois, ninguém ficará impune, assim como Geazi que recebeu a devida recompensa. Paulo registrou em Gálatas 6.7 “Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará”. No meu entendimento, essas pessoas que simulam milagres são piores do que aqueles que se declaram ateus. Muita gente se declara ateu por causa de uma formação inadequada, uma experiência traumática ou até por falta de conhecimento aprofundado do Evangelho. Mas, esses mercenários, vendedores de milagres, têm conhecimento do evangelho e até mesmo de Deus, porém, decidiram amar mais a si mesmos, e para ter uma vida de regalias, conforme a soberba de seus corações, escolheram brincar com a esperança das pessoas e com o sublime poder do Espírito Santo.

O DOM DA FÉ – Quase todos os que escreveram sobre os dons se referem ao dom da fé como o de “fé especial”. A razão para isto é que o dom da fé difere da fé salvadora e da fé cristã normal, sem a qual “é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). Toda a fé é semelhante em sua natureza, mas o dom de fé especial difere das outras em grau e aplicação. O dom da fé é visto na operação da cura do coxo na porta do templo, registrada em Atos 3. Pedro teve a fé milagrosa para ordenar ao coxo que se levantasse e andasse em nome de Jesus. Donald Gee escreve, com respeito a esta fé. “Ela parecia vir sobre certos servos de Deus em tempos de crise ou oportunidade especial com tal poder que eles são tirados da esfera da fé natural ou comum em Deus e recebem uma certeza divina em suas almas que triunfa sobre tudo.” Jesus talvez estivesse descrevendo essa qualidade de fé quando disse aos seus discípulos: “Tende fé em Deus” (Mc 11.22). O grego de Marcos 11.22 diz literalmente: “Tenham a fé que Deus tem”. Jesus sugeriu no versículo seguinte que com esta fé divinamente concedida é possível dizer a um monte: “Ergue-te e lança-te no mar” e isso acontecerá. O monte simbolizava qualquer obstáculo aparentemente impossível para a missão da igreja.

DONS DE CURAR – Embora seja inferido que todos os “espirituais” são charismata (dons), o termo é na verdade associado somente a estes dons de curas. No grego, ambos os termos, “dons” e “curas”, são plurais. Esse fato pode sugerir que existem muitos dons de cura para diferentes moléstias, ou que cada exercício do poder de cura é um dom separado. A maioria dos evangelistas e pastores que tiveram grandes ministérios de oração pelos doentes afirmaram não possuir dons de cura. Ninguém teve certamente um ministério de cura para todas as pessoas doentes. Jesus curou todos os que se aproximaram dele em certas ocasiões, mas foi limitado em outras pela falta de fé por parte do povo (Mt 13.58). Do que temos certeza é que Deus fez provisão para que a cura física fosse um ministério da sua igreja e que os dons de cura iriam operar juntamente com a fé. A cura e tão comum no ministério de Jesus e no dos apóstolos que uma igreja sem o dom de “curas” pareceria bastante afastada do padrão bíblico. Além dos dons de cura, todos os presbíteros (pastores) devem estar prontos a ungir com óleo todos os doentes que pedirem e orar por eles através da oração de fé. Deus prometeu levantar o enfermo e perdoar seus pecados (Tg 5.14-16). Na grande comissão registrada por Marcos (Mc 16.15-18), Jesus prometeu que sinais seguiriam os ministérios que dessem testemunho do evangelho da salvação. Um dos sinais seria que os doentes iriam restabelecer-se após a imposição de mãos dos crentes. Enquanto durasse a pregação a cada criatura, os sinais seguiriam os que cressem, inclusive o da cura milagrosa dos doentes. A cláusula “aqueles que crêem” sugere que os sinais ou “dons” não deveriam ser exercidos pelos apóstolos apenas, mas por todos os que tivessem fé. No mandamento e promessa de Jesus, a “imposição de mãos” deveria ser a expressão externa da fé e amor por parte dos que orassem e mostraria que Deus usa os crentes fiéis como um canal do seu poder. A unção com óleo, segundo Tiago, cap. 5, também envolvia a imposição de mãos, com o óleo simbolizando a obra do Espírito Santo. Quando Jesus enviou os doze discípulos para ministrar, eles, segundo Marcos, “curavam numerosos enfermos, ungindo-os com óleo” (Mc 6.13). O crente é o veiculo do poder, mas a cura é obra do Espírito.

O DOM DE OPERAÇÃO DE MARAVILHAS – A operação de milagres é a tradução do energemata dunameon, que é literalmente interpretado como “operação de poderes sobrenaturais”. Como acontece com os “dons de curas”, ambos os termos são plurais. Este não é um dom que torna a pessoa um “milagreiro”. Ao que parece, de acordo com a pluralidade das expressões, cada milagre ou manifestação sobrenatural de poder é operado através de alguém com o dom da fé (veja Mt 17.20; 21.20-22). O que é um milagre? “Um evento ou ação que contradiz aparentemente as leis cientificas conhecidas, sendo portanto julgado proveniente de causas sobrenaturais, especialmente de um ato de Deus.” No Novo Testamento, os eventos de origem sobrenatural são chamados “milagres, prodígios, sinais” (At 2.22; 2.43; 6.8; 8.13;Hb 2.4). Os termos gregos traduzidos como “milagres, prodígios e sinais” são dunameis, terata e semeia. Eles significam literalmente “eventos do poder divino”, “eventos que produzem admiração” e “eventos que significam algo” (sobre Deus ou suas obras). É interessante notar que o termo “prodígio” jamais é empregado sozinho, mas sempre associado ao termo “sinal”. Deus não manifesta o seu poder só para causar admiração, Ele sempre tem um propósito ou ensina alguma coisa com os seus milagres: “...dando Deus testemunho juntamente com eles, por sinais, prodígios e vários milagres, e por distribuições do Espírito Santo segundo a sua vontade”. (Hb 2.4). Exemplos de milagres são: a libertação sobrenatural da prisão (At 5.18-20;12.5-10; 16.23-30);a cegueira de Elimas, o mágico (At 13.8-12); o transporte instantâneo de Filipe de Gaza para Azoto (At 8.39,40); a ressurreição de Dorcas (At 9.36-42) e de Êutico (At 20.9-12); e o fato de Paulo ter removido do braço uma víbora venenosa sem ser mordido (At 28.3-5). A cura dos doentes e a expulsão de espíritos demoníacos podem ser classificados como dons de milagres quando o sinal tem grande valor, como por exemplo, no caso de Paulo em Éfeso, em que resultou uma enorme conquista de almas. “E Deus, pelas mãos de Paulo, fazia milagres extraordinários, a ponto de levarem aos enfermos lenços e aventais do seu uso pessoal, diante dos quais as enfermidades fugiam das suas vítimas e os espíritos malignos se retiravam” (At 19.11,12); e no caso de Pedro em Jerusalém, quando só a sua sombra caindo sobre os enfermos já produzia cura (At 5.12-15).

terça-feira, 3 de maio de 2011

DONS QUE MANIFESTAM A SABEDORIA DE DEUS – Lição 6

A partir de um entendimento superficial e literal do tema proposto, poderíamos afirmar que todos os dons manifestam a sabedoria e o poder de Deus, todavia, o título da lição se propõe discorrer sobre um grupo de dons que estão diretamente relacionados com a ciência de Deus, isto é, a infinita sabedoria do Eterno Deus, a qual é capaz de perscrutar todas as coisas, nada pode ficar em oculto diante Dele. Quando paramos para refletir sobre a excelência da Sabedoria de Deus ficamos totalmente deslumbrados e sem expressões para definirmos a dimensão e profundidade tal ciência. Foi desta forma que o apóstolo Paulo se sentiu quando em dado momento esteve refletindo sobre a infinita sabedoria do Ser Divino,encheu-se de admiração e então fez a seguinte exclamação: “O profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Rm 11.33). Diante da infinitude do saber de Deus nos sentimos extremamente limitados e passamos a compreender que ninguém pode questionar os projetos de Deus. Quando o ser humano aponta alguma incoerência nas atitudes do Senhor é porque sabedoria finita do homem muitas vezes não consegue alcançar a elevada sabedoria de Deus, isso foi categoricamente afirmado pelo profeta Isaías, quando ele nos diz: “Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” (Isaías 55.9). A partir de I Corintios 12 podemos enfatizar que o dom da palavra de sabedoria, o dom da palavra de conhecimento e o dom de discernimento de espíritos são os dons que operam exclusivamente no campo da sabedoria divina.

A PALAVRA DA SABEDORIA – Este não é o dom de sabedoria em geral, mas o dom de uma “palavra de sabedoria”.Todavia, em si mesmo, não é necessariamente um dom vocal. “Palavra” (logos) é definida como “conceito”, “idéia”, “ditado”, “assunto em pauta”, “razão”, “narrativa” ou “doutrina”. Se a idéia de “pronunciamento” estivesse em foco, a palavra grega rhema teria sido provavelmente usada em vez de logos. Em conjunto com a profecia, a “palavra de sabedoria” poderia funcionar como dom vocal. É provável que seja este o dom que operou em Estevão em Atos 6.10: “E não podiam sobrepor-se à sabedoria e ao Espírito com que falava”. Atos 15 registra a primeira reunião da igreja apostólica para resolver uma disputa. A conclusão a que chegaram é expressa como segue: “Pois pareceu bem ao Espírito Santo e nós não vos impor maior encargo além destas cousas essenciais...” (At 15.28). O pensamento do Espírito Santo foi provavelmente transmitido aos apóstolos por uma “palavra de sabedoria”. Embora “sabedoria” tenha muitos significados, usada em contraste com “conhecimento” talvez signifique um critério de “conduta ou ato prático”. Na vida da igreja local há circunstâncias em que decisões importantes precisam ser tomadas quanto a um curso de ação. A operação de Deus de uma “palavra de sabedoria” pode fornecer a orientação do Espírito (I Co 2.13-16).

PALAVRA DA CIÊNCIA OU DO CONHECIMENTO – Este dom de uma palavra do conhecimento pode estar contido na declaração de Paulo em I Co 1.15: “...porque em tudo fostes enriquecidos nele, em toda palavra e em todo conhecimento...” Se a “palavra de sabedoria” dá percepção à igreja para uma ação prática, a “palavra do conhecimento” deve trazer à luz os princípios da doutrina que formam a base para essa ação. Este dom pode levar a verdade bíblica à atenção da igreja, ou revelar fatos necessários para nova ação. Paulo estava seguro de que o conhecimento espiritual operava na igreja quando disse: “E certo estou, meus irmãos, sim, eu mesmo, a vosso respeito, de que estais possuídos de bondade, cheios de todo o conhecimento, aptos para vos admoestardes uns aos outros” (Rm 15.14). João provavelmente exerceu o dom de uma palavra do conhecimento para discernir as condições espirituais das sete igrejas às quais escreveu em Apocalipse 2 e 3. Esses dons da palavra de sabedoria e palavra de conhecimento são para guiar a igreja no sentido do conhecimento e ação, e não para orientação pessoal. Silas era um profeta, mas não há registro de que tivesse dado instruções a Paulo em suas decisões. Quando Paulo não sabia para onde ir em Trôade, Deus deu-lhe a visão de um homem da Macedônia chamando-o para pregar na Grécia; Silas, porém, estava com ele na ocasião. Os dons são dados para exortar, edificar, e consolar a igreja reunida. Os dons de revelação estão em harmonia com a Palavra de Deus, jamais contradizendo seus ensinamentos, pois a Palavra inspirada é chamada de “mais confirmada palavra profética” (2 Pe 1.19).

DOM DE DISCERNIMENTO DE ESPÍRITOS – “Discernimento de espíritos” vem do grego diakriseis pneumaton. O termo grego deakreisis é definido como “discernir”, “discriminar” ou “distinguir”. A forma verbal é usada em Hebreus 5.14: “Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal”. Paulo emprega várias vezes o verbo em I Corintios; em 6.5 ele emprega para indagar se eles não tinham ninguém “que possa julgar no meio da irmandade?” (quando a quem tinha razão). Em 11.29 Paulo usa a palavra para repreender os irmãos de Corinto que não haviam discernido o corpo do Senhor (discernindo o significado do pão da comunhão para a saúde e cura do corpo). Evidentemente, o dom de discernir espíritos é a capacidade de discernir a fonte de uma manifestação espiritual, se é o Espírito Santo, um mau espírito, ou simplesmente o espírito humano. Em Corintios 14.29, Paulo diz: “Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem (discernir – diakrino). “Isto parece insinuar que alguém com o dom de discernimento deveria estar presente ao ser usado o dom de profecia. Ao que tudo indica, o dom de discernimento em Corinto era tão comum quanto o de profecia “...e os outros (plural) julguem (discirnam). “Todos os crentes cheios do Espírito, são até certo ponto, capazes de julgar operações de dons vocais no sentido de serem ou não espiritualmente edificados para o corpo. O exercício de dons não é infalível; se um pronunciamento (profecia ou interpretação de línguas) não for recebido, o orador não deve ficar ofendido ou negar-se a aprender, mas deve orar humildemente pedindo maior sensibilidade ao Espírito e mais sabedoria no uso de seu dom. Por outro lado, os crentes devem atender à advertência de Paulo em I Tessalonicenses 5.19,20: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis profecias." O ensino bíblico cuidadoso sobre os dons espirituais evitará manifestações imaturas e mal-orientadas, de um lado; e medo, desconfiança e o apagar do Espírito, de outro. Deve ser notado que o dom de “discernimento de espíritos” não é o de julgar as pessoas, mas sim o espírito por trás da manifestação, se é santo, maligno ou humano.

Um conhecimento aprofundado sobre o que a Bíblia ensina no tocante aos dons espirituais é suficiente para capacitar os cristãos para julgar e descartar muitas das falsas manifestações nessa área. Nas igrejas pentecostais não faltam aqueles que buscam destaque na comunidade, destacando-se como pessoa carismática, que fala de forma objetiva com Deus, conhece os mistérios de Deus de uma forma especial, isto é, que está constantemente em contato com o sobrenatural, tendo sempre alguma revelação para pronunciar. Todavia, os admiradores e seguidores dessas pessoas, são aqueles cristãos que não lêem bíblia e geralmente não submissos as lideranças da igreja. A experiência tem nos mostrado que essas tentativas de imitar e manipular os dons que manifestam a sabedoria de Deus, tem sido muito doloroso, tanto para aqueles que assim fazem, como para aqueles que passam a dar crédito a essas mentiras.

sábado, 30 de abril de 2011

A IMPORTÂNCIA DO DONS ESPIRITUAIS – LIÇÃO 5

A igreja pode ser comparada a um grande exército celestial que foi levantado por meio da obra da expiação realizada pelo Senhor Jesus Cristo. Paulo ensina em Efésios 6.12 “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas, sim, contra os principados, contra as potestades, contra os príncipes das trevas deste século, contra as hostes espirituais da maldade, nos lugares celestiais”. Essas palavras expressam com muita objetividade que as batalhas enfrentadas pela igreja de Cristo acontecem em outro plano, em outra dimensão, isto é na esfera espiritual, onde as armas deste mundo não possuem nenhuma eficácia, pois, Paulo também diz: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas;” II Co 10.4. A partir desses textos podemos inferir que é os dons espirituais são os instrumentos indispensáveis com os quais Deus equipou a igreja para que ela possa enfrentar os seus inimigos invisíveis. Dons não devem ser encarados como propriedades individuais, pois eles são exclusivamente da igreja que o corpo de Cristo aqui nesse mundo. Os dons não podem ser utilizados para a promoção de homens, instituições ou qualquer outra coisa. Os dons são as armas poderosas que Deus entregou a sua igreja para garantir a existência da mesma como agente do Reino de Deus aqui na terra, pois o próprio Jesus já havia profetizado que as “as portas do inferno não hão de prevalecer contra a minha igreja”.

O texto referência para começarmos a tratar desse tema é I Co 12.4-7, no qual Paulo ensina: “Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos. Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” . O objetivo do apóstolo é enfatizar que, mesmo os dons sendo diversos há um só Doador. Ele afirma esta verdade três vezes, cada vez relacionando os dons a uma outra Pessoa da Trindade (“O mesmo Espírito”, “o mesmo Senhor”, “o mesmo Deus”). Ele também usa três palavra diferentes para os dons. Primeiro (v.4) eles são charismata, dons da graça de Depois, (v. 5) eles são diakonial, maneiras de servir. Em terceiro lugar, (v.6) eles são energemata, energias, atividades ou poderes, que o mesmo Deus energiza” ou “inspira” (energon) em todos. E há “diversidade” ou “porções” (diareseis) de cada grupo. Juntando estas três palavras talvez possamos definir dons espirituais como “certas capacidades, concedidas pela graça e poder de Deus, que habilitam pessoas para serviços específicos e correspondentes”. Um dom espiritual é, portanto, não a capacidade em si, nem um ministério ou função propriamente dito, mas a capacidade que qualifica uma pessoa para um ministério. Em termos simples, ele pode ser considerado, ou o dom e o trabalho em que é exercido, ou o trabalho e o dom com que é exercido.

O interesse de alguns Cristãos parece estar limitado principalmente a três dons, que são “línguas, profecias e curas”. Entretanto, é óbvio que há mais dons do que este trio empolgante. Existe muita ênfase em torno dos “Nove dons do Espírito” conforme a primeira lista, que está registrada no início de I Corintios 12, porém, a maioria dos estudiosos concordam que é um grande equívoco restringir os dons espirituais tão somente a esta relação, pois, no final desse mesmo capítulo temos uma outra lista, apesar da mesma conter também nove dons, somente cinco destes coincidem com a primeira. De forma que mesmo em I Corintios são pelo menos 13 dons. Depois há uma lista de sete dons em Romanos 12 ( dos quais cinco não ocorrem em nenhuma lista de I Co 12) e outra lista, de cinco dons em Éfesios 4 (dos quais 4 são novos), além de outros dois dons citados em I Pedro 4, um dos quais (“Se alguém fala) ainda não recebera menção específica antes. Ao compararmos as listas, nem sempre está claro quais dons são idênticos, mas é verdade que, no conjunto, o Novo Testamento faça referência a vinte ou mais dons diferentes. A grande importância dos dons espirituais se baseia no fato que eles foram estabelecidos com a finalidade de Edificar a igreja. Se a prática dos dons não edificar o corpo, eles não tem valor. “Assim também vós, visto que desejais dons espirituais, procurai progredir, para a edificação da igreja” (I Co 14.12). “Seja feito para edificação” (I Co 12.26b). As palavras “edificar” e “proveito” (ou variações) são usadas dez vezes em I Coríntios com respeito à operação dos dons espirituais. Dons são concedidos com o propósito de proporcionar proveito e edificação espirituais para todo o corpo. Se um dom é exercido sem amor, ou simplesmente como exibição pessoal, um sino de ouro se transforma em um címbalo de bronze que retine.

OS DONS VERBAIS SÃO GERALMENTE OS MAIS PRATICADOS

O Dom línguas é sem dúvida um “dogma “ no meio pentecostal devido ao fato de que a maioria das denominações do ramo interpretam que o mesmo é a porta de entrada para o recebimento dos demais dons, tornando-se o dom que confere a “credencial pentecostal”, pois a própria chamada ministerial está atrelada a esse pré-requisito. Ao meu ver essa condição tem promovido uma busca doentia (que proporciona muita simulação) por parte de uma grande maioria daqueles que almejam o ministério nesses meios pentecostais. O dom de profecia, o qual tem sido também entendido de uma forma muito superficial, é amplamente praticado. A facilidade encontrada na exploração desses dons é devido a existência de uma grande tendência para o fenomenalismo e a busca mística que proporcione a experiência sensitiva, o que tem sido a tônica em muitas denominações pentecostais. Apesar de crer na contemporaneidade dos dons aqui citados, me preocupo muito com a possibilidade do grande de índice de simulação que existe hoje nesse aspecto, e mais preocupante ainda é a total incapacidade das lideranças em apresentar um outro dom, que no meu entendimento, seria o antídoto para esse veneno, que é “dom de discernimento”. Parece que alguns dons têm ficado no esquecimento, pois, falamos pouco e quase não os desejamos, penso, que talvez tais dons não se identifiquem ou até sejam conflitantes com os interesses predominantes na classe eclesiástica da atualidade. Creio que a falta do “dom de discernimento” explica as contradições vividas pela igreja atual. Em nenhuma outra época a igreja evangélica foi tão inclinada a absorção de heresias. Discursos distanciados da fé bíblica estão sendo recepcionados com muita facilidade. Líderes descomprometidos com a ortodoxia se apropriam dessas heresias, com o propósito de atingir suas audaciosas metas pessoais, e lamentavelmente, multidões se deixam levar pelo discurso inflamado, por falsas promessas, por fundamentos distorcidos da verdade e sem nenhum discernimento alimentam e fortalecem as estruturas da ambição dos “popstars” do Evangelho. Também encontramos pregadores, escritores, que para se manterem no topo da evidência estão ensinando heresias, alguns ousadamente tentando fazer fissuras em doutrinas ortodoxas, como a plenitude da humanidade de Cristo, ou ainda pastores que se declaram abertamente a favor da união homossexual. Mesmo que isso aconteça no plano individual é embaraçoso para a comunidade evangélica, principalmente, quando tais atitudes procedem de pessoas que se colocaram como referencia para a igreja dos nossos dias. Porém, o que caracteriza a ausência do discernimento em grande parte do povo cristão, é o fato de que esses promotores de heresias continuam sendo seguidos por grandes multidões que ostentam o título de cristãos pentecostais, que dizem conhecer e até experimentar os dons do Espírito na sua existência.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

ESPÍRITO SANTO – AGENTE CAPACITADOR DA OBRA DE DEUS- Lição 4

A presença do Espírito Santo se constitui no grande diferencial da obra de Deus quando a comparamos com qualquer outra atividade que o homem possa realizar. Certa vez Jesus fez a seguinte afirmação para os discípulos: "sem mim nada podeis fazer", porém, em outro momento Ele também disse: "Eu vou mais não vos deixarei órfãos, enviarei um consolador e ele vos guiará...". Entendo que as palavras de Jesus aqui mencionadas, encontram um sentido mais profundo no contexto da sublime que foi colocada sob o encargo da igreja de Cristo. Jesus estava ensinando aos seus discípulos que é inútil tentarmos realizarmos a verdadeira obra de Deus de forma autônoma, por meio da nossa própria capacidade. Podemos até construirmos algumas coisas que tenham aparência de grandeza, e produza admiração em muita gente, todavia, tal realização não terá nenhuma importância para o Reino de Deus, e diante de Deus será considerada uma edificação construída com palha, sem nenhuma sustentação, pois, está desprovida da essência. Somente a ação poderosa do Espírito Santo é que pode nos habilitar para fazermos a obra do Senhor de forma que possamos atender os requisitos estabelecidos por Deus. Jesus também disse que os discípulos seriam capazes de fazer coisas mais grandiosas com a vinda do Espírito Santo do que aquelas que já faziam convivendo com a presença física Dele. A vinda do Espírito significou a infusão de um novo poder divino. É a luz deste fato que devemos compreender a declaração que os discípulos de Jesus deveriam realizar maiores obras do que as Dele, "Porque eu vou para o pai" (Jo 14.12). Tais obras maiores, com toda a certeza, localizam-se na esfera espiritual, e não na esfera física.

O ESPÍRITO NOS CONDUZ NA TRILHA DA VERDADE

Este é realmente um trabalho realizado pelo Espírito Santo que é fundamental para a existência e o testemunho da igreja. A verdade dos homens se baseiam em conceitos relativistas, todavia, a verdade de Deus é absoluta e imutável. É a presença do Espírito agindo em nós que nos capacita à assimilarmos essa verdade e também agirmos de conformidade com a mesma. O Espírito Santo nos guia por toda verdade. Cristo é a verdade, aplicada pelo Espírito Santo à vida dos salvos, visando à sua santificação mediante a Palavra, a Bíblia. O Espírito Santo usa na santificação os mesmos recursos que empregou na regeneração da alma: "Mas nós devemos sempre dar graças a Deus a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para salvação, mediante a santificação do Espírito e a fé na verdade" (II Ts 2.13). Portanto, a verdade evangélica revelada na Bíblia é o instrumento do Espírito Santo na santificação do Crente; O Espírito Santo não fala de si mesmo, porque Cristo é o objetivo da sua obra. O próprio Jesus disse em Sua oração: "Santifica-os na tua verdade: a tua palavra é a verdade" (Jo 17.17). Essa verdade esta intimamente ligada à Pessoa de Jesus Cristo.

O ESPÍRITO NOS HABILITA PARA PODERMOS GLORIFICAR A DEUS

A bíblia diz que Deus não recebe gloria de homens, porque somente Jesus é o Espírito Santo podem agradar plenamente a Deus por meio dos seus atos de justiça. O profeta Isaías diz que a nossa justiça não passa de trapos de panos inúteis, pois olhando Deus para a terra não encontrou nenhum justo. Por essa condição e corrupção e pecado por parte da humanidade, Deus rejeitou todas as obras humanas, portanto, por mais que o homem tentasse agradar a Deus com os seus atos, jamais seria aceito. Porém, gesto de Jesus, seu sacrifico vicário por todos os homens, agradou ao Senhor e o glorificou. Cristo levantou a igreja para dar continuidade a obra Dele de proclamar a liberdade aos cativos, todavia, para que Deus fosse glorificado por dos atos da igreja seria necessário que esta tivesse a em si mesma a poderosa presença do Espírito Santo. Sendo dessa forma, apreendemos também que tanto a capacidade como os méritos do fazer a obra de Deus, pertencem ao Espírito. Quando nos despojamos do nosso egoísmo, presunção e vaidade, sendo capazes de nos auto-negarmos para priorizarmos os interesses do Reino de Deus, então, prosseguiremos na certeza de que realmente estamos glorificando a Deus. E não apenas usando chavões de púlpito "Glória a Deus", "Aleluia" e assim por diante.

O ESPÍRITO SANTO CAPACITA PARA O SERVIÇO

O ministério e serviço espiritual são sempre descritos nas Escrituras como sendo efetuados pelo poder do Espírito Santo, não através da capacidade humana. "...Esta é a palavra do Senhor a Zorobabel: Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos" (Zc 4.6). O Espírito Santo revela e esclarece a Palavra de Deus. O principal instrumento de que o obreiro precisa e que ele usa é a Palavra escrita de Deus – a Bíblia. Ela contém a revelação completa de Deus ao homem, indicando os meios de salvação e dando instruções sobre como viver a vida cristã. Um dos ministérios mais importantes do Espírito Santo é revelar as verdades da Palavra de Deus no coração do crente. O Espírito Santo não apenas pode dar entendimento quanto ao significado da Escritura mas também levar o indivíduo a experimentar as verdades contidas em sua páginas, fazendo dela uma palavra viva. O Espírito Santo também ajuda o crente a orar. Em conjunto com o estudo da Palavra de Deus, a oração é a fonte principal da energia do cristão para a vida diária e a luta constante com os inimigos da sua alma. O Espírito Santo está vitalmente ligado a ambas essas fontes da vida e poder do cristão (Rm 8.26,27). O ministério do Espírito na oração é muito precioso. Orar na força e sabedoria da carne pode ser muito difícil e penoso. Não é fácil exercer fé em coisas que você não pode ver. É quase impossível saber como orar por coisas que estão além de sua compreensão humana. Mas tudo isto muda quando o Espírito Santo unge o coração e a mente. A presença de Deus se torna real; o Espírito abre o entendimento; e a fé é simples, desde que Deus é tão real. O Espírito Santo concede poder para pregar a Palavra de Deus. Paulo testemunhou: "A minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder..." (I Ts 1.5). Pedro reconheceu a presença do Espírito Santo em sua pregação, ao testemunhar diante do Sinédrio judeu em Jerusalém. Ele declarou: "Ora, nós somos testemunhas destes fatos, e bem assim o Espírito Santo..." (At 5.32). A pregação eficaz do evangelho deve estar sob a unção do Espírito Santo. Nada é mais impossível do que tentar levar os homens a compreenderem o valor das coisas espirituais e sua necessidade delas, se a mensagem não for transmitida no poder do Espírito Santo. Jesus declarou ter sido especialmente ungido para o seu ministério de pregação (Lc 4.18,19). Se isto foi necessário para Ele, certamente o será para todos os servos menores da Cruz. Os sinais que deveriam seguir a pregação do evangelho eram importantes, pois demonstravam a autoridade que os pregadores tinham sob Deus. Mas os sinais não eram a pregação do evangelho e sim uma evidência da autoridade. A mensagem que deviam pregar era o evangelho da salvação através do nome do Senhor Jesus e o chamado ao arrependimento. "De sorte que somos embaixadores em nome de Cristo, pois, rogamos que vos reconcilieis com Deus. Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus (II Co 5.20,21). Esta é a mensagem do pregador, e Deus deu o Espírito Santo para conceder poder à pregação. É o Evangelho de Jesus Cristo, e não o milagre que o acompanha, que é o poder de Deus para a salvação (Rm 1.16,17). Nós, que vibramos com a mensagem do Pentecostes, jamais devemos deixar de ter em mente este pensamento.